

Duchamp tinha idéias notáveis. Aos 25 anos, abandonou a pintura e passou a investir nos ready-mades, contornando suas deficiências: ao transformar objetos do cotidiano em obras de arte, ele simplesmente eliminou a necessidade de um domínio genial da técnica. Seu maior esforço consistia em selecionar os objetos e depois dar um nome e uma apresentação inusitados.
Para ele, a partir de então, fazer arte estaria ao alcance de qualquer preguiçoso. Quando lhe perguntavam qual era sua profissão, ele respondia: “Sou um respirador”. Era uma confissão de que o ócio constituía sua principal atividade, Ele passou boa parte da carreira sem produzir ou criando apenas variações de seus objetos.

Duchamp foi um mestre da provocação. A forma como apresentou ao mundo os ready-mades é um exemplo. O mais famoso deles, em 1917, foi o urinol invertido batizado por ele de Fonte. Em 1919, voltou a despertar barulho, ao rabiscar bigode e cavanhaque numa imagem de Mona Lisa, rebatizada com as iniciais de uma expressão francesa obscena, L.H.O.O.Q.. Também, o artista intervinha em exposições de terceiros, que fazem dele um precursor da figura dos curadores de hoje.
Ao lançar esses ataques às convenções artísticas de seu tempo, Duchamp tinha como maior objetivo fazer ruir a idéia de que a arte existe para ser admirada com os olhos. Para ele, a obra de arte deveria, antes de tudo, expressar um conceito intelectual. Daí derivou a arte conceitual, a arte pop, as performances, as instalações e outras correntes contemporâneas.
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