22 Maio 2012

ARQUITETURA: SOLOMON R. GUGGENHEIM MUSEUMS


Duas cidades de ambos os lados do Oceano Atlântico, e uma fundação determinada a globalizar e impactar a sociedade. Dois arquitetos, cada um criando uma obra-prima para abrigar sua coleção, e milhões de cidadãos expostos a duas das mais inovadoras e importantes obras de arte da arquitetura. Os Museu Solomon R. Guggenheim, em Nova York e Guggenheim Bilbao, na Espanha, transcendem sua finalidade comum de abrigar uma coleção de arte, e se tornam ícones culturais - obras de arte em si.


O design inovador e de ambos os edifícios continuam a inspirar uma vasta gama de emoções, desde os freqüentadores do museu, até os críticos de arte. Ainda hoje, meio século após a abertura do Museu Guggenheim em Nova York, e mais de uma década após a abertura do seu homólogo em Bilbao, estas estruturas são consideradas ousadas declarações arquitetônicas.

FRANK LLOYD WRIGHT E O MUSEU SOLOMON R. GUGGENHEIM, EM NY


Desde a sua criação em 1937, no Upper East Side, a Fundação Solomon R. Guggenheim tem sido uma instituição de destaque para a recolha, preservação e pesquisa da arte moderna e contemporânea. Em sua primeira iniciativa fundou o ‘Museu de Pintura Não-objetiva’, para exibir arte vanguardista de artistas modernos da como Kandinski e Mondrian. Em 1959, já denominado Solomon R. Guggenheim Museum, foi transferido para lugar onde se encontra atualmente (na 5 ª Avenida com a Rua 88, diante do Central Park), quando ficou pronto o edifício desenhado pelo arquiteto Frank Lloyd Wright.

DOCUMENTÁRIO: O MUSEU GUGGENHEIM

História do Museu Guggenheim por superalbertofilho

Naquela época, a intenção de Guggenheim (1861-1949), filho de imigrantes suíços de origem judaica que se estabeleceram nos EUA por volta de 1850, era preservar seu vasto acervo particular, mas não sabia quem eleger como arquiteto para o museu, então pediu ajuda à baronesa Hilla von Rebay. Eles procuravam um arquiteto que pudesse dar-lhes uma nova forma de abrigar e mostrar arte, que criasse um espaço digno e reflexivo para as peças da coleção.


Frank Lloyd Wright, Salomon R. Guggenheim e Hilla von Rebay em 1945

Rebay escolheu Wright porque era o arquiteto mais famoso do momento, reconhecido pela sua visão de futuro, e pela capacidade de satisfazer o custo da obra mantendo a criatividade nos projetos. No verão de 1943, o arquiteto recebeu uma carta da baronesa, que era artista e curadora, pedindo ajuda na concepção de um museu para abrigar a coleção de pinturas ‘non-objective’ do empresário e colecionador Solomon R. Guggenheim.


O Museu Solomon R. Guggenheim é um marco histórico nacional e um ícone cultural - uma obra de arte por direito próprio, que proporciona a experiência das grandes obras de arte. Em outros museus, é tudo sobre a arte, mas nele a história é o edifício também.
O audacioso projeto foi último trabalho importante e a primeira construção de Wright na cidade de Nova York. Demorou mais de quinze anos e 700 esboços para a concepção do edifício. Infelizmente nem Solomon Guggenheim, nem Wright viveram para vê-lo aberto - dez anos após a morte do fundador e seis meses depois da morte do arquiteto, o Museu Guggenheim abriu suas portas e recebeu os visitantes pela primeira vez. As formas pouco convencionais da obra provocaram muitas críticas.


A ideia central por trás do projeto é a de um espaço da galeria em espiral. Isto foi conseguido em pouco mais de seis lances de rampas e paredes inclinadas. A espiral cria uma verticalização forte que flui suavemente para cima até chegar ao topo, que Wright deixou aberto para abrigar uma claraboia acima do átrio, oferecendo a principal fonte de luz em toda a galeria.


A fim de reforçar o efeito da iluminação Wright projetou a espiral de tal forma que mesmo os andares inferiores captam a iluminação da claraboia, enquanto a iluminação focal é embutida em tetos e paredes. Wright esperava que isso criasse um espaço mais intimista e pessoal para o espectador. A ideia de movimento e fluidez foi primordial na concepção do arquiteto. "Uma cadeira de rodas pode ir para cima e para baixo. Não para em nenhum lugar...”.

DOCUMENTÁRIO: PEGGY GUGGENHEIM CREATION

Peggy Guggenheim por superalbertofilho

Enquanto Solomon adquiria suas peças nos EUA, sua sobrinha Peggy fazia o mesmo na Europa, buscando muitas das obras que hoje estão expostas no museu. Em 1980, Peggy deu o primeiro impulso para a manutenção do acervo da família fundando o museu ‘Peggy Guggenheim Collection’, em Veneza, cuja coleção foi avaliada em mais de US$ 40 milhões.


De 1983 a 1992 o Museu Guggenheim de NY fez uma ampliação com uma torre retangular mais alta que a espiral original, que gerou uma forte controvérsia.
Um anexo de nove andares e quase 20 mil metros quadrados foi erguido por Charles Gwathney e Robert Siegel atrás do edifício original. A ampliação custou aos cofres da fundação do museu cerca de U$ 60 milhões e dois anos de portas fechadas ao público.

VIDEO: CONHEÇA OS MUSEUS DO SoHo

Museus do SoHo por superalbertofilho

A revitalização do Guggenheim deu-se em várias direções. Ainda no mesmo ano, foi construída uma sucursal da instituição no SOHO, um dos bairros mais badalados de Manhattan. Após uma reforma confiada à prancheta do japonês Arata Isozaki, os seis andares de um prédio antigo de tijolo aparente, típico da região, se transformaram no amplo cenário das mais contemporâneas mostras e expressões artísticas.

FRANK GEHRY E O MUSEU GUGGENHEIM BILBAO, NA ESPANHA

Outro braço da fundação cultural foi inaugurado em Bilbao, no país basco. Em vidro, pedra e titânio, foi construído um prédio com 22 mil metros quadrados, dos quais 10 mil metros destinados às exposições, um quinto da área útil do museu do Louvre, o maior do mundo. Escolhido por concurso, o projeto do norte-americano Frank Gehry concilia ousadia com funcionalidade.


Com base em muitas das mesmas idéias defendidas por Wright para o museu de Nova York (movimento e fluidez), o Museu Guggenheim Bilbao, desenhado pelo arquiteto canadense naturalizado norte-americano Frank O. Gehry, se contorce descontroladamente ao longo da margem industrial do Rio Nervión, no antigo porto da cidade de Bilbao, região basca da Espanha.
O museu foi encomendado pela cidade como parte de um esforço para revitalizar Bilbao, atrair mais pessoas e o comércio. As autoridades da cidade foram até o diretor da Fundação Guggenheim, Thomas Krens, e propuseram colocar um novo museu no centro de Bibao.


A primeira idéia da Fundação Guggenheim para a implantação do museu consistia na adaptação de um antigo armazém de vinho, conhecido como o Alhondiga - com 28 000 m2, construído no princípio do século -, mas logo ficou evidente que as restrições físicas da arquitetura dos prédios originais nunca iriam permitir uma transição suave para um museu moderno. Fez-se necessário, então, a compra de um terreno industrial junto ao rio e a ponte de La Seve.


