29 janeiro 2013

TATOO TREND


A tatuagem (tattoo em inglês) é uma das formas de modificação do corpo mais conhecidas e cultuadas do mundo. Trata-se de um desenho permanente feito na pele, realizado com a inserção de tinta para mudar a pigmentação. O que não mudou quase nada, desde o seu surgimento a mais de 4 mil anos, foi a técnica para tatuar - ela ainda é feita por meio da aplicação subcutânea de pigmentos por agulhas, um procedimento que durante muitos séculos foi completamente irreversível.

PRIMEIRA PARTE DO DOCUMENTÁRIO “SEGREDOS DA TATUAGEM”



As motivações para a realização da tatuagem são inúmeras e não há uma forma definida ou percurso que explique o desejo e a sua efetivação. O contexto, o ambiente, a época, o nível cultural, as influências, modismos, ideologias, crença e espírito despojado são alguns dos níveis que podem dar vazão ao processo.


A tatuagem foi usada como ritos de passagem, marcas de status e hierarquia, símbolos de devoção religiosa e espiritual, decorações por bravura, iscas sexuais e marcas de fertilidade, promessas de amor, castigo, amuletos e talismãs, proteção, e como as marcas de párias, escravos e condenados. O simbolismo e impacto das tatuagens variam em diferentes locais e culturas.

SEGUNDA PARTE DO DOCUMENTÁRIO “SEGREDOS DA TATUAGEM”



Os temas são infinitos e variam tanto quanto a personalidade dos tatuadores e tatuados. Nenhuma teoria psicológica, psicanalítica, religiosa, antropológica ou médica apresenta uma explicação exclusiva e final para a tatuagem, considerada uma prática cultural complexa desde sua origem. Portanto considera-se um movimento do ‘ser simbólico-social’, que supera o instinto de autopreservação, uma característica absolutamente humana.


A palavra "tattoo" foi cunhada e trazida para a Europa pelo explorador James Cook (também descobridor do surf), quando ele retornou de sua primeira viagem ao Tahiti e Nova Zelândia. Foi a bordo do seu navio – o ‘HMS Endeavour’, em Julho de 1769, que Cook anotou pela primeira vez as suas observações sobre a modificação do corpo indígena e é o primeiro registro do uso da palavra tatuagem: "Ambos os sexos pintam seu corpo, Tatuagem, como é chamado em sua língua. Isso é feito inserindo a cor negra sob suas peles, de tal forma que seja indelével".


Retrato do Capitão James Cook por Sir Nathaniel Dance-Holland, 1775

Posteriormente os homens de Cook tanto introduziram a palavra, quanto reintroduziram o conceito de tatuagem na Europa. Mais tarde, com a circulação dos marinheiros ingleses a tatuagem entrou em contato com diversas civilizações pelo mundo novamente.

HISTÓRIA

A tatuagem tem sido uma prática eurasiana, pelo menos desde o período Neolítico. A múmia "Ötzi the Iceman" (encontrada no vale Ötz, nos Alpes), datada de cerca de 3300 anos antes de Cristo, possuía 57 tatuagens distintas: uma cruz no interior do joelho esquerdo, seis linhas retas com 15 centímetros de comprimento acima dos rins e numerosas linhas paralelas pequenas ao longo das lombares, pernas e tornozelos. Essas tatuagens foram consideradas uma forma de cura por causa de sua localização, que se assemelha à acupuntura - possivelmente tatuagens terapêuticas para o tratamento de artrite.


Representação de uma figura tatuada, em argila, do período neolítico – supostamente da cultura pré-cucuteni (4900-4759 a.C), descoberta na Romenia

Em Tarim Basin (hoje Xinjiang, no oeste da China) foram encontradas várias múmias tatuadas de um tipo fisico ocidental (Ásia ocidental / Europa). Ainda relativamente desconhecidas (a única publicação atual em língua ocidental é “As Múmias de Tarim” de J P. Mallory e V H. Mair, Londres, 2000), algumas delas poderiam datar do final do segundo milênio antes de Cristo. Outra múmia tatuada descoberta, datada deste período, foi a ‘Múmia de Amunet’ do Egito antigo.


