04 outubro 2011

‘ALEXANDER MCQUEEN: SAVAGE BEAUTY’

Em fevereiro de 2010, o mundo da moda lamentou profundamente a morte de Alexander McQueen, um dos gênios da moda contemporânea. Mas 2011 inaugurou a mostra ‘Alexander McQueen: Savage Beauty’ - uma retrospectiva da carreira de quase vinte anos do estilista, contada através das suas coleções e de seus artigos pessoais.

VIDEO: THE INCREDIBLE LIFE AND TRAGIC DEATH OF ALEXANDER MCQUEEN



O anúncio da exposição aconteceu no Hotel Ritz, em Londres e o lançamento durante o tradicional baile de gala do MET – Metropolitan Museum’s Costume Institute, em Nova York. A exposição permaneceu de 4 de Maio a 31 de Julho.


O catálogo da mostra, colocado em pré-venda na Amazon.com, foi clicado pelo fotógrafo Sølve Sundsbø em modelos vivas, para dar mais movimento na fotografia. Depois de prontas as fotos, as modelos foram transformadas digitalmente em manequins para realçar o foco nas roupas.


A exposição, elaborada por Sam Gainsbury e Joseph Bennett, designers de McQueen, e coordenada por Andrew Bolton com o apoio de Harold Koda, ambos do Costume Institute do MET, foi montada sob o signo do Romantismo e das dicotomias que percorreram o trabalho do estilista, conforme o título da mostra.


Pensada como uma exposição de artes visuais, em que a moda se apresenta como o meio, os manequins-esculturas foram expostos como obras escultóricas sobre plataformas rotativas, dispostos em caixas-instalações, ou em prateleiras, como num “Gabinete de Curiosidades”, e ainda, foram apresentados vídeos com o trabalho do estilista.


O pensamento de McQueen foi distribuído ao longo das galerias, em temáticas combinadas que marcaram sua obra: a Beleza e a Lealdade, o Sublime e o Mundano, a Vida e a Morte. Mas o grande destaque da mostra foi o poder provocativo de Macqueen de quebrar barreiras, transpor limites, propor mudanças, ou agitar convenções. O resultado foi impresso nas suas coleções, não pela ordem cronológica de produção, mas pelas diferentes lentes do Romantismo.

VIDEO: ALEXANDER MCQUEEN SAVAGE BEAUTY



Começando em uma sala inspirada no primeiro ateliê de McQueen em Hoxton Square, Londres, intitulada “A Mente Romântica” (The Romantic Mind), a exposição termina com a última coleção apresentada antes da morte do estilista - Plato’s Atlantis, inspirada na Origem das Espécies de Charles Darwin, mas pensada no sentido da devolução das espécies ao seu estado primitivo. As roupas parecem procurar camuflar o corpo numa realidade sublime, próxima da natureza.

VIDEO: PLATO'S ATLANTIS BY ALEXANDER MCQUEEN



A repercussão da exposição foi surpreendente. Um dos recordes de público no Metropolitan Museum Of Art de Nova York, a mostra promete seguir para outros países.
O próximo destino cogitado é Londres. A vontade de levar a exibição de MacQueem a sua terra natal gerou uma petição online organizada pela revista Grazia.
Representantes da grife estão negociando com alguns museus ingleses para definir o espaço da mostra. Outro impasse dos organizadores está relacionado com a montagem, já que a mostra foi planejada para o Costume Institute, do MET. Ainda, as roupas e adereços, extremamente frágeis e delicados, exigem uma infra-estrutura para o transporte e conservação, especializados.
Com os mais de 600mil visitantes em Nova York não restam dúvidas que Alexander McQueen – Savage Beauty será sucesso em qualquer lugar do mundo.

01 outubro 2011

FRANK LLOYD WRIGTH: FALLINGWATER HOUSE


Considerada uma das casas mais famosas do mundo, a Fallingwater House (Casa da Cascata) ou Casa Kaufmann (nome da família proprietária) é uma residência localizada a sudeste de Pittsburgh, Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos.
Projetada pelo arquiteto Frank Lloyd Wrigth, considerado o introdutor da arquitetura moderna nos EUA, foi construída em 1936. Originalmente utilizada como residência de veraneio da família entre 1937 e 1963, hoje a casa é um museu.
Sua principal característica é o fato de ter sido erguida sobre uma queda de água, servindo-se dos elementos naturais ali presentes (como pedras, vegetação e a própria água) para a composição arquitetônica. Assim como várias outras obras de Wright, foi construída com materiais experimentais para a época.