O Comitê Executivo da Fundação Guggenheim conferiu à Krens, a tarefa de escolher três arquitetos que concorreriam pela honra de desenhar o novo museu. Em 1992 foi aberto concurso de arquitetura com três equipes: uma européia, a vienense Coop Himmelblau, uma americana, coordenada por Frank Gehry e uma asiática, liderada pelo japonês Arata Isozaki.

DOCUMENTÁRIO: A ARQUITETURA DE FRANK O GARY - O BILBAO GUGGENHEIM MUSEUM

Frank O Gehry - Bilbao Guggenheim Museum por superalbertofilho

A intenção fundamental da Fundação era que o edifício transmitisse uma forte identidade icônica para atrair, pelas suas qualidades arquitetônicas, um público específico, tal como se verificava com o museu nova-iorquino, desenhado por Frank Lloyd Wright. A partir deste pressuposto, o júri escolheu a proposta de Frank Gehry, caracterizada pela forma escultórica, por materiais de revestimento brilhantes e pela integração orgânica com a paisagem.

VIDEO: OS ESBOÇOS DE FRANK GEHRY

Os esboços de Frank Gehry por superalbertofilho

O Para ser aceito pela comissão de design Gehry teve de incorporar elementos já existentes na cidade, de tal forma que o novo Guggenheim pudesse refletir e ampliar o esplendor do espaço industrial da cidade. Nesta obra de Gehry, o Guggenheim culmina uma série de pesquisas formais no sentido de criar uma linguagem escultórica, fragmentária e curvilínea. Estas formas distorcidas recordam as formas de concha do teatro da Ópera de Sydney, de Jorn Utzon, e o projeto do próprio Gehry para o Museu Frederich R. Weisman em Mineápolis.




Gehry se inspirou em muitos de seus desenhos antigos e na melhoria de todas as inovações que ele havia feito ao longo dos anos, incluindo as linhas curvas, ao invés de simples ângulos de 90 graus, e o conceito de um grupo de formas, em que um único prédio foi desconstruído em muitos pedaços pequenos e, em seguida, ligado com um elemento unificador.


No caso do Guggenheim Bilbao, este elemento consistiu em um átrio de vidro com 50 metros de altura, de onde elevadores de vidro e passagens de metal levam a 19 salas de exibição - incluindo a maior galeria do mundo, com 130 metros de comprimento e 30 metros de largura -, e o revestimento de titânio que cobre todo o museu.


As placas de titânio, com apenas 1 / 3 de milímetro de espessura, acrescentam a sensação de que o prédio está em constante movimento, uma vez que tem jogo suficiente para se mover com o vento. Ao mesmo tempo, o museu parece acompanhar as mudanças da natureza com os reflexos da luz sobre o titânio, que o transformam em tons de cinza nos dias fechados, em dourados no por do sol ou em azuis que refletem o dia claro e o rio. Para um escritor espanhol, o brilho e a luz do titânio fazem dele um "meteorito".
Os admiradores comparam o museu a um barco com as velas enfunadas e a uma nave espacial de Alfa Centauro - destacando a aparência futurística do museu.


Os trabalhos de arte exibidos no museu de Bilbao vêm do Museu Solomon R. Guggenheim de Nova York e do governo basco. As peças variam do abstrato expressionista ao cubista e geométrico, e incluem muitos nomes famosos da arte do século 20: Kandinsky, Picasso, Pollock, De Kooning.

DEPOIMENTOS: CONSTRUINDO UM SONHO

Museo Guggenheim Bilbao: Construindo um Sonho por superalbertofilho

As galerias do andar térreo abrigam trabalhos artesanais e instalações de larga escala, e algumas peças foram feitas especialmente para caber em suas salas de exibição, entre elas a Serpente, de Richard Serra, que quando enquadradas são ‘site specifics’ que interagem com o museu até no seu processo de elaboração. Para viabilizar a construção em Bilbao, na década de 90, Gehry criou um escritório de cálculos estruturais que, a partir de um programa para projetos aeronáuticos, desenvolveu um software específico para arquitetura. Serra, por sua vez, teve suporte deste mesmo escritório de engenharia. Posteriormente, a obra foi executada em aço numa fundição que mantém convênio com o artista. Mesmo assim, o museu em si continua sendo a atração principal.

DOCUMENTÁRIO: RICHARD SERRA NO GUGGENHEIM BILBAO

Montagem de 'The Matter of Time' no Guggenheim... por superalbertofilho

O mundialmente famoso arquiteto Philip Johnson chamou o Museu Guggenheim em Bilbao de "o prédio mais incrível da atualidade". Ele é "um milagre", disse o "The New York Times". Com certeza poucos prédios na história foram tão elogiados ou mudaram tanto uma cidade como o museu de Frank Gehry na margem industrial do rio de Bilbao.
Os trabalhos de construção foram iniciados em 22 de Outubro de 1993, e o museu foi inaugurado em 19 de Outubro de 1997. O edifício implanta-se num terreno de 32 700 m2 e tem 28 000 m2 de área construída. Para além dos espaços expositivos contém um auditório, biblioteca, oficinas, livraria e loja, restaurante e cafeteria.
O museu, por sua estrutura e arquitetura exuberantes, transformou-se desde sua inauguração em um grande atrativo turístico europeu.

DOCUMENTÁRIO: CONEXÕES DA ENGENHARIA - GUGGENHEIM BILBAO

Conexões da Engenharia: Guggenheim Bilbao por superalbertofilho

15 Maio 2012

CONQUEST KNIGHT XV: VEÍCULO DE LUXO MAIS CARO DO MUNDO É UM BLINDADO CIVIL


O Conquest Knight XV é um veículo blindado que, ao contrário a maioria dos veículos que são adaptados pós-venda, é blindado na fábrica - a partir do zero - usando materiais de primeira qualidade.
Fabricado artesanalmente pela marca canadense ‘Conquest’, o utilitário de luxo dispõe de equipamentos incomuns para quem deseja uma proteção extrema - em caso de um ataque ou de guerra.


Com a sua dimensão distinta, características extraordinárias de segurança e interior ultra-luxuoso, o Knight XV proporciona uma das experiências mais originais em veículo privado no mercado de SUVs. Foi uma das atrações do filme "Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio".


Destinado a autoridades, empresários e celebridades, o veículo foi desenvolvido para garantir o maior conforto e segurança possíveis. A mecânica do blindado utiliza a plataforma do Ford F-550 e um motor Ford V10 de 6,8 litros - bicombustível, com 405 cavalos. Esta configuração garante alguma agilidade ao movimentar as seis toneladas de peso em quase 7 metros de comprimento. O SUV ainda conta com tração integral, caixa manual de cinco velocidades e um tanque para 263 litros de combustível.

VIDEO: CONQUEST KNIGHT XV ON ‘WORLD'S MOST EXPENSIVE RIDES’

Conquest Knight XV on the World's Most Expensive... por superalbertofilho

Baseado nos conceitos e desenhos dos veículos militares norte-americanos, como o Gurkha, o Knight XV oferece, na sua configuração civil, blindagem com vidros de 64 mm de espessura, capazes de suportar tiros de metralhadora, além de materiais como kevlar, aço de alta resistência e alumínio balístico. Os pneus são especiais, podendo suportar tiros e continuar operando por alguns quilômetros.


Outros recursos de segurança incluem câmeras térmicas na frente e atrás, e um sistema de circulação interna de oxigênio contra gases nocivos. Existe ainda a possibilidade de o veículo ser equipado com um gerador para cortina de fumaça, entre as inúmeras opções de upgrade para a segurança, assim como para o interior e o exterior do veículo.