Múmia de uma princesa Ukok

Uma múmia tatuada (c. 300 antes de Cristo) foi retirada do estado de congelamento (permafrost) em Altaï, na segunda metade do século 15. Ainda, durante a década de 1940 foi encontrada a múmia ‘Homem de Pazyryk’, e durante a década de 1990 mais duas múmias, uma feminina e outra masculina foram removidas do planalto de Ukok da Sibéria, na Rússia. Suas tatuagens envolviam desenhos de animais realizados num estilo curvilíneo.


Tatuagem no braço direito da múmia de um chefe Scythian (com mais de 2.500 anos), encontrada em Pazyryk, na Russia

O Homem de Pazyryk, um chefe dos Scythian (um povo nomade iraniano), era tatuado com uma extensa e detalhada gama de peixes, monstros e uma série de pontos que se alinhavam ao longo da coluna vertebral (região lombar) e ao redor do tornozelo direito (ilustrado à direita).

MUNDO ANTIGO

Na China antiga as tatuagens eram associadas à criminosos e bandidos, desde a Dinastia Zhou (1045 aC a 256 aC), e foi praticada até a última dinastia, a Dinastia Qing (1644 a 1912). No entanto, referências às tatuagens podem ser encontradas na cultura popular, em um dos Quatro Grandes Romances Clássicos da literatura chinesa, ‘Water Margin’ (margem da água), onde pelo menos três dos personagens principais, Lu Zhishen, Shi Jin e Yan Ching, são descritos como tendo tatuagens cobrindo quase todos os seus corpos.


Tatuagem pe'a de Samoa

Em Samoa, a tradição da tatuagem tem sido ininterrupta por mais de dois mil anos.
A tatuagem tradicional masculina, chamada "pe'a", é uma provação sofrida e costumava ser um pré-requisito necessário para receber um título matai de chefe (ali'i) ou chefe falante (tulafale). Já a tatuagem tradicional feminina, chamada “Malu”, não possui as grandes áreas cobertas do "pe'a" - não era tão ritualizada quanto a dos homens.
As cerimônias de tatuagem celebravam a resistência e dedicação às tradições culturais. Recuar da tatuagem era arriscar ser rotulado de "pala'ai" ou covarde.


Tatuagem Moko de um chefe Maori, 1784

As tatuagens ‘Moko’, usadas pelos Māori (povo nativo da Nova Zelândia), eram desenhos faciais usados por homens e mulheres para indicar sua linhagem, posição social e status dentro da tribo - era uma marca de identidade sagrada e considerada um veículo para o armazenamento do ‘Tapu’ (um conceito tradicional polinésio que denota algo santo ou sagrado, que envolve regras e proibições), na vida após a morte.
No período inicial do contato entre os Maori e os europeus, seu povo foi caçados por suas tatuagens ‘Moko’ e decapitados para fornecer ‘souvenirs’ (lembranças) ao Novo Mundo.


Nas Ilhas Filipinas alguns grupos tribais acreditam que as tatuagens têm qualidades mágicas e ajudam a proteger os seus portadores. Sua tradição está relacionada com as realizações do portador, na vida ou posição na tribo.
Os mais famosos povos indígenas tatuados nas Filipinas ocupavam uma área ao norte de Luzon, especialmente entre os grupos Bontoc Igorot, Kalinga, e os povos Ifugao.
A tatuagem filipina foi a primeira a ser documentada pelos exploradores eupopeus espanhóis, quando eles desembarcaram entre as ilhas no final do século 16.


