29 novembro 2011

INTERNET: ELI PARISER E OS "FILTROS-BOLHA" ONLINE


À medida em que empresas da Web se esforçam para fornecer serviços sob medida para nossos gostos pessoais (incluindo notícias e resultados de pesquisa), acontece uma conseqüência importante, fundamental para o conhecimentoda humanidade: Caímos na cilada dos "filtros-bolha" e não somos expostos à informações que poderiam desafiar ou ampliar nossa visão de mundo, a nossa compreensão.
No dia 15 de maio deste ano, Eli Pariser lancou o livro “The Filter Bubble: What The Internet is Hiding From You” - algo como "O Filtro Bolha: O que a internet está escondendo de você"


Nele, Pariser mostra de que forma as ferramentas de busca, como o Google e Yahoo!, e até o Facebook, estão filtrando informações e decidindo o que pode ser relevante para cada um de nós se baseando em hábitos de busca, ou seja, editando, de forma invisível, a internet.
São os filtros-bolha, que cada vez mais oferecem apenas os resultados de pesquisa que os algoritmos de busca consideram ser o que queremos. É como se estivéssemos trocando de Big Brother: saindo do poder dos grandes grupos de mídia e caindo nas garras dos “robôs” da internet.
Neste sentido Eli Pariser, presidente do conselho da MoveOn e membro sênior do Instituto Roosevelt argumenta, em sua palestra no TED2011, que as ferramentas de busca personalizada podem estreitar nossa visão de mundo. Afirma que estamos sendo monitorados através de algorítimos, e que isto, definitivamente, é ruim para todos - nós e a democracia.



Em sua palestra Eli afirma: “Trata-se de um pensamento que me apavora especialmente porque não vejo outra forma de maturidade intelectual que não seja a de nos expor a idéias e pensamentos contrários aos nossos. E a internet, ao contrário de qualquer outro meio de comunicação, vinha com a promessa de conseguir fazer isso. Mas quando a rede se organiza de forma a nos mimar com informações, idéias e reflexões rigorosamente parecidas com as nossas, além de perdermos a chance de encontrar contrários, podemos mergulhar na vã e perigosa ilusão de que nossa forma de pensar é predominante.”

27 novembro 2011

RICHARD SERRA: ENVOLVENDO O ESPECTADOR


Richard Serra nasceu na Califórnia em 1939. Manifestou-se no circuito artístico de Nova York seguindo as influências da Arte Povera e do Minimalismo, no mesmo sentido de Donald Judd, Robert Morris e Frank Stella.
Na década de 60, enquanto se aperfeiçoava como pintor na Europa, Serra decidiu que queria envolver o observador diretamente no seu trabalho e, achando que não poderia fazer isso em duas dimensões, decidiu abandonar a pintura e tornar- se escultor.


Em 1970, realizou o equilíbrio entre placas de aço apoiadas em si prórias, sem a ajuda de suporte, concebendo possibilidades esculturais que ainda hoje estão em experimentação.
Desde então suas obras públicas - grandes estruturas de aço no território urbano, têm alterado a percepção do espectador sobre o espaço. Toda sua obra reflete uma atenção pela experimentação e revela uma preocupação com a redefição do espaço.


Com o objetivo de envolver o espectador, Serra possibilitou uma nova forma de interação com a escultura, ampliando as fronteiras e a definição dessa arte. O centro de gravidade e o equilíbrio, a massa e o vazio, a percepção do espaço e a consciência corporal por parte do espectador constituem os temas básicos de sua obra.
Colocando seu trabalho exposto no meio urbano e também em museus, como no MOMA - que precisou passar por uma transformação superlativa para a realização de uma mostra - o escultor escolhe tornar-se público e acessível aos outros.

VIDEO: RICHARD SERRA NO MOMA (2006)



As obras de Serra têm relevância inclusive entre arquitetos, uma vez que força e transforma os limites do espaço, proporcionando uma nova experiência do homem no mundo. Sua contribuição à arquitetura, está fundamentalmente em tomá-la como um lugar onde o artista estrutura espaços e explora novas possibilidades. Fundamentalmente, Serra desafia e proporciona uma reflexão à construção do espaço.

VIDEO: RICHARD SERRA TALK WITH CHARLIE ROSE (2001)



Serra já instalou suas obras em cidades como Nova York, Paris e Londres. Seu trabalho no espaço público considera um local específico e, neste sentido, sua obra não representa apenas o objeto em si, mas a sua relação com o local e com a população.


Em 1987, Serra instalou o seu Tilted Arc (Arco Inclinado) na Federal Plaza em Nova York - uma placa de metal curva de 3,6 metros de altura, que gerou polêmica e foi retirada do local pela mobilização dos habitantes que consideravam a escultura uma armadilha que poderia favorecer o acúmulo de lixo até ser usada como escudo por terroristas e assaltantes. Na discussão Serra alegou que a escultura era concebida especificamente para aquele local e que a sua remoção a destruiría. Em 1989, a peça foi retirada e encaminhada para um ferro-velho.