VÍDEO: CONQUEST KNIGHT XV ON DISCOVERY CHANNEL

Conquest Knight XV on Discovery Channel por superalbertofilho

Os Testes de penetração balística na blindagem - transparências e compostos - estão de acordo com o controle de qualidade do H.P. White Ballistic Laboratory Inc.. Os disparos são realizados a uma distância de 5 metros, e toda a munição utilizada é previamente pesada na fábrica. Depois bala é acionada eletronicamente para garantir o cumprimento das normas requeridas. Após resultados satisfatórios, é emitido um certificado de qualidade para cada parte testada. Todo o material blindado do veículo é gravado e rastreável pela empresa.


No interior, luxo e sofisticação contrastam com o exterior de aparência belicosa, incluindo revestimentos em couro, muito espaço, estofamento de qualidade e uma central de entretenimento com monitores de LED nos encostos de cabeça, leitor de DVD Alpine, TV e Xbox 360.


Os custos de produção do carro são tão altos, que apenas 100 unidades serão produzidas. São cerca de 4.000 horas de trabalho artesanal, com a precisão e atenção aos detalhes que se pode esperar de um veículo deste calibre. Caso a resposta do mercado seja boa, a Conquest estuda produzi-lo em série. O preço da versão regular gira em torno de R$ 1.150 milhão.


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05 Maio 2012

TRANSHUMANISMO E SINGULARIDADE TECNOLÓGICA

“Ao longo das últimas décadas, um curioso movimento de liberação vem crescendo no mundo desenvolvido. Seus cruzados pretendem nada menos do que libertar a raça humana de seus limites biológicos. Para os ‘transhumanistas’, os seres humanos precisam assumir o controle de seu destino biológico, desvinculá-lo do cego processo evolutivo de variação aleatória e adaptação, e assim inaugurar uma nova era como espécie.” (Francis Fukuyama, professor de economia e política internacional na Universidade Johns Hopkins e autor de State-Building)

TRANSHUMANISMO


Historicamente, a humanidade vem produzindo conhecimento e técnica para atender seus interesses e necessidades: ferramentas para o trabalho e armas para a defesa e a caça. Domesticaram animais, aprenderam a plantar e criaram máquinas. Formaram crenças e mitos para dar significado e sentido à existência. As artes se expressaram sobre todos os tipos de suporte, das rochas à própria pele. A linguagem se instaurou como ciência, filosofia, literatura e poesia. Os corpos se moveram em emoção, sentimento e afetividade. Criamos cultura em todos os domínios da nossa expressão.

O espaço entre a descoberta de um procedimento e outro era de milhares de anos. Com o passar dos anos, este tempo vem caindo drasticamente e o homem realiza, cada vez mais, descobertas para o seu bem-estar. Mas em nenhuma época os filósofos, cientistas da computação, neurocientistas, nanotecnólogos, pesquisadores em desenvolvimento tecnológico e artistas, anunciam a obsolescência do corpo humano com tanta convicção como atualmente.

VIDEO: ‘OS AVANÇOS DA CIÊNCIA’ - PROGRAMA MATÉRIA DE CAPA

Os Avanços da Ciência por superalbertofilho

Recentemente, com o avanço técnico permitindo modificações cada vez mais profundas, o desejo de transcender as capacidades humanas tem se tornado passível de realização. As ideias ligadas a esse desejo estão em crescente sistematização e evolução.
Desde o final do século passado, um novo movimento intelectual e cultural começou a se delinear: é o ‘Transhumanismo’ (também simbolizado por >H ou H+). Ele defende o uso da ciência e da tecnologia - especialmente da biotecnologia, da neurotecnologia e da nanotecnologia - para aumentar a inteligência, a longevidade e o bem-estar da humanidade. O cume desse processo ocorreu em 1998, quando os filósofos Nick Bostrom e David Pearce fundaram a Associação Mundial Transhumanista.

VÍDEO: ‘TRANSHUMANISMO’

Transhumanismo por superalbertofilho

Os transhumanistas consideram que as deficiências físicas e mentais, o sofrimento, a doença, o envelhecimento e a morte involuntária, são desnecessários e indesejáveis. Eles compartilham o entendimento de que a evolução dos seres humanos não deve continuar entregue (a não ser por aqueles que assim o desejarem) a um processo natural de mutações. Ao contrário: os próprios humanos devem interferir, buscando o melhor caminho possível, na sua própria evolução.
Com as faculdades físicas e cognitivas melhoradas, seus pesquisadores esperam aumentar o bem-estar da humanidade com a eliminação da pobreza e do sofrimento, a cura das deficiências físicas e mentais, o aumento da inteligência, e o prolongamento indefinido do tempo de vida do ser humano, visando a imortalidade, a criação da inteligência artificial e a exploração do universo.
Uma grande parte do transhumanismo discute tecnologias específicas, do presente e do futuro, buscando entender as suas implicações para a sociedade. Entre os avanços futuros se destacam, em termos de importância, a nanotecnologia e a inteligência artificial.

VÍDEO: ‘NANOTECNOLOGIA’ - PROGRAMA MATÉRIA DE CAPA

Nanotecnologia por superalbertofilho

Nanotecnologia é o projeto e a manufatura de aparelhos de precisão em escala-atômica. Utilizando montadores (“assemblers”) - máquinas moleculares que podem dispor átomos em quase todos os arranjos compatíveis com as leis da física -, será possível fazer reparos nas células, colonizar o espaço em larga-escala, produzir qualquer produto agrícola por um baixo custo, e construir chips do tamanho de um grão de areia - um milhão de vezes mais poderosos que um cérebro humano. Hoje um campo de pesquisa que cresce rapidamente é o desenvolvimento de tecnologias para tornar a nanotecnologia disponível.

VÍDEO: ‘A REVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA’ - VISÕES DO FUTURO

A Revolução da Inteligência por superalbertofilho

Superinteligência significa uma inteligência que ultrapassa a dos humanos em praticamente todas as faculdades mentais, incluindo criatividade científica e artística, sabedoria geral e aptidões sociais. Muitos transhumanistas acreditam que a superinteligência e a inteligência artificial de nível humano sejam desenvolvidas no primeiro terço do próximo século. Uma razão para esta previsão é que dada a nanotecnologia molecular, faltaria pouco tempo para que a superinteligência fosse construída. Ainda, a Neurociência pode fornecer a informação necessária para replicar, em um computador (suficientemente rápido), os princípios básicos subjacentes a uma rede neural cortical humana.


Na perspectiva da inteligência artificial, da nanotecnologia e do ciberespaço, imaginada por parte de cientistas, engenheiros, filósofos e artistas, o objetivo é transportar nosso espírito para uma máquina superior. "Escanear" nosso espírito para um corpo-máquina sofisticado e capaz de ser mais competente e fiável que nosso corpo biológico.
Para Hans Moravec, especialista em robótica, o desenvolvimento da máquina é precisamente a salvação da humanidade:

“Somos infortunados híbridos, em parte biológicos, em parte culturais: muitos traços naturais não correspondem às invenções de nosso espírito. Nosso espírito e nossos genes talvez compartilhem objetivos comuns ao longo de nossa vida. Mas o tempo e a energia dedicados à aquisição, ao desenvolvimento e à difusão das idéias contrastam com os esforços dedicados à manutenção de nossos corpos e à produção de uma nova geração.” (Moravec).

