26 maio 2011

GOOGLE ART PROJECT


Desde 1º de Fevereiro deste ano os amantes da arte contam uma ferramenta imprescindível chamada "Art Project": uma iniciativa do Google, que permite a qualquer utilizador descubrir e visualizar, virtualmente, mais de 1000 obras de mais de 400 artistas em 17 dos principais museus do mundo, com uma qualidade de imagem excepcional e com a possibilidade de interagir com todas elas.

ART PROJECT - TEASER



O Metropolitan Museum of Art, Hermitage, Palácio de Versalhes, Rijksmuseum, Tate, Reina Sofía e o Thyssen estão entre as instituições que colaboraram com este projeto, que propõe também um percurso virtual de 360 graus pelas galerias dos museus graças à tecnologia street-view.


Obras como "Noite estrelada" de Van Gogh, do Moma de Nova York, "A aparição de Cristo ao povo" de Alexander Ivanov da Galeria Tretyakov de Moscou, ou "O nascimento de Vênus" de Sandro Botticelli da Galleria degli Uffizi poderão ser vistas com um detalhe minucioso.

ART PROJECT - BEHIND THE SCENES



O Google conseguiu as obras com uma resolução de 7 bilhões de pixels (uma qualidade de imagem mil vezes superior à das câmaras digitais convencionais), o que permite ver com visão microscópica os detalhes do traço das obras. As imagens são acompanhadas das explicações em vídeos do YouTube, de uns três minutos de duração, com especialistas da arte. O projeto foi apresentado na galeria Tate Britain, cujo diretor Nicholas Serota destacou que o "Art Project" "dá uma oportunidade sem igual de aproximação às grandes obras de arte".


O vice-presidente tecnológico do Google para a Europa, África e o Oriente Médio, o brasileiro Nelson Mattos, considerou que se trata "de um grande passo adiante na maneira pela qual as pessoas interagem com estas maravilhosas peças de arte" e ressaltou que o projeto facilitará o acesso à arte para milhões de pessoas que não podem visitar um museu.
Mattos afirmou ainda que o "Art Project" nasce com a vocação de chegar a outros museus importantes que não estão na lista, como os renomados Louvre e Prado.
Amit Sood, diretor do projeto, não quis entrar em detalhes sobre as razões que impediram que estes museus estivessem na lista, mas afirmou que "a porta segue aberta".


O procurador de internet que financia integralmente este programa, conseguiu colocá-lo em andamento em um ano e meio, graças à participação de um grupo de trabalhadores do próprio Google que embarcou no que a empresa chama de "projetos 20%".
Trata-se de programas de incentivos aos empregados da companhia, que passam a dedicar um quinto de sua jornada de trabalho a pensar em iniciativas que potencialmente poderão se transformar em um produto, como ocorreu com o "Art Project".


Miguel Ángel Recio, diretor-gerente do Thyssen, se mostrou muito satisfeito com o produto e convencido de que, longe de afastar os visitantes dos museus, este projeto servirá para estimular novas visitas e atrair "outro tipo de usuário".
"Para nós é muito positivo, porque servirá para atrair pessoas que até agora não conhecem nada", disse Recio.
O endereço da página é http://www.googleartproject.com/

ART PROJECT - HOW TO USE THE SITE


22 maio 2011

O TRÁFEGO AÉREO SEGUNDO A NASA


Esta simulação representa 24 horas de viagens de avião, em todo o planeta, onde cada segundo do vídeo representa aproximadamente 20 minutos reais. Cada ponto amarelo representa um vôo com pelo menos 200 passageiros.
As imagens permitem verificar que os vôos dos EUA partem, para a Europa, principalmente à noite e retornam durante o dia. O deslocamento da terra em relação ao sol revela que é verão no hemisfério norte.

13 maio 2011

SAMUEL BECKETT: ‘NOT I’

Escritor e dramaturgo irlandês, Samuel Beckett (1906-1989), engaja em sua obra uma severa crítica à modernidade, centrada nos domínios da razão, da linguagem e do intelecto. Suas novelas, peças e poemas não utilizam o vocabulário para transmitir conceitos ou contar histórias, mas dedicam-se a fazer emergir uma dimensão autônoma e corporal da escrita e da fala. Ainda, a vasta obra de Beckett abrange também produções para os meios radiofônico, televisivo e cinematográfico.
A peça de teatro Not I escrita em 1972, foi encenada neste mesmo ano no Forum Theatre do Lincoln Center, em Nova Iorque com performance de Jessica Tandy como Boca e encenação de Alan Schneider. Na Europa, foi encenada pela primeira vez no Royal Court Theatre em Londres em 1973 com a performance da aclamada atriz inglesa Billie Whitelaw e encenação de Anthony Page.