VIDEO: FALLINGWATER DESIGN



O proprietário era Edgar Kaufmann Senior, um bem sucedido homem de negócios de Pittsburgh e fundador da loja de departamentos Kaufmann's, cujo filho, Edgar Kaufmann Jr., estudou arquitetura com Wright.
Certa vez Wright foi convidado à casa de Kaufmann, “La Tourelle”, uma obra-prima franco-normanda do célebre arquiteto local Benno Janssen (1874-1964), no elegante subúrbio de Fox Chapel, em 1923. Quando todos estavam reunidos Wright, que nunca perdia uma oportunidade com um potencial cliente, disse a Edgar Jr. num tom de voz que o seu pai pudesse ouvir: "Edgar, esta casa não é digna dos seus pais…" A observação despertou o interesse da família para algo mais digno. A Casa da Cascata seria o resultado final.


Em Março de 1935 Wright recebeu o mapa topográfico da área, que incluiu todos os rochedos, árvores e topografia. Demorou nove meses para que suas ideias se cristalizassem num desenho esboçado em Setembro do mesmo ano. Foi então que Kaufmann tomou consciência que Wright previa que a casa fosse construída sobre a cascata.
Os planos preliminares foram aprovados em Outubro e em Dezembro foi aberta uma velha pedreira da propriedade para fornecer as pedras necessárias para as paredes da casa. A finalização dos desenhos do projeto aconteceu em Março de 1936 e o início das obras em Abril. Em Outubro de 1937 a casa principal estava concluída.

VIDEO: A CASA FALLINGWATER (legendado em português)



A construção foi atormentada por conflitos entre Wright, Kaufmann e o empreiteiro da construção. O edifício é feito de forma que as quedas de água podem ser ouvidas do seu interior, mas só podem ser vistas quando se está de pé na varanda do piso mais alto. Este tipo de mistério de arquitetura geométrica intrigou o próprio Wright.
Na época da sua construção, a Casa da Cascata custou um total de 155.000 dólares, repartidos da seguinte forma: 75.000 para a casa, 22.000 para os acabamentos e mobiliário, 50.000 para casa de hóspedes, garagem e alojamentos dos criados e 8.000 para os honorários do arquiteto. Atualizados, estes custos traduzem-se em cerca de 2,4 milhões de dólares em 2010.


A paixão de Wright pela arquitetura japonesa foi fortemente refletida no desenho da Casa da Cascata, principalmente na interpenetração dos espaços internos e externos, a harmonia entre o homem e a natureza. Tadao Ando disse uma vez:
"Eu penso que Wright aprendeu o mais importante aspecto da arquitetura, o tratamento de espaço, da arquitetura japonesa. Quando visitei a Casa da Cascata na Pensilvânia, encontrei essa mesma sensibilidade de espaço. Mas havia ali os sons adicionais da natureza que me atrairam”.


A casa, organicamente desenhada, foi pensada para ser um refúgio natural: uma queda de água corre por baixo da casa. A lareira com fogão a lenha na sala de estar é composta por rochedos encontrados no sítio e sobre os quais a casa foi construída — um conjunto de pedras que foi deixado no local sobressai no pavimento da sala de estar. Os pavimentos de pedra foram encerados, enquanto o fogão de lenha foi deixado ao natural, dando a impressão de rochas secas sobressaindo de um riacho.

VIDEO: LYNDA WAGGONER E A CASA FALLINGWATER



O riacho ativo, redondezas imediatas e paredes e terraços em cantilever (apoiados pelo canto) de pedra lembrando as formações rochosas vizinhas, destinam-se a estar em harmonia com a natureza. O desenho incorpora amplas extensões de janelas e as varandas estão fora da salas principais dando uma sensação de proximidade com a natureza. O clímax experiencial da casa é a escadaria interior que desce da sala de estar dando o acesso direto à cascata.


Na encosta acima da casa principal existe uma coberta para quatro carros, alojamentos para os criados e um quarto de hóspedes. Este edifício exterior anexo foi construído um ano depois usando a mesma qualidade de materiais e a mesma atenção aos detalhes da casa principal. Logo acima fica uma pequena piscina continuamente alimentada por água natural, que depois flui para o riacho. Kaufmann, Jr. desenhou ele próprio os interiores, mas com as especificações de outros interiores da casa desenhados por Wright.








Elogiada pela Time magazine, pouco depois da sua conclusão como "o mais belo trabalho" de Wright, a Fallingwater também está listada na Life List de 28 lugares "para visitar antes que seja tarde demais" da revista Smithsonian. A Casa da Cascata foi designada como ‘National Historic Landmark’ em 1966. Em 1991, membros do Instituto Americano de Arquitetos (AIA) elegeram a casa como o "melhor trabalho de todos os tempos da arquitetura americana" e, em 2007, foi classificada no vigésimo nono lugar na lista da Arquitetura Favorita da América de acordo com esse instituto.