VÍDEO: ‘EYEBORG’, O DOCUMENTÁRIO

Eyeborg, o Documentário por superalbertofilho

OUTRAS TECNOLOGIAS

Outras tecnologias presentes e futuras para o pensamento transhumanista, que são muito discutidas, são a engenharia genética, drogas psicoativas clínicas (para melhorar a performance cognitiva em adultos saudáveis), tecnologia de informação, interfaces cérebro-máquina, criogenia, tecnologia espacial e muitas outras.

VÍDEO: ‘A REVOLUÇÃO DA BIOTECNOLOGIA’

A Revolução da Biotecnologia por superalbertofilho

O princípio básico do transhumanismo – o de que um dia usaremos a biotecnologia para nos tornar mais fortes, mais inteligentes, menos violentos, assim como para ampliar nossa vida – já está implícito em grande parte do programa de pesquisas da biomedicina contemporânea. Novos procedimentos e tecnologias que estão surgindo em laboratórios de pesquisa e hospitais – como medicamentos que alteram o humor, substâncias que aumentam a massa muscular ou apagam seletivamente as memórias, exames genéticos pré-natais e terapia genética – podem ser facilmente empregados tanto para "aperfeiçoar" a espécie como para aliviar ou curar doenças.

VÍDEO: ‘CURA MILAGROSA: A DÉCADA DO GENOMA HUMANO’ - BBC

Cura Milagrosa: A Década do Genoma Humano por superalbertofilho

CONTRAPONTO

Melhorar a condição humana de uma maneira fundamental significa, em parte, melhorar um trabalho já realizado pela evolução biológica. Embora os rápidos avanços no campo da biotecnologia muitas vezes nos deixem vagamente perturbados, a ameaça intelectual ou moral que representam nem sempre é fácil de identificar. A aparente sensatez do projeto, sobretudo quando se imagina sua implementação paulatina, é parte de seu perigo. É improvável que a sociedade caia de repente sob o fascínio da concepção de mundo transhumanista. No entanto, é possível que comecemos a experimentar as ‘pequenas e tentadoras’ mostras iniciais oferecidas pela biotecnologia, sem nos darmos conta de seu custo moral.

VIDEO: ‘CIENTISTAS PROCURAM A CURA DO ENVELHECIMENTO’ - TED

Cientistas de Halcyon Molecular procuram a cura... por superalbertofilho

Além disso, para Francis Fukuyama - professor de economia e política internacional na
Universidade Johns Hopkins e autor de ‘State-Building’ - a primeira vítima do transhumanismo talvez seja a igualdade. E apresenta as seguintes questões: Se começamos a nos transformar em algo superior, em que medida os direitos reivindicados pelas criaturas aperfeiçoadas serão diferentes dos direitos daqueles que ficaram para trás? Se alguns evoluírem, poderão outros se dar ao luxo de não imitá-los? E ainda considera que, quando levamos em conta suas implicações para os cidadãos de países mais pobres – para os quais as maravilhas da biotecnologia provavelmente serão inacessíveis –, os riscos para a ideia de igualdade tornam-se ainda mais alarmantes.

VÍDEO: FRANCIS FUKUYAMA

As Origens da Ordem Política, por Francis Fukuyama por superalbertofilho

COMUNIDADE COGNITIVA

Outro campo do transhumanismo é constituído por tentativas de melhorar o funcionamento da sociedade como uma comunidade cognitiva.
Atualmente é muito difícil avaliar o risco de a tecnologia criar um mundo tão radicalmente diferente do nosso, que não possamos mais reconhecer nele nenhum dos nossos valores humanos. Esse risco se torna mais provável na mesma proporção em que o cidadão médio é omitido do debate sobre novas tecnologias.
Neste sentido, torna-se necessária uma intensa participação da população neste debate, de modo que nossas escolhas sobre o assunto reflitam nossos valores. É possível projetar instituições que vão aprimorar a eficiência das comunidades acadêmicas e de outros estabelecimentos de ensino; podemos criar aplicações de tecnologia da informação que ajudem a compilar o conhecimento ou auxiliem a distribuição de ideias valiosas.

VIDEO: FAÇAMOS A REVOLUÇÃO DA APRENDIZAGEM - TED

Façamos a Revolução da Aprendizagem, por Sir Ken... por superalbertofilho

Para que possamos escolher quais usos da tecnologia aceitamos como benéficos ou maléficos devemos tomar conhecimento desses usos. Omitir uma escolha a esse respeito não irá impedir que as novas tecnologias mudem, radicalmente, nosso modo vida. Irá apenas deixar essa escolha nas mãos de quem se dispuser a refletir sobre o assunto. Além disso, realizar uma escolha na ausência de informações pode ser ainda mais maléfico que a omissão. Por isso, o Transhumanismo prega o envolvimento dos cidadãos no debate e a disseminação de informação a respeito.
Hoje existem várias organizações e instituições que pretendem participar ativamente e/ou promovem estudos acerca do transhumanismo, assim como da singularidade tecnológica. Entre elas podemos destacar:

O Singularity Institute for Artificial Intelligence promove a pesquisa na área da inteligência artificial e seus benefícios, e prega que a singularidade tecnológica pode ser totalmente benéfica.

A Acceleration Studies Foundation realiza estudos sobre a aceleração do progresso científico e tecnológico e da aceleração das mudanças sociais, políticas, culturais e econômicas de nossa sociedade.

A Associação Transhumanista Mundial, fundada em 1998 pelo filósofo sueco Nick Bostrom, diretor do Instituto do Futuro da Humanidade, criado na Faculdade de Filosofia de Oxford, encabeça inúmeras delegações em todo o mundo, mas é especifica do Ocidente industrializado. Os movimentos transumanistas pretendem o nascimento de um mundo sem limitações, rejeitando o que a natureza nos impõe.

A Singularity University, com base no programa espacial do Ames Campus, nos E.U.A., concebeu seu curso com o intuito de estudar a forma de utilizar a tecnologia de ponta para resolver problemas globais como a pobreza, a fome, as doenças, o aquecimento global e redução do abastecimento energético.

Os transhumanistas auto-declarados encontram-se espalhados pelo mundo, representando um grupo de mais de 10.000 pessoas, com uma rede social de aproximadamente US$3bilhões. O país com o maior número de adeptos são os EUA, com destaque para a Califórnia, concentrando empresas e instuições de pesquisa que se encontram na fronteira da ciência. Foi na Universidade da Califórnia em Los Angeles, na década de 80, onde se reuniram os primeiros transhumanistas auto-declarados. Na mesma Califórnia, em 2009, foi fundada a Singularity University.

SINGULARIDADE TECNOLÓGICA

Singularidade tecnológica é a denominação dada a um evento histórico previsto para o futuro, no qual a humanidade atravessará um estágio de imenso avanço tecnológico em um espaço de tempo muito curto. Baseando-se em avanços nas áreas da informática, inteligência artificial, medicina, astronomia, nanotecnologia, genética e biotecnologia, muitos estudiosos acreditam que nas próximas décadas a humanidade irá atravessar a singularidade tecnológica e é impossível prever o que acontecerá depois deste período.

VIDEO: O QUE É A ‘SINGULARIDADE TECNOLÓGICA’

O que é a Singularidade por superalbertofilho

A aceleração do progresso científico e tecnológico tornou-se, nos últimos 300 anos, a característica mais marcante da história da humanidade. Mudanças políticas e econômicas, profundas, no mundo todo, se fazem mais notáveis nos últimos 30 anos com a explosão da era digital e do capitalismo financeiro.