A performance, se desenvolve com dois personagens, a Boca e o Ouvinte. Todo o palco encontra-se na escuridão, a não ser pelo foco de luz na Boca, que se encontra suspensa a aproximadamente 2,5m do solo no lado direito, e no Ouvinte, que está em pé e fracamente iluminado a aproximadamente 1,20m do solo no lado esquerdo. O Ouvinte está vestido com um roupão preto da cabeça aos pés e permanece imóvel, olhando para a Boca, durante quase toda a peça. A Boca está falando de si mesma, mas toda a sua verborragia acontece na terceira pessoa e em cada uma das quatro vezes em que ela afirma: “what?.. who?.. no!.. she!..”, o Ouvinte levanta os braços numa atitude impotente e cheia de piedade. Beckett afirma que o Ouvinte levanta os braços somente para que a Boca possa se recuperar de sua recusa veemente em abandonar o discurso na terceira pessoa.


Segundo a pesquisadora Gabriela Borges - Mestre e Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a criação de Not I foi inspirada na obra A decapitação de São João Batista, do pintor italiano Caravaggio. Numa viagem a Malta, Beckett visitou a Catedral de São João Batista, onde se encontra o original que o inspirou na criação da boca descorporificada da peça. Em termos imagéticos, pode-se traçar um paralelo entre a cabeça degolada de São João Batista e a boca sem corpo de Not I, e entre a figura do Ouvinte, que presencia calado a verborragia de Boca e a imagem dos dois homens curiosos que assistem ao degolamento.
Porém, em termos de origem, talvez a relação intersemiótica mais pertinente a ser traçada seja entre Not I e as obras do artista irlandês Francis Bacon que trabalham com o tema do grito, principalmente a série de estudos dedicada aos papas. Bacon, como Beckett, emigrou da Irlanda ainda jovem e não se sentia confortável na cultura irlandesa, principalmente devido ao conservadorismo da Igreja Católica e ao preconceito pelo fato de ser homossexual. O grito tem uma importância vital na sua obra. É a forma mais elementar da expressão humana de dor e sofrimento e requer muita precisão e concentração para ser retratado em termos pictóricos.

Por sua natureza enigmática e hipnotizante, Not I foi encenada em vários países, mas para Beckett a melhor versão da peça e, de uma certa maneira, a versão definitiva foi realizada pela televisão BBC. Em 1973, Beckett tinha concedido os direitos autorais para que a adaptação de Not I fosse feita depois do término da temporada no Royal Court Theatre. A tele-peça seria produzida pela BBC, desde que fosse aprovada por ele e pela atriz Billie Whitelaw. Uma das razões que fez com que Beckett convidasse Billy Whitelaw, foi o fato dela nunca perguntar o significado das suas peças. Para Whitelaw, as palavras tinham um ritmo próprio que deveria ser respeitado para que elas fossem encenadas da maneira que tinham sido imaginadas e o seu corpo servia apenas como um instrumento regido pelo maestro Beckett.

Em 1975, o produtor Tristam Powell gravou um piloto em que somente a boca de Whitelaw aparecia em close-up. A atriz passou por várias privações devido ao aparato em que foi submetida para encenar a peça. O assento em que se encontrava, com os olhos vendados e a cabeça presa, parecia uma cadeira elétrica.
Com a aprovação da idéia, a transcriação foi gravada em 1976 sob a direção de Anthony Page e supervisão de Beckett. O texto teatral de Not I pode ser visto como uma “forma-prisão” a partir do qual a equipe de produção da BBC gravou um plano-sequência da performance da boca de Whitelaw, em close-up, expelindo todos aqueles sons, mas sem a presença do Ouvinte, que se tornou então a audiência.

Clique no link abaixo e leia o ensaio científico "A BOCA VERBORRÁGICA DE SAMUEL BECKETT", escrito pela pesquisadora Gabriela Borges - http://veronica.estc.ipl.pt/numeros/numero_1/08_gabriela_borges.pdf