19 outubro 2011

FOTOGRAFIA: A ESTÉTICA ‘SNAPSHOT’ DE TERRY RICHARDSON


Terry Richardson nasceu em Nova Iorque em 1965, filho do famoso fotógrafo de moda dos anos 60, Bob Richardson, e da produtora de moda Norma Kessler. Passou os primeiros anos da sua vida em Paris, quando o pai deixou a Harper’s Bazaar americana e passou a trabalhar para a Vogue francesa. Aos cinco anos, a família retorna a Nova Iorque.

VIDEO: TERRY RICHARDSON ON THE SNAPSHOT



Pouco tempo depois, seu pai inicia uma relação com a então modelo Angelica Houston (23 anos mais nova), e a mãe envolve-se com Jimmy Hendrix e mais tarde com Kris Kristoferson, até se mudarem para Woodstock. “Lembro-me de estar com todas estas pessoas nos estúdios - Rick Danko e a sua banda e o Bob Dylan. Era ótimo nas festas porque todo mundo ficava completamente doido com as drogas e o álcool, e nós, as crianças, andávamos por ali até às tantas. Lembro-me de curtir com a Maria Muldaur, filha do Jimmy Hendrix.”


Terry começou a fotografar na época da escola, em Hollywood, mas seu pai o desencorajava a fazer da fotografia um modo de vida. Foi guitarrista de uma banda durante cinco anos, até o grupo acabar e a mãe o apresentar ao fotógrafo Tony Kent, que o contratou como assistente. Hoje é frequente ver o trabalho de Richardson em revistas como a Vogue, i-D, GQ, Harper’s Bazaar e Purple. A 37ª edição do calendário Pirelli foi dirigida e fotografada por Richardson.

VIDEO: ‘MAKING OF’ DO CALENDARIO PIRELLI 2010



Terry é um dos fotógrafos mais conceituados da estética ‘snapshot’ - imagens banais do dia-a-dia, não encenadas, que teve origem nos EUA dos anos 60. Seu trabalho e os corpos que fotografa são identificados com facilidade. Outra marca é a sua própria figura, inspirada nas estrelas pornô dos anos 70: óculos, camisa xadrez, braços tatuados e bigode. Foi assim que a Uncle York, fabricante de bonecos, em parceria com as lojas Tokyo Element e Collete, lançou o boneco/caricatura do fotógrafo.


Ao longo dos anos, Terry tornou-se mais hardcore e mais descritivo da sua própria vida sexual. Ele sabe que quer fazer muito sexo, ficar nu e quer que todo mundo veja. Talvez por isso ele seja o fotógrafo que mais se fotografa.

VIDEO: TERRY RICHARDSON NO GNT - PT-BR



Se a magia das imagens de moda está na relação criada entre fotógrafo e fotografado, nas suas imagens dá para ver que ele é perito em escolher quem fotografar. Para Terry, o segredo está no casting dos figurantes. “Se o casting corre mal está tudo fodido. Se consigo pessoas que sabem o que é que vai acontecer e que estão nessa, basta deixá-los entrar nas suas personagens”. As suas fotografias são normalmente sobre assuntos pessoais e frequentemente de conotação sexual. O sexo, o exibicionismo, tudo isso sempre foi urgente para Terry.

VIDEO: NO SET, COM AMY WINEHOUSE



Em abril de 2007 Richardson esteve no Brasil para a produção do livro sobre a cidade do Rio de Janeiro. Foram produzidas fotos de vários lugares tradicionais da cidade: favelas, bailes funk, praias, etc. Como personagens do livro, foram escolhidos diversos anônimos e personalidades brasileiras como Camila Pitanga, Ricardo Tozzi, Adriane Galisteu, Danielle Winits, entre outros. Os destaques ficaram por conta de Luiza Brunet e sua filha, Yasmin, que posaram completamente nuas para as lentes do fotógrafo. O livro foi lançado no Brasil em Dezembro de 2007.

VIDEO: THE GREAT ESCAPE, COM KATE MOSS – 2011




Desde o natal de 2009 que Terry atualiza diariamente o seu fotoblog, relatando os bastidores das sessões de fotos e curiosidades da sua vida.

VIDEO: MERCEDES BENZ FASHION WEEK


17 outubro 2011

GRAFITEIROS CRIAM MUSEU ABERTO DE ARTE URBANA EM SÃO PAULO


As 33 pilastras sujas e cinzas da Av. Cruzeiro do Sul, na zona norte de São Paulo, dão lugar a 66 painéis de grafite - 58 grafiteiros realizam do 1º Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo.
O projeto surgiu após a detenção de 11 artistas, em abril deste ano (2011), quando eles grafitavam o mesmo local. Dessa vez, eles contam com o apoio da Secretaria do Estado da Cultura e do Metrô, que contribuíram com tinta e spray.