O que uma análise cuidadosa do desenvolvimento tecnológico mostra é que o progresso técnico segue crescendo num ritmo exponencial - ou seja, o número de descobertas num período é igual ao de descobertas do período anterior multiplicado por ele mesmo uma certa quantidade de vezes - o progresso acelerado se deve à aplicação constante das antigas descobertas no processo de descoberta das novas invenções. O crescimento exponencial tecnológico, entretanto, representa um grande desafio à humanidade.

VIDEO: A SINGULARIDADE ESTÁ PRÓXIMA, POR RAYMOND KURZWEI

A Singularidade está próxima, por Raymond Kurzwei por superalbertofilho

Ainda não existe consenso sobre quais seriam os agentes responsáveis pela singularidade tecnológica, alguns acreditam que ela decorrerá naturalmente, como conseqüência dos acelerados avanços científicos. Outros acreditam que o surgimento iminente de supercomputadores dotados da chamada superinteligência será a base de tais avanços - argumenta-se em favor disso que somente com uma inteligência superior a humana poderíamos ter avanços científicos e tecnológicos tão rápidos e importantes.

Há também quem acredite na integração homem-computador para o surgimento da superinteligência, mas a tecnologia necessária para tal pode estar mais distante de ser alcançada do que a inteligência artificial.
Vários cientistas, entre eles Vernor Vinge e Raymond Kurzweil, e também alguns filósofos afirmam que a singularidade tecnológica é um evento histórico de importância semelhante ao aparecimento da inteligência humana na Terra. Outros afirmam que a singularidade tecnológica é na verdade a quarta revolução industrial.

VIDEO: ‘O FUTURO DA HUMANIDADE’

O Futuro da Humanidade por superalbertofilho

Para fazer uma estimativa precisa de quando exatamente a inteligência artificial conseguirá alcançar níveis superiores a inteligência humana muitos índices tem sido usados e comparados. Entre esses índices estão a lei de Moore - em vigor há mais de 30 anos, segundo a qual a cada 18 meses a capacidade de processamento dos computadores dobra, enquanto os custos permanecem constantes -, assim como o número crescente de publicações científicas anuais, de patentes registradas e a crescente concorrência econômica e industrial global.
A maior parte daqueles que pesquisam ou discutem a singularidade tecnológica acreditam que ela possa ocorrer entre os anos de 2025 e 2070, embora seja possível que demore mais ou que, simplesmente, não ocorra.

A SINGULARITY UNIVERSITY

O Vale do Silício, região dos Estados Unidos que concentra empresas de alta tecnologia, inaugurou, em 2009, a Singularity University (Universidade da Singularidade). Na ocasião, a instituição aceitou 30 alunos na sua primeira turma, e aumentou este número para 120 no ano seguinte.
Seu objetivo é ensinar a identificar os grandes desafios da humanidade. Segundo o escritor e cientista Raymond Kurzweil, "a Universidade da Singularidade está preparada para receber os líderes que criarão um criativo e único mundo do futuro".
O Google e a NASA, juntas, resolveram apoiar o colégio, que ensina os alunos a lidar com um mundo onde a tecnologia pode tornar-se mais esperta do que os seres humanos.

VIDEO: CONHEÇA O CURSO DA SINGULARITY UNIVERSITY

Conheça o Curso da Singularity University por superalbertofilho

A Singularity University tem a sua base no programa espacial do Ames Campus -
Centro de Pesquisa Ames, da NASA, em Moffett Field, na Califórnia, a poucos quilômetros da sede do Google e de outras gigantes do setor.
Seu chanceler é o controverso futurista Raymond Kurzweil. O nome do centro faz referência ao livro do cientista - "The Singularity Is Near" ("A singularidade está próxima", em tradução livre), no qual sugere que os avanços em tecnologia modificarão a vida humana até limites nunca antes imaginados.
Seu colega neste projeto, Peter Diamandis, é um empresário espacial e presidente da X Prize Foundation, uma ONG que organiza anualmente concursos em diferentes áreas para premiar avanços que contribuam para bem da humanidade.

VÍDEO: ‘SINGULARITY UNIVERSITY, A UNIVERSIDADE QUE CRIA O FUTURO’

Singularity, a Universidade que cria o Futuro por superalbertofilho

Apesar do nome, o Colégio não é realmente uma Universidade, mas oferece nove semanas de cursos no intuito de assegurar uma tecnologia para melhorar a situação da humanidade, em vez de prejudicá-la.
Os cursos foram concebidos para ver como os alunos podem usar a tecnologia de forma a resolver problemas mundiais como a pobreza, a fome, as doenças, o aquecimento global e redução do abastecimento energético. Entre as matérias disponíveis estão biotecnologia e bioinformática, nanotecnologia, robótica, inteligência artificial, computação cognitiva, ciências físicas e espaciais, assim como direito, finanças, política e ética.
A universidade oferece também, cursos mais curtos - de três e dez dias, dirigidos a diretores e executivos, para "ajudar a determinar como estas tecnologias podem transformar suas empresas em cinco ou dez anos".
Mas, além de competitivo, o acesso à universidade não é barato. O programa principal de nove semanas custa, em média, US$ 25 mil para cada aluno.

CONTRAPONTO

PERIGOS POTENCIAIS

Existe atualmente uma complexa discussão sobre os perigos que a singularidade tecnológica poderá trazer à humanidade. Segundo muitos estudiosos, um intelecto artificial muito superior aos melhores cérebros humanos em praticamente todas as áreas, incluindo criatividade científica, sabedoria geral e habilidade social, não teria porque estar submisso a nós.

VIDEO: ‘OS NOVOS ROBOS’

Os novos Robos por superalbertofilho

Tradicionalmente argumenta-se que os homens jamais iriam entregar o poder às máquinas ou dar-lhes a capacidade de tomá-lo de nós, mas as coisas podem se suceder de forma diferente, já que o grau de dependência do homem aumentará paulatinamente até chegar a um ponto em que não restem alternativas senão a de aceitar as decisões tomadas pelas máquinas. Isso pode levar a um estágio em que a nossa dependência em relação às máquinas se transforme no domínio pacífico delas sobre nós, o que não descarta a possibilidade de um domínio agressivo.


Numa linha de raciocínio alternativa, o matemático, escritor e ativista político Theodore Kaczynski, conhecido como o terrorista Unabomber, publicou um manifesto – “A Sociedade Industrial e seu Futuro” - sobre a possibilidade das classes superiores da sociedade se utilizarem da tecnologia para simplesmente eliminar as massas inferiores. Kaczynski é radicalmente contra o avanço tecnológico da forma como ele está acontecendo. Os artigos de Kaczynski foram incluídos em um livro de Raymond Kurzweil.

BAIXE O PDF DO MANIFESTO “A SOCIEDADE INDUSTRIAL E SEU FUTURO”, EM PORTUGUÊS, CLICANDO AQUI

Outros perigos mais amenos dizem respeito a exclusão digital e social e ao impacto da singularidade tecnológica sobre a economia internacional, especialmente sobre os países pobres e emergentes. Há ainda questões éticas, que não representam perigos potenciais, mas que também não podem ser ignoradas.

RISCOS CATASTRÓFICOS

O mais conhecido risco que o desenvolvimento tecnológico pode trazer, sem dúvida, é o risco de guerra nuclear. Tal evento poderia deixar a luz do sol bloqueada por dois anos, provocando uma extinção em massa da maioria das espécies - incluindo a nossa.