VIDEO: 3D MAKING OF















Link externo: http://www.fallingwater.org/

29 setembro 2011

"EM NOME DOS ARTISTAS" COMEMORA OS 60 ANOS DA BIENAL DE SÃO PAULO


Para comemorar seus 60 anos, a Bienal de São Paulo abre a exposição "Em Nome dos Artistas", nesta sexta-feira (30), no Parque Ibirapuera. A mostra exibe trabalhos de 51 artistas que representam as últimas três décadas do cenário artístico americano e britânico.
Pela primeira vez no Brasil, o acervo do Astrup Fearnley Museum of Modern Art, na Noruega, faz um painel impressionante da arte contemporânea norte-americana, e mostra 219 obras. O museu foi inaugurado em 1993 com uma coleção que enfoca artistas contemporâneos estrelados e obras famosas, e não foi pensada da maneira tradicional, privilegiando movimentos e períodos históricos. Em certo sentido, o museu oferece a arte de uma maneira mais espetacularizada e democrática.

60 ANOS DA BIENAL / EM NOME DOS ARTISTAS - 26/09/2011



É a chance de entrar em contato com artistas-celebridades, muito comentados, mas raramente vistos por aqui. Cindy Sherman está presente com seus retratos, incluindo alguns da a série "Untitled Film Stills", em que encarna personagem de filmes imaginários. Matthew Barney aparece com seu famoso ciclo "Cremaster", Nan Goldin retrata o sexo e a Aids, enquanto as cores pop de Jeff Koons colocam lado a lado a arte, o kitsch e o consumismo.

CINDY SHERMAN



NAN GOLDIN



Damien Hirst, o artista inglês mais rico da atualidade, também entrou na seleção pelo seu constante diálogo com artistas do outro lado do Atlântico e tem uma "mostra dentro da mostra". A obra de Hirst é das mais polêmicas, por causa de sua obsessão pela morte - como a sua série com animais conservados em formol. Está lá uma vaca e um bezerro, cortados ao meio.

DAMIEN HIRST AT LEVER HOUSE-1



A exposição tem uma série de obras proibidas para menores de 18 anos. Trabalhos de artistas como Paul Chan, Cindy Sherman, Matthew Ronay e Richard Prince exibem genitálias e cenas de conotação sexual. As fotos de Jeff Koons com sua então mulher Cicciolina em pleno ato sexual, também estão lá.

JEFF KOONS BEYOND HEAVEN DOCUMENTARY



Gunnnar Kvaran, curador do museu norueguês, seguiu o conceito do museu ao criar pequenas individuais colocadas lado a lado. "Quis isolar os artistas dessa exposição, em vez de contextualizar. Ao mesmo tempo, eles estão sendo mostrados em grupo."
"Não há apenas uma América, mas várias. São diferentes sotaques. Nos últimos dez anos, percebemos uma influência forte da turbulência política no trabalho desses artistas", diz o curador.

ENTREVISTA COM GUNNAR KVARAN



Em entrevista coletiva realizada na última segunda-feira, o presidente da Bienal, Heitor Martins, falou sobre a polêmica que a obra pode gerar. "A arte contemporânea é a fronteira. Quando você passa o limite é normal que gere polêmica. Isso testa a sociedade. Se não criarmos esse diálogo, não estaremos cumprindo nossa função. Toda mostra contemporânea é provocativa".
Martins ainda disse que a proposta da exposição é mostrar artistas contemporâneos que serão ícones daqui algumas décadas e que o museu norueguês foi escolhido porque possui um dos acervos mais relevantes de arte contemporânea do mundo. Dentro do recorte específico da produção dos EUA nos últimos 30 anos, os principais grandes nomes estão lá.

JEFF KOONS NO AUDITÓRIO DO IBIRAPUERA - EM NOME DOS ARTISTAS



VISITAS ORIENTADAS
No período da exposição a Bienal vai oferecer um roteiro alternativo para crianças e disponibilizará monitores. É possível agendar horários com escolas e grupos fechados. Mais informações no site da Bienal
Na terça (27), a Folha circulou o caderno especial sobre os 60 anos da Bienal Internacional de São Paulo. A publicação traz informações sobre a mega-exposição no Pavilhão da Bienal. Baixe o caderno em PDF clicando aqui.

FOLHA COMENTA MOSTRA DE 60 ANOS NA BIENAL DE SP



“EM NOME DOS ARTISTAS” acontece de terça a domingo no Pavilhão da Bienal (pq. Ibirapuera, portão 3, tel. 0/xx/11/5576-7600). A entrada custa R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), com classificação livre (algumas salas têm classificações especiais na entrada).

EM NOME DOS ARTISTAS / IN THE NAME OF THE ARTISTS - 30/09-04/12 - 2011 - BIENAL DE SÃO PAULO