26 julho 2011

MIES VAN DER ROHE: O PAVILHÃO ALEMÃO DE BARCELONA

MIES VAN DER ROHE: GERMAN PAVILLION



Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969), considerado um dos mais importantes arquitetos do século XX e mentor do modernismo, sempre buscou uma racionalidade que pudesse guiar a sua projeção dos espaços arquitetônicos. Sua concepção envolvia uma profunda depuração da forma, voltada às necessidades do lugar, segundo o preceito do minimalismo, ‘Less is more’.




Depois da Primeira Guerra Mundial, se afastou dos estilos tradicionais em busca de uma nova arquitetura para a era industrial, influênciado pelo Expressionismo, o Suprematismo, o Construtivismo russo (construções escultóricas e eficientes, usando materiais industriais modernos) e o Grupo holandês De Stijl.

MIES VAN DER ROHE: GERMAN PAVILION



Em 1921, Mies projetou um impressionante arranha-céu de vidro e metal, seguindo-se uma série de projetos pioneiros que culminariam, em 1927, num dos seus mais famosos edifícios: o pavilhão alemão para a Feira Mundial de 1929 em Barcelona.




O Pavilhão Barcelona é considerado um marco importante na história da arquitetura moderna, sendo conhecido pela sua geometria depurada, e pelo uso inovador e extravagante de materiais tradicionais como o mármore ou novos materiais industrializados como o aço e o vidro.

GERMAN PAVILLION: RECONSTRUÇÃO



A edificação foi demolida no final da Feira Mundial de 1929, mas devido à importância que teve para a história da arquitetura e na própria biografia do arquiteto, a Fundação Mies van der Rohe encomendou sua reconstrução, no mesmo local, durante a década de 1980.




O pavilhão é uma composição suprematista-elementista, apesar das associações clássicas de seu traçado regular de oito colunas e do uso liberal dos materiais tradicionais. A estrutura é assentada sobre um grande pódio ao longo de um espelho d'água e conta com oito pilares de aço - cujo desenho em cruz grega tornou-se célebre na arquitetura moderna -, que sustentam a cobertura plana do edifício. A regularidade da estrutura e a solidez de sua base em travertino são reflexos da tradição de Schinkelschüler evocada por Mies.




No geral o edifício caracteriza-se pela presença de planos perpendiculares que constróem o espaço tridimensional, a partir de uma configuração volumétrica de formas depuradas, considerada simples e refinada. Como elementos de vedação, verifica-se o uso de cortinas de vidro delimitando os espaços internos e externos, e divisórias baixas de alvenaria no interior.




Alguns deslocamentos no volume do pavilhão foram criados a partir de leituras ilusórias de superfície, como o uso de biombos de vidro verde junto aos planos revestidos por mármore polido verde de Tinian, que refletem as barras verticais cromadas. O contraste do ônix polido, e a parede que contorna o terraço principal com sua piscina refletora, são os termos de textura e cor encontrados no projeto.

DOCUMENTÁRIO COMPLETO: BARCELONA CHAIR



Como forma de promover o desenho integral do espaço, seguindo a intenção do projeto, Mies desenhou a ‘Cadeira Barcelona’ (uma das cinco peças neoschinkelescas desenhadas pelo arquiteto nos anos 1929-30), considerada um marco no desenvolvimento do design moderno. A cadeira é produzida e comercializada até hoje. Duas dessas cadeiras foram utilizadas como assento para os monarcas espanhóis durante visita à exposição.




DESMATERIALIZAÇÃO DA ARQUITETURA

A aplicação da procura da essência na arquitetura tem como conseqüência sua desmaterialização. A arquitetura de Mies tornou-se somente estrutura e membrana externa ou, como ele mesmo dizia, uma arquitetura de “pele e osso”. A perfeição técnica dos detalhes viria apenas a apoiar este sentimento de vazio do espaço, que segundo Mies, deveria ser preenchido pela vida.