VIDEO: EXPLOSÃO ATÔMICA

Explosão Atômica por superalbertofilho

A Biotecnologia também se mostra um risco crescente. Com ela é possível construir uma arma biológica. Os riscos associados à Biotecnologia são de difícil controle uma vez que a área está em constante desenvolvimento e os métodos de produção sintética de agentes infectantes estão se tornando cada vez mais acessíveis e simples.

VIDEO: O FUTURO DA BIOLOGIA SINTÉTICA, POR ANDREW HESSEL (SINGULARITY UNIVERSITY)

O Futuro da Biologia Sintética por superalbertofilho

A criação de uma inteligência artificial mais inteligente que a humana com uma relativa independência também está sujeita a riscos. Existem, provavelmente, mais de um trilhão de organizações estruturais possíveis que constituiriam uma inteligência artificial. Somente uma minoria dessas organizações tem a propriedade de serem benéficas aos seres humanos.


Por último, a Nanotecnologia, que por muito tempo foi temida, pois se acreditava que a construção de uma máquina autorreplicadora que engolisse a Terra fosse de uma probabilidade grande. Hoje se sabe que, apesar de possível, esse cenário é improvável. Ainda assim, o poder de destruição associado à Nanotecnologia será extremamente maior que o nuclear.

21 Abril 2012

‘O GRITO’ DE EDVARD MUNCH VAI A LEILÃO


A Sotheby’s vai leiloar, no próximo dia 2 de maio em Nova Iorque, uma das quatro versões da obra-mestra de Edvard Munch, ‘O Grito’ - a única que se mantém em mãos privadas. As outras três se encontram em museus noruegueses.

VIDEO - SOTHEBY’S HIGHLIGHT: ‘O GRITO’ DE EDVARD MUNCH


Sotheby's: 'O grito' de Edvard Munch por superalbertofilho

Nesta versão - um trabalho a pastel que data de 1895 -, as cores são mais fortes do que nas outras três versões, comenta Simon Shaw, vice-presidente do Departamento de Arte Impressionista e Moderna da Sotheby’s em Nova Iorque. E é a única em que a moldura foi pintada pelo artista com o poema que descreve uma caminhada ao pôr-do-sol que inspirou a pintura. Outra particularidade única desta versão é que uma das figuras que está em segundo plano olha para baixo, para a cidade.


A obra pertence ao empresário norueguês Petter Olsen, cujo pai Thomas foi amigo, vizinho e patrono de Munch, e adquiriu inúmeros quadros ao artista. Com o que for arrecadado na venda, Olsen pretende construir um novo museu, um centro de arte e um hotel na quinta Petter Olsen, que fica em Hvitsten, na Noruega. O museu “vai abrir no próximo ano fazendo ligação com o 150º aniversário de Munch, e vai ser dedicado ao trabalho e ao tempo em que o artista esteve ali”, adianta Olsen.

DOCUMENTÁRIO DA BBC - 'O GRITO' DE EDVARD MUNCH – em espanhol


Doc BBC: 'O Grito' de Edvard Munch (Espanhol) por superalbertofilho

O quadro pode ser visto, em Londres, desde sexta-feira, 13 de abril, na sede da casa de leilões. Em Nova Iorque, a obra estará em exibição a partir de 27 de abril.
“’O Grito’ de Munch é uma imagem que define a modernidade e é um imenso privilégio ter a oportunidade de levar a leilão uma das obras mais importantes em mãos privadas”, comenta Simon Shaw. E classificou ‘O Grito' como uma das imagens mais reconhecíveis do Mundo, mais reproduzida que a ‘Mona Lisa' de Leonardo Da Vinci.

VIDEO SOTHEBY’S: CONVERSANDO COM SIMON SHAW E ADAM GOPNIK


Sotheby's: conversando com Simon Shaw por superalbertofilho

O especialista também salienta a dificuldade na hora de estimar o preço de venda da obra no mercado, ainda que alguns especialistas considerem que poderia ultrapassar os 70 milhões de euros. "Como são raros leilões de ícones de arte desse tipo, é difícil prever o valor de 'O Grito'", disse Simon Shaw, à ‘Reuters'.
Se as perspetivas forem cumpridas, o montante da venda poderá se aproximar do valor recorde de 106 milhões de dólares que "Nude, Green Leaves and Bust", de Picasso, atingiu em 2010, num leilão da Christie's em Nova Iorque.

DOCUMENTÁRIO: BIOGRAFIA DE EDVARD MUNCH - em inglês

Pós-impressionistas: Edvard Munch - Biografia em... por superalbertofilho

Para o link o externo da Sotheby’s clique aqui


INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR POSTADA EM 02 /05

Versão de ‘O Grito’ é recorde histórico em leilão.

O quadro, com a imagem se converteu em um símbolo da angústia existencial e do desespero da era moderna, foi arrematado na quarta feira (2) por US$ 119,9 milhões, tornando-se a obra de arte mais cara já vendida em um leilão.


O Grito - na Globonews por superalbertofilho

A competição entre sete candidatos levou o preço ao recorde em apenas 12 minutos e gerou aplausos. O recorde anterior havia sido registrado em 2010 com o quadro ‘Nu, Folhas Verdes e Busto’, de Picasso, vendido por US$ 106, 5 milhões.

VEJA OS LANCES AQUI - COMPLETO

O Grito - a disputa completa na Sotheby's por superalbertofilho

20 Abril 2012

JULIAN ASSANGE, FUNDADOR DO WIKILEAKS, ENTREVISTA O LÍDER DO HEZBOLLAH EM ESTRÉIA NA TV RUSSA


O fundador do Wikileaks, Julian Assange, entrevistou Hassan Nasrallah, o líder do movimento xiita libanês Hezbollah, no primeiro de uma série de programas a serem exibidos pelo canal russo em língua inglesa RT – Russia Today.
Assange gravou, durante os dois últimos meses, 12 episódios de 26 minutos do programa "The World Tomorrow" na Inglaterra, onde vive praticamente recluso há 500 dias à espera de uma decisão sobre sua extradição à Suécia, país que quer interrogá-lo por supostos crimes sexuais.
O programa, que terá uma periodicidade semanal, será divulgado na RT a partir de terça-feira (24) às 10H00 GMT (07H00 de Brasília). As entrevistas também estarão disponíveis na internet.

VIDEO: RT PROMOVE ENTREVISTA COM O LÍDER DO HEZBOLLAH


RT promove entrevista com o líder do Hezbollah por superalbertofilho

A RT - rede multilíngue lançada pela Rússia em 2005, em inglês, espanhol e árabe - anunciou a sua colaboração com Assange, numa aliança explosiva para enfrentar a imprensa ocidental. A emissora, financiada pelo Estado russo, prometeu novas entrevistas polêmicas.
A chefe de redação da RT, Margarita Simonian, já tinha advertido que a primeira das doze personalidades entrevistadas pelo programa criaria muita polêmica. "Muitos ficarão extremamente descontentes", disse, no Twitter, antes do início do programa.

VIDEO: ‘THE WORLD TOMORROW’ - ENTREVISTA COMPLETA COM HASSAN NASRALLAH


'The World Tomorrow': Assange entrevista Hassan... por superalbertofilho

A entrevista com Hassan Nasrallah, considerado terrorista pelos Estados Unidos e Israel, foi uma oportunidade para ele reafirmar o seu apoio ao regime sírio, que reprime há mais de um ano um movimento de contestação, e de acusar a oposição de se negar ao diálogo. Esta posição aproxima-se muito de Moscou, que bloqueou as resoluções da ONU e que denuncia o apoio do ocidente aos opositores.
"Em termos de marketing, de relações públicas, é um belo golpe" para RT e Assange, afirma Anna Katchakaeva, especialista em mídia, à rádio russa Svoboda, financiada pelo Congresso dos Estados Unidos. "A emissora tem chamado à atenção e obrigou os meios de comunicação internacionais a falarem dela".


