Mostrando postagens com marcador Le Corbusier. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Le Corbusier. Mostrar todas as postagens

10 novembro 2011

ARQUITETURA: ‘VILLA SAVOYE’ DE LE CORBUSIER


A Villa Savoye, obra do arquiteto franco-suíço Le Corbusier (Charles-Edouard Jeanneret-Gris, 1887-1965), é uma residência projetada e construída entre 1928-29 em Poissy, na região parisiense. Forma com a residência Farnsworth (de Mies van der Rohe) e a Casa da Cascata (de Frank Lloyd Wright) uma tríade de residências paradigmáticas das diferentes tendências da arquitetura moderna que surgiram no início do século.


A residência é responsável por influenciar o pensamento projetual de arquitetos em todo o mundo devido à um século marcado pela máquina, pela razão e pelo progresso. Segundo Le Corbusier, ‘a casa é uma máquina de morar’ e a Villa Savoye foi projetada seguindo essa idéia, de forma plena.


Encomendada por um jovem casal com um filho, a edificação constitui um dos mais importantes exemplares da arquitetura moderna de raiz funcionalista, sintetizando as pesquisas para a arquitetura doméstica que Le Corbusier desenvolveu. A Villa expõe em si mesma os ‘Cinco Pontos para uma Nova Arquitetura’, propostos na obra teórica de Le Corbusier, formulada em 1927:

1. Pilotis, liberando o edifício do solo e tornando público o uso deste espaço antes ocupado, permitindo inclusive a circulação de automóveis;

2. Terraço jardim, transformando as coberturas em terraços habitáveis, em contraposição aos telhados inclinados das construções tradicionais;

3. Planta livre, resultado direto da independência entre estruturas e vedações, possibilitando maior diversidade dos espaços internos, bem como mais flexibilidade na sua articulação;

4. Fachada livre, também permitida pela separação entre estrutura e vedação, possibilitando a máxima abertura das paredes externas em vidro, em contraposição às maciças alvenarias que outrora recebiam todos os esforços estruturais dos edifícios;

5. A janela em fita, também conseqüência da independência entre estrutura e vedações, se trata de aberturas longilíneas que cortam toda a extensão do edifício, permitindo iluminação mais uniforme e vistas panorâmicas do exterior.

VIDEO: VILLA SAVOYE PROMENADE CREATION



Associado aos cinco pontos, o conceito da promenade architecturale, ou o passeio arquitetural, é fundamental para a compreensão desta residência. A valorização do percurso como uma estratégia conceitual, a ordenar tanto interna como externamente a Villa Savoye, é evidenciada desde a chegada, pontuando a experiência de fruição do objeto arquitetônico com surpresas constantes. O conceito se realiza através da variação do percurso, obrigando a experiência do objeto arquitetônico em diferentes posições e pontos de vista, e variando constantemente a relação entre o objeto e o fruidor.

VIDEO: LA VILLE RADIEUSE, LE CORBUSIER



O próprio Le Corbusier revela a origem do conceito da Promenade:
“A arquitetura árabe nos dá um ensinamento precioso. Ela é apreciada no percurso a pé; é caminhando, se deslocando que se vê desenvolverem as ordenações da arquitetura. Trata-se de um princípio contrário à arquitetura barroca que é concebida sobre o papel, ao redor de um ponto teórico fixo. Eu prefiro o ensinamento da arquitetura árabe”


A casa se caracteriza por um volume prismático branco, de planta quadrada, elevado do solo por pilotis (colunas de betão). A parede exterior, tratada como uma membrana sem funções estruturais foi rasgada por longas janelas horizontais que enquadram as perspectivas sobre o exterior da casa.


No exterior, sob o bloco principal da casa, o recuo do volume que articula as entradas define um espaço coberto, de transição entre o interior e o exterior, que protege contra as intempéries de quem chega e cria a possibilidade de um caminho coberto para o automóvel chegar até a garagem, passando pela entrada principal. Também, os pilotis reforçam a idéia da liberação do solo para o uso comum e a circulação, estabelecendo um espaço aberto e iluminado naturalmente, porém em sombra.


No interior, a inversão de sentidos entre escada e rampa evidencia o conceito da promenade architecturale, ou seja, a variação de percursos faz com que a fruição se dê de forma complexa, produzindo estímulos diversificados e distintos na medida em que se caminha no espaço interior. A experiência do percurso se faz mais importante do que a apreensão da forma estática, a relação entre espaço e tempo acontece também do lado de dentro.


O piso térreo concentra os espaços de serviço (garagem e quartos dos empregados) assim como a entrada e respectivos dispositivos de circulação. Uma parede curva em vidro contém o átrio da habitação, no interior do qual se encontra uma rampa que conduz aos outros pisos, assim como uma escada auxiliar de serviço.