Na Indonésia, várias tribos possuem a cultura de tatuagem, como o povo Dayak de Kalimantan em Bornéu. A Tatuagem tradicional de Bornéu utiliza duas varas para tatuar - uma mantida sobre a pele para inserir a tinta e outra para bater na primeira, como um tipo de martelo. O estiramento da pele (diferente em cada parte do corpo) é muito importante no processo - quando é feito corretamente reduz o tempo de realização da tatuagem.
O estilo mais comum dos desenhos de Bornéu é o tribal, realizado em traços pretos e grossos, com diferentes significados. A natureza é o foco principal na concepção da tatuagem tradicional de Bornéu, como folhas, animais, frutas, árvores e galhos.


Tatuagem Yantra

No Camboja, Laos e Tailândia, a tatuagem ‘Yantra’ é usada para proteção contra o mal e para aumentar a sorte.
Em Taiwan, as tatuagens faciais da tribo Atayal são chamadas de "Badasun", e são utilizados para demonstrar que um homem adulto pode proteger a sua terra natal, e que uma mulher adulta é qualificada para tecer e executar tarefas domésticas.

NO JAPÃO

A tatuagem no Japão remonta pelo menos ao período Jomon ou Paleolítico (cerca de 10.000 a.C). Tinha fins espirituais e decorativos, e foi comum tanto para os japoneses, quanto para o povo Ainu - um povo indígena do Japão e da Rússia – que tradicionalmente tatuavam a face.


Mecânico tatuado, 1870

Entre 1603 e 1868 a tatuagem japonesa só era praticada pelos grupos "ukiyo-e" (A cultura do mundo flutuante) - geralmente bombeiros, operários e prostitutas - que usavam tatuagens para comunicar o seu status. Entre 1720 e 1870 os criminosos eram tatuados como uma marca visível de punição. Mais tarde esta prática foi abolida pelo governo "Meji", que a considerou bárbara e desprovida de respeitabilidade.


Yakuza - 7 trajes tatuados pelo pelo artista Horiyoshi Iii

Posteriormente, foi criada uma subcultura de criminosos e marginais (muitos eram Samurais) que não podiam se integrar na sociedade por causa de suas tatuagens óbvias, e que ingressaram na Yakuza (máfia japonesa moderna), para o qual as tatuagens no Japão se tornaram quase sinônimo.

NA EUROPA

Germânicos pré-cristãos, Celtas e outras tribos centrais e do norte da Europa eram frequentemente tatuados, de acordo com o relato de sobreviventes.
Os ‘Picts’ (um antigo povo Celta do final de Idade do Ferro e do início da era medieval que habitava o norte da Grã-Bretanha) eram famosos por serem tatuados (ou escarificados) com desenhos muito elaborados, inspirados na guerra e realizados em tons pastéis de preto ou azul escuro (possivelmente utilizando o cobre para o tom de azul).


Representação de um Pict em um livro de história do século 19

Júlio César descreveu estas tatuagens no Livro V de suas Guerras na Gália, por volta do ano 54 antes de Cristo.
Na verdade, a ilha da Grã-Bretanha tem este nome por causa da tatuagem; a tradução de ‘Britons’ é "povo do desenho", e ‘Picts’ significa, literalmente, "o povo pintado".

TATUAGEM MODERNA

A tatuagem moderna no mundo ocidental tem suas origens com as expedições marítimas ocorridas entre os séculos 16 e 18, que promoveram o contato entre os exploradores e as tribos polinésias, assim como com grupos tribais na África, Indochina, Europa, Japão e Américas. Como muitas tatuagens foram estimuladas por exemplos polinésios e japoneses, esta prática tornou-se especialmente popular entre os marinheiros europeus, que retornavam das viagens com tatuagens inscritas em seus corpos.


Com a reintrodução da tatuagem na Europa, pelos homens do mar e marinheiros, elas começaram a figurar no mainstream Europeu e, eventualmente, da América do Norte. Neste processo, a prática da tatuagem se espalhou rapidamente pelos portos marítimos ao redor do mundo e os tatuadores amadores eram amplamente demandados nas cidades portuárias, principalmente por marinheiros europeus e americanos.