GRAFITEIROS CRIAM MUSEU DE ARTE URBANA



"Pensamos na delegacia que não era mais possível responder por crime. Somos artistas, reconhecidos pela cidade. A ZN é o nosso bairro, sempre pintamos na região e ali sempre é muito sujo. Foi uma surpresa para gente receber esse apoio", afirmou Chivitz, que idealizou o projeto com Binho enquanto estavam na delegacia aguardando o registro da ocorrência de crime ambiental.


Entre os artistas participantes estão Zezão, Tinho, Ricardo AKN, Minhau, Speto, Presto e Highraff. "Além dos mais experientes, também convidamos artistas jovens, que estão começando, e que são da zona norte. A intenção é que moradores e grafiteiros cuidem da sua região", explicou Chivitz.
O projeto também desenvolverá ações educativas em escolas da região para incentivar o gosto pela arte urbana em crianças e adolescentes.

MUSEU A CÉU ABERTO



"Reconhecer o valor da arte urbana é promover a diversidade dos olhares sobre a cultura e sobre a cidade. O grafite feito dessa forma, organizada, ajuda no desenvolvimento de talentos artísticos e a preservar e embelezar um lugar deteriorado. Nem todo mundo gosta de grafite e não é obrigado a gostar, mas nas pilastras públicas não vai incomodar ninguém", afirma o secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo, que confessa já ter mandado apagar muitos grafites que não tinham autorização.

MAAU - Museu Aberto de Arte Urbana - 2011



Baixo Ribeiro, curador e proprietário da galeria Choque Cultural que colaborou no projeto, destaca a importância da ação para o modo de se pensar o espaço público urbano.
"O grafite não tem a ver com moda. A arte pública, como nesse caso, é importante para aproximar mais a população da arte, desde especialistas até pessoas mais simples. É a democratização do acesso à arte. Grande parte da população vive em centros urbanos, precisamos aprender a lidar com esse espaço público que cada vez mais será dividido por mais pessoas".


Além da Av.Cruzeiro do Sul, outros espaços públicos estão sendo destinados para arte urbana em São Paulo, como o painel de Daniel Melim na Luz e de Osgemeos no Vale do Anhangabaú, ambos na região central.
"Berlim é um exemplo de ações nesse gênero. É uma cidade que já tem essa cultura de conciliar a arquitetura com a arte em espaços públicos", afirmou Ribeiro.

16 outubro 2011

ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA: VILLA MAHINA

VIDEO: PROMENADE PELA VILLA MAHINA



Uma mansão futurista, digna de um filme de James Bond, divide a comunidade de uma pequena ilha - seus moradores estão discutindo se devem ou não permitir a sua construção. Investidores de toda parte do planeta manifestam interesse na luxuosa casa, prevista para ser construída em Kawau Island, cerca de 60 km ao norte de Auckland, Nova Zelândia.


A residência Mahina (o nome Maori para a Lua) foi projetada em curva, na forma de uma Lua crescente. De frente para o mar, ela oferece uma vista deslumbrante, já que todas as paredes, do chão ao teto, são feitas de vidro. Tudo lá dentro é completamente branco: o piso, as portas, os móveis e os objetos. O imóvel possui uma área de 827 metros quadrados e contará com uma estufa para plantas, deck, piscina e uma "massa térmica" para regular a temperatura interna.


O site da vila Mahina diz que o conceito é vendido na forma de um pacote com design, construção e o terreno em Kawau Island, mas a casa também pode ser construída em algum local pré-qualificado de qualquer lugar do planeta.
"A residência, predominantemente moderna, sugere os velhos tempos de James Bond, época glamourosa dos martinis e do smoking", afirma o site. "Acabar com o equívoco que o branco é ‘starck’ ou austero. Aqui ele é abundante, suntuoso, rico."


A empresa neozelandesa responsável pelo projeto, a Weber Consulting, demorou três anos para concluir o projeto. A ilha de Kawau possui apenas 450 propriedades e 70 moradores, que transitam, essencialmente, de barco. Não há iluminação pública e serviços de telefonia são limitados.


Os moradores pouco sabiam dos planos para a Mahina, há cerca de quatro anos. Helen Jeffery, da ‘Kawau Island Resident and Ratepayer’s Association’, viu os desenhos do arquiteto a pouco mais de três anos atrás e comentou que a propriedade deveria cumprir estritamente os planos de desenvolvimento definidos pelo Rodney District Council.


O morador da ilha e presidente do ‘Kawau Island Advisory Committee’, Michael Marris, disse que o desenvolvimento do projeto racharia a comunidade se fosse adiante.
"Eu posso imaginar que a ilha seria totalmente dividida sobre o assunto. Eu tenho ouvido algumas pessoas chamarem o projeto de "fabuloso" de "bizarro" e de "fora do planeta”. "Muitas pessoas não querem alguém voando de helicóptero para chegar à propriedade, que é realmente o melhor caminho para esse ponto."

VIDEO: ESPECIFICAÇÕES DA VILLA MAHINA