Os projetos de Mies são, às vezes, completamente ideais, somente espaço, como seus arranha-céus de vidro de 1922 ou a residência Farnsworth, nos EUA, de 1950. Em outros, matéria e espaço interagem em um jogo constante, como na residência Tugendhat de 1931, patrimônio histórico da humanidade, na cidade tcheca de Brno.
Mies estava no auge de sua carreira na Alemanha, quando foi convidado para projetar o pavilhão alemão para a Feira Mundial de Barcelona em 1929, hoje ícone da modernidade.

GERMAN PAVILLION: PROMENADE



Link externo: - http://www.miesbcn.com/

24 julho 2011

AMY WINEHOUSE: morre a jovem diva do soul


O corpo de Amy Winehouse, de 27 anos, foi encontrado ontem, em Londres. A morte anunciada da cantora encerra uma carreira meteórica - foram apenas dois discos, Frank (2003) e Back to black (2006), além de cinco prêmios Grammy.
Nascida em 1983, a cantora era filha do taxista Mitch Winehouse e da famarcêutica Janis. Criada em família judia, cresceu nos subúrbios de Londres. A carreira começou cedo: aos 10 anos, ela e uma amiga formaram o grupo de rap Sweet’n’ Sour.
Logo após o lançamento do CD de estréia – ‘Frank’ (2003), Amy passou a enfrentar um turbilhão emocional. O segundo álbum – ‘Back to black’ (2006), fez enorme sucesso e deu fama mundial a artista. Conhecida pela inconfundível voz grave, pelo penteado e maquiagem, a inglesa se tornou ícone fashion: em todo o mundo, garotas copiam o seu estilo.

LIVE AT GLASTONBURY FESTIVAL 2008



Tragédia anunciada
Em 2007, de volta a Londres depois de turnê em Chicago (EUA), Amy Winehouse passou por todos os pubs entre o aeroporto e seu bairro, Camden Town. A “excursão” terminou em lavagem estomacal. Naquele ano, foi internada, supostamente por overdose.
Em janeiro de 2008, era paciente, pela primeira vez, de uma clínica de reabilitação. Depois, neste mesmo ano, teve o visto de entrada nos Estados Unidos negado, sendo impedida de comparecer e se apresentar na 50ª edição do Grammy, onde ganhou cinco estatuetas. Mesmo assim Amy se apresentou ao vivo, de Londres, via satétite.



Em fevereiro de 2009 foi acusada de roubar bebidas e pertences de hóspedes no Caribe. Em julho, divorciou-se de Blake Fielder-Civil. Em dezembro, em Londres, gritou durante a apresentação da peça ‘Cinderela’ e agrediu o gerente da casa.
Em janeiro deste ano, durante turnê pelo Brasil, hospedada em suíte sem bebidas, roubou as garrafas de um quarto vizinho. Em maio, internada novamente em Londres, recebeu o ultimato dos médicos: morreria se não parasse de beber. Escolheu a primeira opção. Certa vez, a mãe, Janis, declarou: “Estamos vendo ela se matar. Já aceitei sua morte.

AMY WINEHOUSE EM BELGRADO, 2011



Em seu último show, no dia 18 de junho, Amy se apresentou em Belgrado, no parque Kalemegdan. Durante a apresentação, a artista agachou-se para pegar bebida já na primeira música. Cada novo gole era motivo para palmas. “Enche a cara!”, foi a frase mais gritada para a inglesa. Back to black foi o único momento em que chegou perto de ir ao encontro do público. No dia seguinte, as capas dos tabloides sérvios mostraram um rosto deformado gritando e classificaram o show como “o pior da história de Belgrado”.


Cercado de expectativas, canções inéditas foram gravadas para um terceiro álbum em 2009, mas a gravadora Island rejeitou as demos porque Amy se rendera ao reggae. Ela chegou a anunciar que o CD seria lançado em janeiro deste ano. “Vai ser bem parecido com o meu segundo álbum, tem muita coisa de jukebox”, afirmou. Mas brigou com o produtor Mark Ronson pela internet. “Você está morto para mim”, declarou a estrela.
Com a morte de Amy, o destino das faixas inéditas ficou nas mãos da gravadora. O disco rejeitado pode virar a sensação da temporada. A última gravação da inglesa foi a versão de ‘It’s my party’, hit dos anos 1960 de Leslie Gore, feita para tributo a Quincy Jones, em 2010.