O primeiro tatuador profissional documentado nos EUA foi Martin Hildebrandt, um imigrante alemão que chegou a Boston, Massachusetts, em 1846. Entre 1861 e 1865, ele tatuou soldados em ambos os lados da Guerra Civil Americana. Na Grã-Bretanha o primeiro tatuador profissional foi documentado em Liverpool em 1870.

CABEÇAS COROADAS

Por volta de 1870, a tatuagem se tornou uma marca de riqueza para as cabeças coroadas e se espalhou pelas classes superiores em toda a Europa, mais particularmente na Grã-Bretanha, onde a Revista Harmsworth estimou, em 1898, que mais de um em cada cinco membros da nobreza eram tatuados.


Não era incomum para os membros da elite, se reunir nas salas e bibliotecas de residências do Estado, depois do jantar, e se despir parcialmente para exibir suas tatuagens. Porém o Governo da Inglaterra adotou a tatuagem como uma forma de identificação de presidiários, em 1879, conferindo uma conotação criminosa à tatuagem no Ocidente.


Retrato de Omai por Joshua-Reynolds, 1776

Entre 1766 e 1779, o capitão James Cook fez três viagens ao Pacífico Sul, e quando voltou para a Europa de sua viagem à Polinésia, trouxe com ele um homem tatuado da sociedade Raiatea (na polinésia francesa – Taiti), chamado Omai, a quem apresentou ao rei George e à Corte Inglêsa. A corte real britânica deve ter ficado fascinada com as tatuagens de Omai, porque o próprio futuro rei George V foi tatuado com a ‘Cruz de Jerusalém’, quando viajou para o Oriente Médio em 1892. Durante uma visita ao Japão, ele também recebeu um dragão no antebraço das agulhas de Hori Chiyo, um mestre da tatuagem. Os filhos de George, os duques de Clarence e York também foram tatuados no Japão, enquanto serviam ao Almirantado Britânico, solidificando o que se tornaria uma tradição familiar.


Rei George V (direita) e seu primo Czar Nicolau II

Levando em conta a cúpula da liderança européia, desde a Corte Britânica, onde Edward VII seguiu George V e também se tatuou. Os Reis Frederick IX da Dinamarca, Kaiser Wilhelm II da Romênia, Alexander da Iugoslávia e até mesmo o Czar Nicolau II da Rússia, todos ostentavam tatuagens - muitas delas elaboradas e ornamentadas com as interpretações do Brasão Real de Armas ou o Brasão da Família Real. O Rei Alfonso XIII da Espanha moderna também possuía uma tatuagem.


Rei Frederick IX da Dinamarca

Além de seu consorte, o príncipe Albert, há rumores persistentes de que a Rainha Victoria tinha uma pequena tatuagem em um local "íntimo", não revelado; o Rei Frederick de Dinamarca foi filmado mostrando suas tatuagens como um marinheiro.
Lady Randolph Churchill, mãe de Winston Churchill, tinha uma cobra tatuada em volta do pulso, que ela cobria com um bracelete de diamantes - especialmente criado - quando havia necessidade. Continuando a tradição da família, Winston Churchill tinha uma âncora tatuada no antebraço.


Em 1891, Samuel O'Reilly desenvolveu um aparelho elétrico para a realização de tatuagens, baseado em outro aparelho extremamente parecido que havia sido criado e patenteado por Thomas Edison.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a tatuagem foi muito utilizada por soldados e marinheiros, que gravavam o nome da pessoa amada em seus corpos.

ASSOCIAÇÕES

Perseguida em vários momentos da história, a prática da tatuagem foi banida por decreto papal no século 8 e na Nova York do século 20. No Japão, com a restauração e as reformas da era Meiji em 1868, as tatuagens foram proibidas durante 70 anos, antes de serem revogadas em 1948. Ao mesmo tempo, durante o período de proibição, surgiu uma subcultura de criminosos e marginais (muitos eram Samurais) que não podiam se integrar na sociedade por causa de suas tatuagens óbvias, e se viram forçados a aproveitar a oportunidade de ingressar na máfia japonesa moderna - a Yakuza – para a qual a tatuagem era aceita e valorizada no Japão.