VIDEO: TORQUED ELLIPSE IV NO MOMA (1998)



As proporções das esculturas de Serra surpreendem quando se nota que não há nada para sustentá-las – para os leigos em física é um equilíbrio incompreensível. Para ele, o observador deve confiar apenas em sua experiência quando está entre as paredes da escultura. O objetivo principal do escultor é enfatizar o processo de criação, as características do material e, sobretudo, relacionar espectador e obra.

’THE MATTER OF TIME’


‘The Matter of Time’ é uma série composta por oito esculturas:
Torqued Spiral (Closed Open), 2003; Torqued Ellipse, 2003-04; Double Torqued Ellipse, 2003-04; Snake 1994-97; Torqued Spiral (Right Left), 2003-04; Torqued Spiral (Open Left Closed Right), 2003- 04; Between the Torus and the Sphere, 2003-05 e Blind Spot Reversed, 2003-05.

O conjunto desta obra pesa cerca de 1200 toneladas, tem mais de 430 pés de comprimento. As peças em aço, de grande escala, que compõem essa obra, erguem-se como muros, e se entrelacem em labirintos. Para se visitar uma escultura de Serra é preciso entrar nela fisicamente, interagir, sentir a textura, o frio do metal, elas são uma espécie de retorno à cidade. É preciso se perder nelas, perder-se para elas, se entregar as sensações, aos sentimentos que elas despertam.

VÍDEO: INTERAÇÃO COM 'THE MATTER OF TIME', 2005



A experiência do espectador durante o trajeto pelas predes de aço é um aspecto inerente na obra de Serra. O sentido desta criação é ativado pelo ritmo do movimento de cada espectador.
Este conjunto de esculturas se baseia na idéia de temporalidade múltipla, de tempos que se sobrepõem. A duração da experiência de uma peça é diferente à da outra. Por um lado a experiência é interna, privada, psicológica e estética, e de outro, é externa, social e pública. O espectador mergulha em uma viagem, cujas descobertas dependem de sua vontade de investir seu tempo e deixar que suas memórias se fundem na percepção. Ambas as criações de Serra nos instigam, nos provocam, nos fazem querer ser parte da obra.

VIDEO: MONTAGEM DE 'THE MATTER OF TIME' NO GUGGENHEIM BILBAO



23 novembro 2011

STAATLICHES BAUHAUS: A CASA ESTATAL DE CONSTRUÇÃO


Em 1919 surgia o Modernismo com a integração de duas escolas na extinta República de Weimar, na Alemanha. O arquiteto Walter Gropius integrou a Escola de Artes e Ofícios e a Escola Superior de Belas-Artes, fundando uma nova escola de arquitetura e desenho - a Staatliches Bauhaus (Casa Estatal de Construção), mais conhecida como Escola Bauhaus.


A ascendência mais próxima da escola está na associação Deutscher Werkbund (Federação Alemã do Trabalho), fundada em 1907 por Hermann Muthesius para incentivar as relações entre os artistas, os artesãos e a indústria. Muthesius desejava criar o que chamava de Maschinenstil (estilo da máquina). Gropius, que foi membro da Werkbund, materializou esse objetivo, em grande parte, na Bauhaus.


O principal campo de estudos da escola era a arquitetura e procurou estabelecer planos para a construção de casas populares baratas por parte da República de Weimar. Mas também havia espaço para outras expressões artísticas: o design e as artes plásticas. Gropius pressentiu que começava um novo período da história com o fim da Primeira Guerra Mundial e decidiu que a partir daí se deveria criar um novo estilo arquitetônico que refletisse a época.

VÍDEO: HABITAÇÃO BAUHAUS: HOUSE OF ZUCKERKANDL



A Bauhaus tinha a finalidade de ressaltar a personalidade do homem - mais importante que formar um profissional, era formar homens ligados aos fenômenos culturais e sociais mais expressivos do mundo moderno – e isso logo definiu o estilo em seus produtos despidos de ornamentos, funcionais e econômicos, cujos protótipos saíam de suas oficinas para a execução em série na indústria. O ensino era elástico, com artistas, mestres de oficinas e alunos participando, em conjunto, das pesquisas. Para Gropius, a unidade arquitetônica só podia ser obtida pela tarefa coletiva, que incluía os mais diferentes tipos de criação, como a pintura, a música, a dança, a fotografia e o teatro.


O estilo Bauhaus era fruto do pensamento dos professores, recrutados, de várias nacionalidades, entre membros dos movimentos abstrato e cubista, que proporcionaram a introdução de movimentos como o expressionismo ou o construtivismo. A escola congregou importantes criadores de vanguarda, que foram responsáveis pelo contato direto com diferentes tendências da arte européia: o construtivismo russo, o grupo de artistas holandeses ligados ao De Stijl (O Estilo) e os adeptos do movimento de pintura alemã Neue Sachlichkeit (Nova Objetividade).


