07 dezembro 2011

ARQUITETURA ALTERNATIVA: VILA DE CONTÊINERES

Em 1937, o americano Malcom McLean inventou grandes caixas de aço para armazenar e transportar fardos de algodão: os contêineres, essenciais para o comércio na economia globalizada. E hoje, até se vive dentro de um.
Na cidade de Amsterdã, capital da Holanda, fica a maior vila de contêineres do mundo – a Keetwonen Student Housing, com aproximadamente 1 000 apartamentos de metal.



A vila foi construída para atender à demanda por alojamentos estudantis na cidade. Os contêineres foram comprados na China, onde passaram por uma reforma e ganharam os equipamentos básicos de um apartamento, como pia, banheiro, aquecedor e isolamento acústico. Eles foram levados de navio para a Holanda e empilhados com guindastes até formar um prédio de 5 andares, inaugurado em 2006, e hoje abriga estudantes.



Os contêineres são pequenos, o prédio não tem elevador e o aluguel custa 320 euros por mês - barato para os padrões de Amsterdã, ninguém reclama.
O sucesso foi tão grande que a empresa responsável pelo projeto já construiu outra vila num subúrbio de Amsterdã - e também está erguendo um hotel na cidade de Yenagoa, na Nigéria, para turistas que quiserem ter a experiência de dormir num contêiner. Mas com acomodações de luxo - lata por fora, quatro-estrelas por dentro.

05 dezembro 2011

O INSTITUTO ITAÚ CULTURAL E A ARTE CIBERNÉTICA


Desde sua criação, em 1987, o Instituto Itaú Cultural investe no desenvolvimento de obras e pesquisas de arte e tecnologia, trabalhando sua relação com outras áreas artísticas e culturais. Nos últimos 15 anos, o programa Rumos Itaú Cultural vem mapeando e já selecionou 729 trabalhos de diversas áreas: artes visuais, cinema e vídeo, arte e tecnologia, dança, educação, pesquisa acadêmica, jornalismo cultural, literatura e música.


Agora, todos os resultados do programa estão concentrados ao alcance do público, de artistas e de produtores culturais. Com isso a Base de Dados Rumos dá continuidade ao processo de difusão da produção cultural brasileira e transparece as ações do Instituto.
A biografia dos selecionados e informações sobre seus trabalhos - sinopse, ficha técnica, música, trecho em vídeo etc - estão disponíveis para consulta. Para navegar pela Base, basta escolher a categoria e a edição do programa no índice.
Também, na Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Tecnologia, é possível encontrar verbetes relacionados ao tema. Acesse!


No segmento da arte e tecnologia, o programa Rumos Arte Cibernética e a Bienal Internacional de Arte e Tecnologia de São Paulo, Emoção Art.ficial, são exemplos dessa atuação.

VÍDEO: ACERVO DE OBRAS DE ARTE CIBERNÉTICA DO INSTITUTO ITAÚ CULTURAL





Mais de 400 mil pessoas já foram tocadas por emoções artificiais durante as cinco edições da Bienal de Arte e Tecnologia do Itaú Cultural. Desde 2002, as mostras não só exibem, mas também ajudam a fazer a história da arte do nosso tempo. Uma forma de arte que se apropria das novas tecnologias, subvertendo seus usos, desafiando as razões para as quais foram criadas. Não importa se são artefatos conhecidos ou o retrato do que de mais avançado existe na ciência.

VÍDEO: ARTISTAS E TECNOLOGIA



Pela bienal já passou um robô feito de aspirador de pó que reagia a quem se aproximasse. As imagens captadas por uma câmera instalada sobre um robô espião, que circulou dentro da área da instalação, eram tratadas e recondicionadas, revelando de maneira cômica o aspecto intrusivo das câmeras de vigilância.

VÍDEO: PROJETO SPIO



Na quinta edição da mostra, em 2010, neurônios de rato reproduzidos em laboratório sentiram os visitantes por meio de sensores e controlaram, lá dos Estados Unidos, robôs que, com lápis, desenharam em tubos de PVC. Tudo isso feito para ser arte: tecnologia criada comercialmente, mas utilizada para surpreender, provocar e emocionar.
Na instalação ‘Silent Barrage’, robôs movem-se verticalmente ao longo de várias colunas, deixando rastros que são, na verdade, a representação dos disparos de neurônios de roedores, cultivados num recipiente de vidro localizado a milhares de quilômetros de distância. Paralelamente, sensores ao largo da instalação capturam os movimentos do público, que, por sua vez, também fazem os robôs se deslocarem.

VÍDEO: ‘SILENT BARRAGE’



‘Silent Barrage’ é uma obra do coletivo SymbioticA - um laboratório australiano, que une os artistas Guy Ben-Ary e Philip Gamblen, os engenheiros Peter Gee, Nathan Scott e Stephen Bobic e o dr. Steve Potter, neurocientista do Laboratório de Neuroengenharia de Georgia Tech, Atlanta, Estados Unidos. Instalado na Escola de Anatomia e Biologia Humana da Universidade da Austrália Ocidental, o grupo une a arte à ciência, incentivando o pensamento crítico sobre as questões éticas e culturais que envolvem a manipulação da vida.

VÍDEO: SYMBIOTICA LAB – ‘SILENT BARRAGE’, ROBOTIC INSTALLATION, 2009



O artista Leonel Moura trabalha na área de inteligência artificial e robótica. Criou o Robotarium em 2007, o primeiro zoológico de robôs, localizado em Alverca, Portugal. Com base nas criaturas portuguesas, cinco pequenos robôs – distintos em sua morfologia e em seu comportamento – foram construídos com exclusividade para a mostra Emoção Art.ficial 5.0 – Autonomia Cibernética.