DOCUMENTÁRIO: CORPOS MARCADOS - MORTE DA YAKUZA



Atualmente, desde o dia 6 de junho de 2012, todas as novas tatuagens são proibidas para os funcionários da cidade de Osaka, que são obrigados a cobrir suas tatuagens com roupa. Isso foi feito por causa da forte ligação das tatuagens com o crime organizado japonês - Yakuza, depois que um funcionário de Osaka ameaçou um aluno mostrando sua tatuagem em fevereiro de 2012.


Na Europa e América do Norte, o entendimento cultural das tatuagens tem sido influenciado por antigos estereótipos baseados em grupos sociais desviantes dos séculos XIX e XX. Particularmente, na América do Norte, as tatuagens têm sido associadas com os estereótipos, folclore e racismo.

DOCUMENTÁRIO: CORPOS MARCADOS - VEÍCULO DA MORTE



Até os anos 1960 e 1970 as pessoas não associavam as tatuagens com grupos como os de motociclistas e prisioneiros. Hoje, nos Estados Unidos, muitos prisioneiros e grupos criminosos usam tatuagens distintas para indicar fatos sobre o seu comportamento criminal, sentenças de prisão, e afiliação organizacional.


Um estudo realizado em 2004, entre 500 adultos com idade entre 18 e 50 anos, mostrou uma ligação explícita entre tatuagem e criminalidade. 72 por cento dos inquiridos com tatuagens no rosto, pescoço, mãos, ou dedos, passaram mais de três dias na prisão, contra 6 por cento da população não-tatuada.

DOCUMENTÁRIO: CORPOS MARCADOS - GAIOLA DO DIABO



Ao mesmo tempo, os membros do exército dos EUA tem uma história igualmente bem-estabelecida e de longa data, com tatuagens que indicam as unidades militares, batalhas, mortes, etc, uma associação que continua a se generalizar entre os americanos mais velhos. Tatuagem também é comum nas Forças Armadas britânicas.


Presos na Sibéria e campos de concentração nazistas eram tatuados com um número de identificação. Hoje, muitos presos ainda se tatuam como uma indicação de tempo passado na prisão. Os nativos americanos – índios - também usam tatuagens para representar suas tribos.

DOCUMENTÁRIO: CORPOS MARCADOS - MALDADE PURA



Na medida em que este uso cultural ou subcultural de tatuagens antecede a sua popularidade na população em geral, elas ainda são associadas com a criminalidade. Embora a aceitação de tatuagens esteja em ascensão na sociedade ocidental, elas ainda carreguam um estigma pesado entre determinados grupos sociais. Tatuagens são geralmente consideradas uma parte importante da cultura na máfia russa.


A prevalência de mulheres na indústria da tatuagem, junto com o aumento no número de mulheres usuárias de tatuagens, parece estar mudando as percepções negativas. Um estudo conhecido por "at-risk" - em risco (definido pela ausência e evasão escolar), as adolescentes mostraram uma correlação positiva entre a modificação do corpo e os sentimentos negativos para o corpo e baixa auto-estima, no entanto, o estudo também mostrou que um forte motivo para a modificação do corpo é a busca por " tentativas para alcançar o auto-domínio e o controle sobre o corpo em uma época de crescente alienação."

NO BRASIL

No Brasil a tatuagem é uma arte recente, surgiu em meados dos anos 60 na cidade portuária de Santos e foi introduzida pelo dinamarquês Knud Harld Likke Gregersen (também conhecido como Lucky Tattoo), que teve sua loja nas proximidades do cais, uma zona de boemia e prostituição da cidade de Santos na época. A localização contribuiu bastante para a disseminação de preconceitos e discriminação da atividade, gerando um estigma de arte marginal que perdurou por décadas.


Knud Harld Likke Gregersen

Hoje em dia, graças a circulação de informação pela televisão e por meios de comunicação como a internet, a tatuagem vem atingindo todas as camadas das populações brasileiras sem distinções.

