13 junho 2011

VÍDEO DE DAVID WOJNAROWICZ FOI RETIRADO DE EXPOSIÇÃO NOS EUA


No final de 2010 o vídeo ‘A Fire in My Belly’, do artista David Wojnarowicz, fazia parte de uma exposição sobre sexualidade, no National Portrait Gallery, e os 11 segundos que mostram Jesus foram considerados ofensivos por William Donohue, presidente da Liga Católica nos Estados Unidos.
Sob pressão, o museu, que é parte do Instituto Smithsonian, retirou o vídeo da mostra horas após a reclamação, sob o argumento de que, apesar de não considerar a obra “anticristã”, a polêmica em torno de sua exibição estava roubando as atenções do resto da exibição.

A retirada provocou protestos no mundo artístico e, em reação, a galeria de arte Transformer, também em Washington, passou a exibir o vídeo continuamente em sua vitrine, para os transeuntes. A galeria criticou o National Portrait Gallery por ter “se curvado a pressões” e promovido “censura”.
O vídeo de Wojnarowicz tem 30 minutos no total e foi feito em 1987, com a intenção de retratar o sofrimento de vítimas da Aids e homenagear um parceiro do artista, que morreu de complicações da doença. O próprio Wojnarowicz morreu da mesma doença, cinco anos depois.

William Donohue, da Liga Católica, afirmou ao jornal que a obra trazia um “discurso de ódio”. “Sempre que esse tipo de coisa acontece, me dizem que a arte é complexa e aberta a interpretações, mas se você coloca uma suástica em uma sinagoga, isso não é aberto a interpretações”, alegou. “Quando o Smithsonian – com seu prestígio e financiamento público – ofende católicos, não posso fingir que isso não aconteceu.”
A polêmica continuou ao longo de uma tarde, quando cerca de cem pessoas convocadas pela galeria Transformer fizeram uma passeata até a National Portrait Gallery em protesto contra a exclusão do vídeo de Wojnarowicz.
A polêmica também abriu questionamentos sobre o Instituto Smithsonian, parcialmente financiado por verba pública. O National Portrait Gallery defende que a exposição em debate foi organizada com dinheiro privado, mas um congressista já veio a público pedir que a verba destinada ao museu passe por escrutínio.
Outro congressista, o democrata James P. Moran Jr, que preside o subcomitê do Congresso responsável por parte do financiamento artístico, disse ao Washington Post que inicialmente viu “mau gosto” no vídeo de Wojnarowicz. Mas “considero ainda pior que ele tenha sido censurado da exibição”.


10 junho 2011

TV HACKERS


Freqüentemente vemos hackers de todo tipo, mas agora uma nova modalidade entra em cena: os TV hackers. O termo surge após o grupo GTVhacker anunciar que em 5 de janeiro deste ano conseguiu realizar o ‘jailbreak’ do sistema operacional Android, que possibilita a instalação de aplicativos.



O acontecimento teve o apoio do desenvolvedor Howard Harte, que anunciou um prêmio de US$ 1000 dólares para o primeiro que realizasse o destravamento.
O Grupo explicou que o trabalho foi extraordinário porque foi necessário alterar não só o software mais também o hardware.

O Google TV


No ano passado, o Google apresentou um sistema que une internet e televisão: o Google TV. Por meio do navegador Chrome, é possível acessar sites por meio do televisor. “A TV pode ser um visualizador de fotos, um console de games, um leitor de músicas e muito mais”, diz Salahuddin Choudhary, gerente do Google TV, no blog oficial da companhia - http://googleblog.blogspot.com/.
A tecnologia Google permite que o usuário faça uma pesquisa rápida na tela da TV através de controles remotos, inclusive smartphones com navegador Android.