VÍDEO: ‘ROBOTARIUM’



Moura também criou o ‘RAC3 – Robotic Action Painter’. Um robô artista que realiza pinturas em estilo abstrato gestual baseado em informações em seu código e em inputs do público.

VÍDEO: RAP3 – ROBOTIC ACTION PAINTER



Desde 2007, ‘RAP3 – Robotic Action Painter’ encontra-se na sala dedicada à evolução da humanidade no Museu de História Natural de Nova York, em permanente atividade criativa. O artefato gera composições originais, decide por si próprio quando o desenho está pronto e assina no canto inferior direito como qualquer artista humano.



E como toda arte que merece esse nome - cibernética, as obras da bienal não precisam ser entendidas. As exposições são abertas a todos: de leigos, até quem compreende a complexidade de softwares e máquinas que parecem ter intenção e vontade próprias.

Em 2010, quinta edição da bienal, completou uma trilogia de conceitos que vêm orientando a escolha dos trabalhos.



Em 2006, as obras traziam à tona a questão da interface sob o ponto de vista da cibernética, disciplina que estuda a interação entre entidades sem diferenciar as biológicas das artificiais.
Em 2008, foi a vez da emergência: trabalhos nos quais o ciclo cibernético permitia às próprias máquinas fazerem surgir comportamentos e regras imprevisíveis até mesmo aos seus criadores.



Agora, em 2010, a bienal é norteada pela noção de autonomia cibernética, pela evolução de regras e padrões derivados dos comportamentos emergentes das próprias máquinas. Grosso modo, é como se as máquinas percebessem que seu próprio comportamento leva a coisas vantajosas ou prejudiciais aos seus objetivos. Com isso, podem mudar de idéia e agir como se tivessem “personalidade”.



Para discutir, refletir e provocar as mentes inquietas para idéias tão complexas, a bienal vem sempre acompanhada de um simpósio internacional, que coloca em debate pensadores de diversas áreas.
A quinta edição da Bienal de Arte e Tecnologia do Itaú Cultural - Emoção Art.ficial 5.0 aconteceu entre julho e setembro de 2010, na sede do Itaú Cultural em São Paulo.

02 dezembro 2011

JUNGLE JAM: A INSTALAÇÃO SONORA DO GRUPO CHELPA FERRO


Formado pelos artistas plásticos Luiz Zerbini, Barrão e Sergio Mekler em 1995, o grupo Chelpa Ferro realiza um trabalho que explora a plasticidade do som e sua dinâmica, através de esculturas, objetos, instalações e performances musicais que desafiam os sentidos do espectador, utilizando objetos do dia a dia.
O que os une é o interesse em colecionar, reproduzir e apresentar, em formatos variados, os sons que marcam a experiência urbana atual.


JUNGLE JAM
Convidando o público à uma experiência sensorial, Jungle Jam é uma instalação cinética formada por dezenas de peças idênticas, dispostas em linha horizontal sobre as paredes de uma sala e separadas por intervalos regulares. Cada peça é constituída de um misturador de alimentos portátil (mixer), e de uma sacola plástica ordinária, presa na extremidade do pino, substituindo as peças de corte.
Quando ligados, os motores fazem esses pinos girar com as sacolas, que batem nas paredes e produzem barulhos sincopados. Esses motores são comandados por uma caixa chamada ‘cabeção’, que cria, através de um programa de computador, padrões aleatórios que nunca se repetem, determinando quais motores funcionam a cada momento e quais permanecem parados. Com as mudanças inesperadas e seguidas e qualidade distintas dos sons, o público é surpreendido a cada instante.

VIDEO: JUNGLE JAM



Este experimento sonoro reflete uma cultura de resistência inovadora que se opõe à sociedade moderna pela tecnologia, através do desenvolvimento de recursos criativos e não-oficiais na arte. Através do deslocamento e do intercâmbio visual, escultural e das qualidades artística e fonética dos diferentes elementos, o uso criativo de tecnologia do Chelpa Ferro destaca as possibilidades interdisciplinares que a própria tecnologia permite.


A construção da máquina, projetada para produzir o som, segue a direção que se inicia na década de 1910, com a ‘Intonarumori’ - uma máquina barulhenta criada pelo italiano futurista Luigi Russolo, e que expressou as idéias formuladas em seu Manisfesto ‘The Art of Noises’ (L'arte dei rumori). Este Manifesto foi publicado na revista de arte Lacerba em 1913 e exaltou o ruído da metrópole moderna, que, de acordo com Russolo, domina a vida contemporânea e apresenta uma seleção extraordinária de novos tons e ritmos.


Jungle Jam foi apresentada pela primeira vez em 2006, no Centro Cultural FACT (Foundation for Art and Creative Technology), em Liverpool. Em 2008, foi mostrada pela Caixa Cultural no Rio de Janeiro, e logo após pelo MAM-Bahia, (Museu de Arte da Bahia). De Junho à Setembro de 2010, a obra foi exibida na Kunst Palast, em Düsseldorf e uma nova versão da instalação será apresentada em Londres.
O grupo Chelpa Ferro tem sido destaque nos principais eventos internacionais como as bienais de Veneza (2005), Havana (2003), São Paulo (2002 e 2004) e a Bienal de Liverpool de Arte Contemporânea (2002).

CHELPA FERRO NO ON_OFF



Aqui, um trecho da performance musical criado pelo grupo Chelpa Ferro e apresentada no Itaú Cultural durante o ON_OFF em 2006, evento que apresenta o trabalho de artistas que utilizam recursos de edição e de composição de imagens e sons ao vivo no processo de criação audiovisual. O ON_OFF integrou a programação da exposição Emoção Art.ficial 3.0 - Interface Cibernética.

Link - http://www.chelpaferro.com.br/