Para Maria Lipman, do centro Carnegie em Moscou, o programa de Assange dá visibilidade ao canal e serve aos interesses russos."Assange odeia os Estados Unidos, este é o seu credo, como é o do líder do Hezbollah. A posição oficial russa face aos americanos é dupla: por um lado existem relações que são estimuladas (...) por outro, há uma propaganda anti-americana desenfreada", diz.
Mas, para além da manobra, Lipman duvida que esta estratégia compense a longo prazo. "Se o objetivo é competir com BBC, Al-Jazeera, CNN, não está na direção certa. O uso do escândalo não é adequado para as ambições de atingir um público internacional amplo", considera.


Assange admitiu que esperava enfrentar críticas por emitir seu programa em um canal em inglês financiado pelo Kremlin e que promove abertamente a visão de Moscou sobre os assuntos internacionais. "Acho que é uma espécie de ataque bastante trivial", afirmou nos comentários publicados pelo site da RT.
O fundador do Wikileaks também afirmou que a força do programa reside em seu "tom franco e irreverente". "Meu trabalho com o WikiLeaks não facilitou minha vida", disse no comunicado, "mas nos forneceu uma plataforma para divulgar ideias para mudar o mundo".


Assange garante que não poderia trabalhar para uma empresa de mídia ocidental, já que o seu alvo principal são os Estados Unidos.
"Estamos em confronto com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (...) precisávamos de uma parceira de mídia que tivesse a capacidade de falar", ressaltou.
O fundador do Wikileaks também acusou a imprensa americana de ser "incapaz de criticar o abuso do poder militar americano" e a BBC de ser "hostil".
Em dezembro de 2010 Assange recebeu o apoio do primeiro-ministro Vladimir Putin e de outros líderes como o Presidente Lula, do Brasil.

VIDEO:JULIAN ASSANGE RECEBE O APOIO DO PRESIDENTE LULA


Lula apóia o Wikileaks por superalbertofilho

19 Abril 2012

ÔNIBUS ESPACIAL DISCOVERY FAZ SEU ÚLTIMO VOO 'NAS COSTAS' DE UM BOEING 747 – 100


Transportado no topo de um avião comercial adaptado e mantido pela NASA especialmente para transportar ônibus espaciais, a nave Discovery decolou de Cabo Canaveral, na Flórida, rumo a seu destino final - um museu nos arredores de Washington.


Discovery inicia seu último voo por superalbertofilho

O sobrevoo sobre a capital americana, que ocorreu na terça-feira (17), foi dramático. Multidões saudaram a nave que voou por cerca de uma hora antes de aterrissar no Aeroporto Internacional Dulles.
Turistas se concentraram perto do monumento a Washington para ver a nave, que surgiu desgastada e suja depois de 39 viagens ao espaço.

VÍDEO: ATERRISSAGEM DO DISCOVERY EM WASHINGTON D.C.

Aterrissagem do Discovery em Washington D.C. por superalbertofilho

Funcionários lotaram as janelas de escritórios e subiram para a cobertura dos prédios enquanto ela sobrevoava pontos emblemáticos da capital americana, como o Capitólio e a Casa Branca.
No Pentágono, militares e funcionários civis saíram para observar o ônibus espacial passar pelo prédio, acompanhado por um jato T-38. O tráfego ficou lento nas principais rodovias de Washington, à medida que os motoristas desciam dos carros para olhar o céu.


A Discovery, que voou pela primeira vez em 1984, foi carregada nas costas de um Boeing 747-100 da NASA, com preparação especial. O avião, modificado pela Boeing em 1976. A cabine recebeu sustentação adicional de escoras na cabine. A fuselagem foi reforçada e foram colocados estabilizadores verticais na cauda para auxiliar a estabilidade quando o ônibus espacial estiver sendo transportado. Os motores também foram atualizados.


Uma cerimônia para a apresentação oficial do Discovery acontece na quinta-feira (19) no Museu Nacional Aeroespacial Steven F. Udvar-Hazy Center, nos arredores de Washington, em Chantilly, subúrbio de Virgínia.
O ônibus espacial completou sua última missão espacial em 9 de março do ano passado, em uma viagem à Estação Espacial Internacional.


A nave passou um total de 365 dias no espaço e voou cerca de 241 milhões de quilômetros, informou o centro de controle da missão da NASA. Trata-se do ônibus espacial mais antigo e viajado dos três que integravam a frota da NASA - que também incluía o Endeavour e o Atlantis - além de um protótipo, o Enterprise, que nunca foi ao espaço.
Dois outros ônibus espaciais se destruíram em voo. O Challenger se desintegrou logo após o lançamento, em 1986, e o Columbia se partiu durante a reentrada na Terra, em 2003. Os dois acidentes mataram todos os tripulantes a bordo.


O Discovery foi o primeiro dos três ônibus espaciais a se aposentar no ano passado. O Endeavour iniciou sua última viagem ao espaço em abril e o programa americano de 30 anos terminou depois que o Atlantis voltou à Terra pela última vez, em julho de 2011.
A Rússia agora é o único país capaz de enviar astronautas ao espaço a bordo de suas cápsulas Soyuz. Companhias privadas americanas competem para ver qual será a primeira a preencher o vácuo deixado pelos ônibus espaciais.


Um sobrevoo do ônibus espacial Enterprise está agendado para 23 de abril, em Nova York, informou a NASA. A nave, principal atração do Centro Udvar-Hazy - parte dos museus Smithsonian, passará pela Estátua da Liberdade e outros pontos turísticos da ‘Big Apple’. O Enterprise deverá ficar em exposição no Museu Intrepid Sea, Air and Space de Nova York.
A nave, que realizou 39 missões no espaço e foi retirado formalmente de circulação no ano passado.



VEJA OS VIDEOS OFICIAIS DA NASA (HD)

DESTAQUES DO ACOPLAMENTO DA NAVE DISCOVERY COM O BOING 747


Destaques do acoplamento da nave Discovery com o... por superalbertofilho

DECOLAGEM DE CABO CANAVERAL NA FLÓRIDA


Discovery decola de Cabo Canaveral na Flórida por superalbertofilho

ATERRISSAGEM EM WASHINGTON D.C.


Aterrissagem em Washington D.C. por superalbertofilho

11 Abril 2012

CINEMA EXPERIMENTAL: JONAS MEKAS


Jonas Mekas nasceu em uma aldeia na Lituânia, em 1922. Ainda jovem escreveu e publicou poesia em lituano, atividade que adquiriu um tom político e ativista durante a Segunda Guerra Mundial, forçando-o a imigrar em 1944. No caminho para Viena o comboio foi interceptado pelos nazistas e Mekas, junto com o seu irmão (Adolfas), foram enviados para um campo de trabalhos forçados, mas fugiram no ano seguinte. De 1946 até 1948, Jonas estudou filosofia na Universidade de Mainz, na Alemanha.


Em 1949, os irmãos se exilaram em Nova York (USA), no bairro Brooklyn, numa pequena comunidade lituana. Logo depois Jonas comprou uma câmara e começou a frequentar as sessões da ‘Cinema 16″’ de Amos Vogel (autor do livro “Film as a Subversive Art”) e Marcia Vogel, que de 1947 a 1963 foi a principal sociedade não lucrativa a exibir e distribuir cinema experimental norte-americano.