O sistema ainda vai facilitar a busca por programas de televisão. Se você já sabe qual canal ou programa quer ver, basta digitar o nome. Outra função, para esportes, permite exibir um jogo de basquete em uma segunda tela enquanto se confere outros jogos no navegador em primeiro plano.
O Google TV usa o sistema operacional Android. Assim como em sua versão para celulares, a empresa criou meios para que os desenvolvedores criem aplicativos. Eles estarão disponíveis no Android Market. O Google fez parcerias com a Sony e a Logitech para colocar o sistema em aparelhos de TV e Blu-Ray.


Pensando em lucro e na comercialização, o Google prepara um plano de distribuição de conteúdo, flexível, trazendo vantagens comerciais aos grupos de mídia, permitindo a gravação de conteúdos em DVR. Hoje, o mercado é composto por mais de 4 bilhões de telespectadores, e uma receita publicitária de R$ 126 bilhões por ano.
O Google promete disponibilizar programas do mundo todo com legendas e tradução simultânea para qualquer idioma.
Para entender como funciona na prática, assista ao vídeo (em inglês) abaixo:



Link externo: http://www.google.com/tv/

09 junho 2011

VICTIMLESS LEATHER


A partir da década de 90 alguns artistas começaram a trabalhar com uma arte biológica, de caráter experimental, estritamente “viva” - a bioarte - produzida em laboratórios científicos e estúdios criados pelos artistas. Esta arte tem como meio a utilização de células, proteínas, DNA, bactérias, tecido vivo, sangue e congêneres, e defende o limite da categoria no estrito tópico das “formas vivas”, usada como prática da arte, onde sua ferramenta é a biotecnologia – por exemplo, a engenharia genética e a clonagem. Além de artistas dessa nova mídia eles também podem ser vistos como cientistas.


A obra Victimless Leather, um projeto sobre a cultura de tecidos, investiga a possibilidade da produção de "couro" sem matar um animal. Três peças de vestuário em miniatura, sem costura, são tecidos vivos cultivados na galeria. Os artistas Oron Catts e Ionat Zurr estão por trás do premiado projeto do laboratório ‘SymbioticA’ (Golden Nica no Hybrid Art Prix Ars Electronica 2007), o centro de investigação biotecnológica baseado na Austrália, dedicado à investigação artística.


Oron Catts e Ionat Zurr desenvolvem tecidos vivos em estatuetas de vidro e, através de uma montagem digital podem ver diferentes tipos de células em crescimento no microscópio. Em cima do tecido conjuntivo podemos ver também o crescimento dos tecidos da pele. As cores são obtidas utilizando diferentes corantes e filtros. Em seguida vemos crescer o tecido muscular sobre bi-polímeros. Numa próxima etapa os artistas farão crescer as células musculares e neurônios ao longo de bipolímeros.

VIDEOS: ENTREVISTA COM ORON CATTS

PARTE 1



PARTE 2



A intenção desses artistas é no futuro trabalhar com o cultivo de órgãos, que é uma forma mais complexa de cultura de uma coleção de tecidos. Eles utilizam tecidos de coelhos e ratos, e preferem chamar o que estão criando de “tecidos derivados".

BIOTEKNICA: TERATOLOGICAL PROTOTYPES



Há muito que falar sobre a clonagem e a engenharia genética, mas há outros aspectos biológicos relacionados com as tecnologias que vão ser bastante dominantes no futuro. Esses artistas acreditam que um deles vai ser engenharia de tecidos, que é o uso das estruturas construídas artificialmente, em que você atribui células normalmente para substituir um defeito ou partes do corpo ferido.


O trabalho aborda as implicações morais do uso de partes de animais mortos por razões de proteção e estética, e levanta questões éticas sobre a exploração e manipulação de outros seres vivos, analisando a validade das promessas tecnológicas promovidas como uma solução para resolvê-los.

ORON CATTS'S 'VICTMLESS LEATHER'



‘Victimless Leather’ (couro sem vítimas), obra de Oron Catts e Ionat Zurr, foi parte de uma exposição do Centro Cultural FACT, em Liverpool - a ‘Sk-interfaces’, e também foi exibida na ‘Science Gallery’ - um centro de arte e ciência, público, localizado em Dublin.