22 julho 2011

NOTA DE FALECIMENTO: LUCIAN FREUD (1922 - 2011)


O pintor alemão Lucian Freud, conhecido por seus retratos realistas - nus e auto-retratos, morreu nesta quarta-feira (22) em Londres, aos 88 anos. O marchand do artista, William Acquavella, informou em comunicado que o artista morreu à noite, em sua residência londrina, após uma doença, sem dar mais detalhes. O agente descreveu Freud como "um dos grandes pintores do século XX" e disse que "vivia para pintar e pintou até o dia de sua morte, afastado do barulho do mundo da arte".


Neto do psicanalista Sigmund Freud, de uma família de classe média alta, Lucian nasceu em Berlim em 1922 e migrou para o Reino Unido acompanhado da sua família em 1933, aos 10 anos, escapando do nazismo. Tornou-se cidadão britânico em 1939. "Eu era muito solitário, falava mal inglês. Era considerado mal humorado, o que me deixava orgulhoso", ele disse certa vez.
Estudou e se formou em escolas de arte inglesas. Chegou a servir como marinheiro mercante e fez sua primeira exposição individual em 1944. Em 1946, viajou para Paris e para a Itália, mas decidiu se instalar definitivamente em Londres.

VIDEO: LUCY FREUD INTERVIEW AT THE ARTS CLUB, MAYFAIR

PARTE 1



PARTE 2



A marca do seu trabalho é a representação da figura humana. No início de sua carreira Freud preferiu o surrealismo, pintando pessoas e animais em justaposições inusitadas. A mudança definitiva de estilo aconteceu a partir dos anos 50.
Em 1976, Freud fez parte do grupo de artistas dedicados à pintura figurativa, denominado School of London, ao lado de Francis Bacon. A fama veio quando começou pintar retratos. Em 1989 ganhou o Prêmio Turner, o mais importante das artes visuais inglesas.


Freud radicalizou situações de desconcerto físico e intelectual em retratos de apurado realismo, reagindo à padronização humana com sarcasmo e ironia. Expressou a constatação do envelhecimento, assim como as “cicatrizes” pessoais, que remetem à memória e à sensualidade.
Nicholas Serota, diretor da galeria londrina Tate, afirmou: "A vitalidade de seus nus, a intensidade de suas pinturas 'still life' e a força de seus retratos garantem a Lucian Freud um lugar único no panteão artístico do século 20". O artista é um ícone da arte da passagem do século 20 para o século 21.

VIDEO: LUCIAN FREUD NEWSNIGHT REPORT



Freud se tornou o pintor vivo mais cotado quando, em 2008, a pintura Benefits Supervisor Sleeping (1995), de uma mulher obesa recostada em um sofá, foi arrematada por 33,6 milhões de dólares em um leilão na sede nova-iorquina da Christie's (aqui: http://noholodeck.blogspot.com/2008/05/lucian-freud-recorde-mundial.html).

VIDEO: AN EXCLUSIVE TOUR OF LUCIAN FREUD'S STUDIO



Entre seus últimos trabalhos, está o retrato da modelo Kate Moss, nua e grávida, finalizado em 2002 - um dos únicos retratos de celebridades pintados por Freud, que sempre preferiu usar modelos de sua convivência, como familiares e amigos. A tela foi vendida no mesmo ano por 20 milhões de dólares a um colecionador desconhecido. Além de Kate Moss, Freud pintou a rainha Elizabeth II.
Rumores dizem que o artista teve cerca de 40 filhos ilegítimos. Oficialmente, Freud deixa 13 filhos gerados em quatro casamentos diferentes.

DOCUMENTÁRIO: LUCIAN FREUD PAINTED LIFE