No primeiro andar ficam os espaços nobres da habitação (os quartos, a sala comum e a cozinha), organizados em torno de um terraço-jardim.
A partir do primeiro piso, a rampa continua exteriormente em direção à cobertura - um terraço - onde algumas paredes curvas emolduram as vistas sobre a paisagem. Esta rampa, que substituiu a solução tradicional das escadas, cria um percurso interior, contínuo, em que se sucedem acontecimentos espaciais e visuais.


A Villa Savoye torna manifesto um novo modo de vida que toma lugar nos espaços que o conceito da promenade architecturale possibilita. Intimidade e controle se realizam no equilíbrio entre abertura e fechamento - integração visual e isolamento físico, proporcionando uma sensação de proteção realizada pelas divisões e a possibilidade de visualização panorâmica do exterior.


A resposta às demandas relativas à utilidade se fazem, na Villa Savoye, através da criação de equipamentos e suportes para o dia a dia (bancadas, armários, mesas e etc.) e da incorporação das inovações tecnológicas, como o automóvel. Tal inclusão elimina a possibilidade de leitura da obra corbusiana como arte pura, revelando a consideração de uma finalidade que é externa à própria forma.


A Villa Savoye aponta para a possibilidade de que a arquitetura possa regular as relações humanas e atingir um grau de ‘invenção arquitetural’ na medida em que promove deslocamentos em todas as demandas que interagem na criação e na realização do edifício, o que sugere uma reinvenção da finalidade a que a arquitetura deve atender.

VIDEO: VILLA SAVOYE POR ARCHITECTURAL WONDERS

25 abril 2011

EDGARD VARESE E LE CORBUSIER: POEME-ELECTRONIQUE, 1958


O Poema Eletrônico foi apresentado, pela primeira vez, na Feira Mundial de 1958, em Bruxelas, através de 425 auto-falantes instalados em todo o pavilhão Philips. Agrupados em colméias, os conjuntos de alto-falantes criavam rotas de som que permitia a música correr em diversas direções, destacando certas regiões do pavilhão. Seu posicionamento e a concepção do edifício deu aos espectadores a sensação de estarem alojados dentro de uma concha prateada de concreto.

Um modelo gigante de um átomo pendia do teto e o som e imagem, na sala lotada, foram certamente chocantes e devastadores para todos os que testemunharam o espetáculo. Henry Miller o descreveu como um “estratosférico colosso de som”.


Quando a Philips (empresa de eletrônicos) abordou Le Corbusier para projetar um edifício para a feira, ele respondeu: "Não vou fazer um pavilhão para você (Philips), mas um poema eletrônico e um recipiente contendo um poema; luz, cor, imagem , ritmo e som, combinados em uma síntese orgânica "

Na sua auto-assumida condição de diretor do projeto, Le Corbusier exigiu a participação do compositor francês naturalizado americano Edgard Varèse (1883-1965), excluindo outros músicos inicialmente considerados, como Benjamin Britten (1913-1976), compositor, pianista e maestro e britânico.


A proposta de Le Corbusier, para participar no Poème Électronique foi imediatamente aceita por Varèse. Constituía não só um valioso encargo, como também a possibilidade de dispor do laboratório Philips em Eindhoven, com condições que até então não tinha podido sonhar para produzir música eletrônica.

A composição Poème Électronique foi concebida segundo o critério ‘varesiano’ de son organisée (som organizado), distinguindo-se da música de estrutura melódica. Consistia numa sequência gravada que incluía sons gerados eletronicamente ou naturais (música concreta). O Poème alcançou um importante reconhecimento e é considerado uma obra importante do último período de Varèse.


Simultaneamente com a música de Varèse, e sem nenhum critério de sincronização, projetava-se a sequência visual concebida por Le Corbusier, que abrangia desde a gênese do mundo até a nova civilização exemplificada em obras do próprio arquiteto.



A procura de uma síntese das artes faz parte da agenda cultural posterior à II Guerra Mundial. O Pavilhão Philips representa um esforço evidente de Le Corbusier em realizar uma obra de arte total, utilizando tecnologia de vanguarda e apresentando-se como um artista que ultrapassa os limites da arquitetura, das artes visuais e da literatura, mas também reflete uma abertura para a música. Mais ou menos simultaneamente com a concepção do seu Le Modulor, de certo modo similar a uma escala musical, Le Corbusier desenvolve o seu conceito de ‘Acústica plástica’.

Link externo: http://www.cca.qc.ca/en/study-centre/575-scholar-s-choice-the-philips-pavilion-at-the-brussels-worlds