No inicio, Gropius apoiou-se principalmente em três mestres: o pintor americano Lyonel Feininger, o escultor e gravador alemão Gerhard Marcks e o pintor suíço Johannes Itten. A eles se juntaram depois artistas como Oskar Schlemmer, Paul Klee, Wassili Kandinski, László Moholy-Nagy e Ludwig Mies van der Rohe, que vieram reforçar a o afastamento da arte baseada em conceitos históricos e privilegiar um novo ideal artístico, baseado em princípios como a realização do ideal do “novo homem”. Em 1925, Josef Albers e Marcel Breuer passaram a fazer parte do grupo.

DOCUMENTÁRIO COMPLETO: THE DESSAU BAUHAUS



Em termos de formação a Bauhaus de Gropius era uma escola de artes e ofícios que dispunha de oficinas para vidro, cerâmica, tecelagem, metais, carpintaria e pintura mural, escultura de madeira e de pedra. Ainda oficinas de artes de palco, impressão e encadernação. O Vorkurs - curso preparatório - era exigido a todos os alunos e ministrado nos moldes do que é o moderno. Não se ensinava história na Bauhaus durante os primeiros anos de aprendizado, porque acreditava-se que tudo deveria ser criado por princípios racionais ao invés de ser criado por padrões herdados do passado. Só após três ou quatro anos de estudo o aluno tinha aulas de história, pois assim não iria influenciar suas criações.


Pelo seu caráter reformador e vanguardista, a Bauhaus esteve, por várias vezes, em situações incômodas pelos regimes políticos em vigor. A conjuntura liberal que reinava na República de Weimar acabou com a ascensão do Partido Nacional Socialista na Alemanha. A escola foi considerada uma frente comunista, especialmente porque muitos artistas russos trabalhavam ou estudavam ali. Ameaçada de dissolução pela forte oposição às suas inovações, a Bauhaus mudou-se em 1925 para Dessau, onde ficou até o advento do nazismo. Para abrigá-la, Gropius projetou e construiu um complexo de edifícios que era, em si mesmo, um manifesto de arquitetura moderna e uma das mais extraordinárias obras da década de 1920.


É neste período que as atividades da escola se intensificaram, com o lançamento de publicações e a organização de exposições. Uma clara mentalidade racionalista presidia à elaboração dos projetos. Nesse período acontece a ligação mais efetiva entre arte e indústria, com o desenvolvimento de uma série de objetos - mobiliário, tapeçaria, luminária etc. -, produzidos em larga escala, como as cadeiras e mesas de aço tubular criadas por Marcel Breuer e Ludwig Mies van der Rohe, produzidas pela Standard Möbel de Berlim e pela Thonet.


Em 1928, Gropius passou o cargo de diretor ao suíço Hannes Meyer, abandonando a escola, já então consolidada, junto com Moholy-Nagy e Breuer. A nova direção deu realce ainda maior à arquitetura e assistiu à chegada das influências do construtivismo russo. Em 1930, Meyer, cuja postura esquerdista não era bem vista pelas autoridades, foi substituído pelo arquiteto alemão Mies van der Rohe. Este reorganizou a escola e deu-lhe um novo impulso.
Em 1932, a Bauhaus mudou-se para Berlim, devido à perseguição do recém-implantado governo nazista que encerrou as suas instalações. Contudo, em 11 de Abril de 1933, a Bauhaus em Berlin também é fechada por ordem do governo.


O edifício inicial projetado por Walter Gropius sofreu inúmeras modificações após a Segunda Guerra. Em 1994 iniciou-se um processo de reforma para restabelecer a condição original do edifício. Devido a inexistência do projeto original o trabalho foi árduo e concluído somente em 2007. Ainda hoje é o edifício principal do pólo da universidade, destacando-se o escritório de Walter Gropius, mantido inalterado.
Link: http://www.bauhaus.de/

O LEGADO DA BAUHAUS


Apesar de ter durado apenas 14 anos, a Bauhaus deixou um legado importante, que permanece atual. A emigração dos professores da escola, devido ao nazismo, é fator decisivo na difusão das idéias da Bauhaus pelo mundo todo.
Nos Estados Unidos, para onde se dirige boa parte deles - Gropius, Moholy-Nagy, Breuer, Bayer, Van der Rohe e outros - surge a Nova Bauhaus, em Chicago, 1937/1938 e o Architectes's Collaborative - TAC, escritório de arquitetura criado por Gropius em 1945, quando é professor em Harvard.
Em 1950 inaugurou-se em Ulm, na Alemanha, a Hochschule für Gestaltung (Escola Superior da Forma), dirigida por Max Bill, ex-aluno da Bauhaus de Dessau. A essa última instituição, em especial, coube dar seguimento programático às formulações da antiga Bauhaus - uma escola que se integrou perfeitamente no contexto da civilização do século XX para dar-lhe uma visualidade própria.

DOCUMENTÁRIO COMPLETO LEGENDADO: BAUHAUS: THE-FACE OF THE 20TH CENTURY, de 1994

PARTE 1



PARTE 2



PARTE 3



PARTE 4