GLAMOURIZAÇÃO

Desde os anos 1990, as tatuagens se tornaram uma tendência importante para a moda global e ocidental, comum entre ambos os sexos, de todas as classes econômicas e etárias.


Para muitos jovens, a tatuagem assumiu um significado decididamente diferente do que era para as gerações anteriores. A tatuagem tem sofrido uma redefinição dramática, e se deslocou da condição de uma forma de desvio para a condição de uma forma aceitável de expressão.

VIDEO: HELL CITY SCRATCH ART EXPO



Hoje, as pessoas escolhem ser tatuadas por razões artísticas, cosméticas, emocionais, religiosa e mágica, e para simbolizar o seu pertencimento ou identificação com grupos, incluindo organizações criminosas, grupos étnicos ou subculturas estabelecidas.


Durante a primeira década do século 21, a presença das tatuagens na cultura pop tornou-se mais evidente, inspirando programas de TV como ‘Inked’, ‘Miami Ink’ e ‘LA Ink’. Em 2010, 25% dos australianos com idade inferior a 30 anos tinha tatuagens.


As tatuagens da cantora de blues Janis Joplin - uma pulseira e um pequeno coração em seu peito esquerdo – realizadas pelo tatuador de San Francisco Lyle Tuttle, tem sido consideradas um momento fundamental na aceitação popular de tatuagens como arte.


O crescimento da cultura da tatuagem tem incentivado a formação de novos artistas na sua indústria, muitos dos quais com boa técnica e treinamento nas artes visuais. Ao mesmo tempo, o avanço na qualidade de pigmentos e o refinamento contínuo dos equipamentos utilizados, levaram a uma melhoria na qualidade de tatuagens que estão sendo produzidas.

DOCUMENTÁRIO: TATUAGENS - COMO FUNCIONA



O interesse formal na tatuagem como expressão artística, também cresceu de forma mais acentuada na década de 1990. Entusiastas têm se referido à ela como "arte da pele" ou "arte da tatuagem", e para os criadores como "artistas da tatuagem", e para o local de trabalho como "estúdios de tatuagem".


A utilização destes termos tem encontrado um apoio maior nas galerias de arte tradicionais, com a realização de exposições de desenhos para tatuagens, que buscam transformar a visão estereotipada das tatuagens e desafia os mitos sobre a razão das pessoas possuirem tatuagem.

VIDEO: CANVAS L.A. SCRATCH ART EVENT



Exposições de arte contemporânea e instituições de arte visuais têm caracterizado as tatuagens como arte através de exibições de ‘flash tattoo’, examinando as obras de artistas da tatuagem, ou incorporando exemplos de arte corporal em exposições tradicionais.


Os designs autorais da tatuagem produzem desenhos em massa e os enviam para tatuadores conhecidos como "flash", uma instância notável do design industrial. O mostruário com os desenhos (geralmente cartazes) são afixados em muitos estúdios de tatuagem para fornecer inspiração e imagens prontas aos clientes.

TATOO TREND

O vídeo Tattoo Trend, elaborado pela UNIT34 e produzido pela Yodeley, introduz uma das mais importantes mudanças sociais em curso. Partindo da observação do surpreendente crescimento do uso de tatuagens por indivíduos de todos os grupos socio-demográficos, chega-se à importantes conclusões sobre sua relação com as autoridades institucionais e o desenvolvimento pessoal.


O estudo - realizado pelo especialista em Decisões Estratégicas Flavio Ferrari, antigo CEO do Ibobe Media - é baseado em entrevistas com jovens e adultos tatuados, psicólogos e profissionais especializados em comportamento humano, e identifica os elementos fundamentais e as linhas de força que caracterizam a tendência.
A pesquisa revela que tatuagem é símbolo de auto-estima e influencia no espírito empreendedor.

VIDEO: TATTOO TREND




Um comentário:

Anônimo disse...

Mandou bem demais, Parabéns!