03 maio 2008

MORRE AOS 102 ANOS, O PAI DO LSD

Albert Hofmann, o químico suiço, que descobriu o LSD em 1943, morreu dia 29 de abril, de ataque cardíaco na sua casa perto de Basileia, na Suíça, aos 102 anos de idade. O anúncio foi feito no site da Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos e que reeditou o livro de Hofmann em 2005. Sua imagem de Doutor pela Universidade de Zurique, não correspondeu a de alguém que tomou LSD centenas de vezes ao longo da vida, a droga predileta do movimento hippie nos anos 60.

HOFMANN'S POTION - ALBERT HOFMANN LSD DOCUMENTARY



O cientista sempre defendeu o ácido enquanto “medicamento da alma” – não só contra doenças do foro psiquiátrico como a esquizofrenia, mas também para combater a superficialidade humana dos tempos modernos. E acusou os apóstolos da era psicodélica – o mais célebre dos quais foi Timothy Leary, professor de psicologia de Harvard e um dos maiores promotores do abuso do LSD pelos estudantes norte-americanos – de terem arruinado o futuro promissor da droga.
Entre 1947 e 1966, o LSD foi utilizado para tentar tratar o alcoolismo e o autismo e para aliviar o sofrimento dos doentes com cancer terminal. Foi ainda utilizado para tentar perceber as psicoses “a partir de dentro” e administrado cientificamente em centenas de pessoas. A CIA, por seu lado, viu no LSD uma potencial arma química. A festa acabou em 1966, quando a imprensa começou a revelar os casos de jovens que se atiravam pela janela, que se tornavam psicóticos, ou que olhavam para o Sol até ficarem cegos (estima-se que, nesse ano, houvesse quatro milhões de utilizadores norte-americanos). Quando o LSD se tornou ilegal, Leary e outros gurus da geração psicodélica foram presos nos EUA, no meio de um violento debate social. O consumo de LSD continua hoje, embora com menor impacto.
Quanto ao fato de o LSD ter alguma coisa a ver com a sua longevidade, Hofmann desmentiu quando, nas celebrações do seu centenário, na Basiléia, disse que o que o mantinha em forma era o hábito de comer um ovo cru por dia.

TIMOTHY LEARY


Um dos principais defensores do uso do LSD nos anos 60 foi Timothy Leary, Doutor em Psicologia, que lecionou e desenvolveu pesquisas sobre o cérebro e a mente humana em importantes universidades americanas, como Berkeley e Harvard, chegou a ficar conhecido como "guru do LSD”.
Após experimentar o ácido, Tim teve a certeza de ter encontrado o caminho. Ele e o professor Richard Alpert, deram seqüência às pesquisas. Porém, outros professores ficaram intranquilos vendo a droga ser administrada nos estudantes, e exigiram mais supervisão nos experimentos. Muitos estudantes que não puderam participar da pesquisa passaram a obter a droga de outro modo e passaram a usá-las por conta própria. O Departamento de Narcóticos acabou envolvido e a CIA começou a ficar atenta a essas atividades.

TIMOTHY LEARY: HIGH PRIEST OF LSD – USA



A Igreja também não era favorável a qualquer tipo de droga que abrisse a mente, conduzindo a uma visão politeísta do universo. Logo, Tim e Alpert foram convidados a deixar seus cargos em Harvard.
Mas os professores/pesquisadores continuaram a sua pesquisa com drogas psicodélicas em uma imensa mansão-fazenda em Millbrook, não muito distante de Nova Iorque, com recursos próprios. Lá recebiam amigos, conhecidos, artistas, poetas ou qualquer pessoa que quisesse participar das experiências. Os interessados recebiam LSD e podiam usá-lo em qualquer lugar da casa ou da fazenda, no mato, no lago, desde que depois fornecessem um relatório com todos os detalhes.

TIMOTHY LEARY, THE MAN WHO TURNED ON AMERICA



Rapidamente, o local ganhou fama como reduto de orgias sexuais, depravações, etc. Com a grande popularidade de Leary, o governo passou a ser mais rigoroso em sua política anti-droga. Richard Nixon chegou a chamá-lo de "o homem mais perigoso da América". As frequentes batidas policiais sempre acompanhadas de muita violência acabaram com a "era Millbrook".


Em 1966 Tim foi preso em flagrante por porte de droga e condenado a dez anos de detenção por algo que, pelas leis da época, pegaria seis meses de prisão. Em 1970 fugiu da cadeia e foi para a Suíça. Como o governo suíço lhe negou asilo Leary fugiu para o Afeganistão, onde foi preso no aeroporto, extraditado para a América e mandado de volta à prisão em 1972, sendo solto finalmente em 1976.
Nos anos 80, fascinado pelos computadores, Leary criou softwares de design, continuou escrevendo livros e fazendo conferências. Embora o seu tópico principal agora fosse tecnologia, ele ainda era reconhecido como o guru do LSD dos anos 60.
Timothy Leary faleceu em 31 de maio de 1996, aos 75 anos, em sua própria cama, cercado de amigos. Logo em seguida, de acordo com o seu desejo, sua cabeça foi retirada do corpo e congelada...

DOCUMENTÁRIO BBC: TIMOTHY LEARY

Um comentário:

kamala disse...

ESTOU COMPLETAMENTE APAIXONADA PELO SEU BLOG!
PERFEITA ESSA HISTORIA
NOSSA!!!
PARABENS