A APLICAÇÃO COMERCIAL



Para a biotecnologia, fazer com que tecidos cresçam sobre placas de Petri já não é novidade, mas para a indústria da moda, a possibilidade de se apropriar dessas tecnologias, a fim de construir novos materiais, ainda é uma incógnita que vai sendo desvendada.



VIDEO: SymbioticA, ELECTRONICA FESTIVAL 2007



Para pesquisar e trabalhar essas possibilidades numa esfera mais conceitual, existe o laboratório ‘SymbioticA’, localizado na Escola de Anatomia e Biologia Humana da Universidade de Western Austrália, dedicado à pesquisa e discussão da biociência sob uma ótica artística. Mas para os cientistas/ bioartistas, o foco do projeto Victimless Leather (couro sem vítima), não é criar outro produto de consumo, e sim levantar questões sobre a exploração de outros seres vivos. “Não é o nosso papel prover as pessoas de novos produtos para suas vidas, mas de fazê-las ver nosso trabalho sobre um aspecto cultural”, afirma a dupla ao justificar o projeto. Além do casaco, Catts e Zurr desenvolveram um vestido arlequim multirracial (feito com diversos tipos de pele) com a artista francesa Orlan (veja aqui: http://noholodeck.blogspot.com/2011/04/arte-biotecnologia-orlan.html).

BIOJEWELLERY


Num âmbito mais comercial, porém integrado ao mesmo conceito, está a biojoia idealizada por Tobie Kerridge e Nikki Stott. O projeto ‘Biojewellery’ testa a produção de anéis feitos de ossos de humanos biologicamente cultivados em bioplástico. Ou seja, um casal pode criar uma aliança feita de células dos ossos de ambos, por exemplo, tirados do dente siso, tendo assim uma peça única e simbólica de sua união.

VIDEO: BIOJEWELLERY - WHAT IF...Human tissue could be used to make objects?



BIO-COUTURE


Voltando à esfera dos tecidos, o projeto ‘BioCouture’, idealizado pela pesquisadora da faculdade inglesa Central Saint Martins, Suzanne Lee, tem chamado atenção por utilizar bactérias que produzem celulose como uma forma de cultivar tecidos.

VIDEO: BIOCOUTURE DESIGNER SUZANNE LEE ON GROWING YOUR OWN CLOTHES



A técnica, aparentemente simples, é quase uma receita caseira na qual Lee mistura a bactéria com um fungo fermentador numa solução de chá doce. Ao longo de alguns dias, a bactéria forma camadas de fibras, que, quando atingem o tamanho ideal, são retiradas e secas. O resultado é um material que parece um couro papelizado meio transparente e tem a vantagem de poder continuar crescendo, bastando para isto recolocar o tecido na solução de chá doce.


Na fase atual do projeto, Lee está experimentando tingir tecidos com pigmento retirado de frutas, legumes e temperos. O processo, que começou a ser estudado em 2006 e já produziu algumas jaquetas, é altamente sustentável. O próximo passo será cultivar um vestido inteiro dentro de uma piscina de chá doce.


O projeto de Lee não só atende à preocupação ecológica que predomina em qualquer processo produtivo, mas também traz à tona outra questão recorrente ao design atual, que é a possibilidade de o consumidor fazer o próprio produto (do it yourself). Uma tendência que já é forte nas cozinhas domésticas (vide a proliferação de hortas e jardins urbanos) e que se aproxima da moda cada vez mais, especialmente devido ao momento financeiro desfavorável em que o mundo se encontra hoje.

VIDEO: SUZANNE LEE: GROW YOUR OWN CLOTHES



Links externos:
http://www.biojewellery.com/
http://www.symbiotica.uwa.edu.au/
http://www.biocouture.co.uk/
http://www.tca.uwa.edu.au/