Frequentador ávido de todo o tipo de mostras cinematográficas, ele estabeleceu contato regular com as novas expressões e as pessoas envolvidas. Como a seleção da ‘Cinema 16″’ excluía muitas obras, Mekas começou a programar sessões em outros espaços como a Gallery East e o Carl Fisher Auditorium, em 1953. A exibição de filmes com conteúdos ofensivos para a época fez com que fosse preso por ter mostrado “Flaming Creatures” de Jack Smith e “Un Chant D’Amour” de Jean Genet.

FLAMING CREATURES

Flaming Creatures, 1963 - Jack Smith por superalbertofilho

Jonas Mekas estava na cidade certa (Nova York) no início da sua era de ouro e aberto ao que era urgente fazer em relação ao cinema do seu tempo. A ele deve-se a criação de canais de comunicação para exibir, divulgar, distribuir e preservar os filmes da vanguarda norte-americana. Mesmo nos anos de grande agitação política, Mekas manteve-se concentrado na sua causa - a de apoiar os filmes vanguardistas.

Em 1954, lançou a revista “Film Culture”, sobre os novos filmes avant-garde, onde contou com a colaboração regular de Peter Bogdanovich, Stan Brakhage, Rudolph Arnheim, Andrew Sarris, Michael John Fles, e muitos outros. Quatro anos depois começou a escrever no “Village Voice”, assinando a coluna “Movie Journal”, que manteve durante de 18 anos.
Das reuniões sobre financiamento e distribuição, que começaram em 1959, o The New American Cinema Group, composto por vinte artistas, entre os quais Mekas, fundou a ‘The Film-Maker’s Cooperative’ em 1962.

Film-Maker’s Co-op Press Conference, 1964. Da esquerda para a direita: Gregory Markopoulos, P. Adams Sitney, Andy Warhol, Ron Rice (Jonas Mekas © 1964)

Dois anos depois, novamente com Brakhage, mais Peter Kubelka e P. Adams Sitney, fundou a ‘Filmmaker’s Cinematheque’, que se fundiu com a ‘Anthology Film Archives’ em 1969 – que ainda hoje exibe e preserva filmes avant-garde da primeira metade do século XX, reunindo mais de onze mil filmes de realizadores norte-americanos.

Cedo, Jonas descobriu que o que lhe interessava era filmar a vida cotidiana e não algo encenado: fosse o mero dia-a-dia da sua família ou o ambiente artístico de Nova York. Só mais tarde é que compôs as imagens em formato de diários, tornando-se um dos pioneiros desse tipo de registo.

JONAS MEKAS AT WESLEYAN, MAY 1969

Jonas Mekas filma em Wesleyan, maio de 1969 por superalbertofilho

“Walden”, o primeiro da série “Diaries, Notes, Sketches”, reune imagens de 1964 até 1969. Ao longo dos seus seis rolos, organizados cronologicamente, amigos, a família dos amigos, a família de Mekas, viagens e situações, misturam-se como hipótese de criar uma história – encontrar um sentido – aos olhos do espectador. Contudo, é redutor procurar lhe dar um significado como se tratasse de um documentário da época. Mais do que um registo autêntico de preservação da memória, assemelha-se a um poema visual.

DIARIE NOTES SKETCHES ON THE CIRCUS, 1966

Diarie, Notes, Sketches - on the Circus, 1966 por superalbertofilho

O imenso arquivo de Mekas fascina por propiciar a visão de personalidades que pertencem ao imaginário popular. Para exemplificar, Andy Warhol aponta Mekas como o responsável pela inclusão do cinema na sua produção artística. Entre as personalidades estão Stan Brakhage, Tony Conrad, Allen Ginsberg, Velvet Underground, Michael Snow, Kenneth Anger, Marie Menken, Ernie Gehr, James Broughton, Jack Smith, Norman Mailer, John e Jackie Kennedy, Ken Jacobs, John Lennon e Yoko Ono, Barbet Schroeder, Hollis Frampton, Timothy Leary, Harry Smith ou Edie Sedgwick.

Andy Warhol, Amy Taubin, Yoko-Ono, John Lennon e Jonas Mekas no 'Dumpling Party' de George Maciunas, em 1971

Boa parte da obra de Mekas celebra e homenageia seus amigos.
“Scenes from the Life of Andy Warhol”. Rodado entre 1965 e 1982, traz uma coletânea de "diários filmados" e conta com a participação de Andy Warhol. Entre os lugares registrados em Nova York estão La Factory, o Village Gate e a Fundação Warhol. Lou Reed, Allen Ginsberg, John Lennon, Yoko Ono, Paul Morrisey, John Kennedy Jr., Mick Jagger são alguns dos personagens focalizados em outros trechos desta obra. São poucas as filmagens apresentadas na íntegra, mais raras as de acontecimentos históricos como as da primeira aparição pública dos Velvet Underground em 1966.

SCENES FROM THE LIFE OF ANDY WARHOL

Scenes from the Life of Andy Warhol, 1966 por superalbertofilho

Outra das mais importantes é “Happy Birthday to John”, de 1995, que inclui cenas da inauguração de uma exposição de John Lennon e Yoko Ono, no dia 9 de Outubro de 1971, que coincidiu com o aniversário de Lennon. O retrato da festa exala a beleza e a espontaneidade dos amigos do casal, enquanto tocam canções de alguns dos intervenientes gravadas no evento.

HAPPY BIRTHDAY TO JOHN

Happy Birthday to John, 1971 por superalbertofilho

A obra de Mekas transmite uma noção muito complexa da História, no que se refere às figuras de culto que rodeavam a sua câmara, para além da sua vivência pessoal. No processo de edição, as cenas são reapropriadas, recicladas, e adquirem novo significado. Neste sentido, Mekas é o criador do que foi testemunha e participante, ao fazer escolhas subjetivas e relativistas.

Jonas Mekas e Kenneth Anger

Os seus filmes são compostos de cenas fragmentadas, pedaços de película, muitas vezes constituídas por um só frame, mas raramente isoladas. As sequências duram de um segundo a poucos minutos, num ritmo sincopado. Sua câmara é intencionalmente instável, às vezes registra alguns segundos de gravação, em que Mekas não via o que estava filmando. Outras vezes, a câmara passa para as mãos de outra pessoa que resolveu filmá-lo. O seu estilo reflete movimento e variações rápidas de focagem. Raras vezes surgem sobreposições. Suas imagens trêmulas são caracterizadas pela cor desbotada e por tremeluzirem.

HARE KRISHNA

Hare Krishna, 1966 por superalbertofilho

Mais recentemente, em 2007, Mekas utilizou o seu site como forma de usar as novas tecnologias aplicadas à sua técnica, criando uma plataforma chamada “365 Films”, que consiste na colocação online de uma curta por dia. A relação desde sempre muito íntima entre ele e o público tornou-se ainda mais próxima.


Em outubro de 1981 Jonas Mekas visitou o programa de TV Screening Room, por Robert Gardner, para discutir os esforços de preservação dos filmes do Anthology Film Archives, além de mostrar e discutir seu próprio trabalho, bem como os filmes de outros cineastas, incluindo Bruce Bailie, Deren Maya, e Joseph Cornell.

SCREENING ROOM WITH JONAS MEKAS, 1981

Screening Room with Jonas Mekas, 1981 por superalbertofilho