13 maio 2011

SAMUEL BECKETT: ‘NOT I’

Escritor e dramaturgo irlandês, Samuel Beckett (1906-1989), engaja em sua obra uma severa crítica à modernidade, centrada nos domínios da razão, da linguagem e do intelecto. Suas novelas, peças e poemas não utilizam o vocabulário para transmitir conceitos ou contar histórias, mas dedicam-se a fazer emergir uma dimensão autônoma e corporal da escrita e da fala. Ainda, a vasta obra de Beckett abrange também produções para os meios radiofônico, televisivo e cinematográfico.
A peça de teatro Not I escrita em 1972, foi encenada neste mesmo ano no Forum Theatre do Lincoln Center, em Nova Iorque com performance de Jessica Tandy como Boca e encenação de Alan Schneider. Na Europa, foi encenada pela primeira vez no Royal Court Theatre em Londres em 1973 com a performance da aclamada atriz inglesa Billie Whitelaw e encenação de Anthony Page.

A performance, se desenvolve com dois personagens, a Boca e o Ouvinte. Todo o palco encontra-se na escuridão, a não ser pelo foco de luz na Boca, que se encontra suspensa a aproximadamente 2,5m do solo no lado direito, e no Ouvinte, que está em pé e fracamente iluminado a aproximadamente 1,20m do solo no lado esquerdo. O Ouvinte está vestido com um roupão preto da cabeça aos pés e permanece imóvel, olhando para a Boca, durante quase toda a peça. A Boca está falando de si mesma, mas toda a sua verborragia acontece na terceira pessoa e em cada uma das quatro vezes em que ela afirma: “what?.. who?.. no!.. she!..”, o Ouvinte levanta os braços numa atitude impotente e cheia de piedade. Beckett afirma que o Ouvinte levanta os braços somente para que a Boca possa se recuperar de sua recusa veemente em abandonar o discurso na terceira pessoa.


Segundo a pesquisadora Gabriela Borges - Mestre e Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a criação de Not I foi inspirada na obra A decapitação de São João Batista, do pintor italiano Caravaggio. Numa viagem a Malta, Beckett visitou a Catedral de São João Batista, onde se encontra o original que o inspirou na criação da boca descorporificada da peça. Em termos imagéticos, pode-se traçar um paralelo entre a cabeça degolada de São João Batista e a boca sem corpo de Not I, e entre a figura do Ouvinte, que presencia calado a verborragia de Boca e a imagem dos dois homens curiosos que assistem ao degolamento.
Porém, em termos de origem, talvez a relação intersemiótica mais pertinente a ser traçada seja entre Not I e as obras do artista irlandês Francis Bacon que trabalham com o tema do grito, principalmente a série de estudos dedicada aos papas. Bacon, como Beckett, emigrou da Irlanda ainda jovem e não se sentia confortável na cultura irlandesa, principalmente devido ao conservadorismo da Igreja Católica e ao preconceito pelo fato de ser homossexual. O grito tem uma importância vital na sua obra. É a forma mais elementar da expressão humana de dor e sofrimento e requer muita precisão e concentração para ser retratado em termos pictóricos.

Por sua natureza enigmática e hipnotizante, Not I foi encenada em vários países, mas para Beckett a melhor versão da peça e, de uma certa maneira, a versão definitiva foi realizada pela televisão BBC. Em 1973, Beckett tinha concedido os direitos autorais para que a adaptação de Not I fosse feita depois do término da temporada no Royal Court Theatre. A tele-peça seria produzida pela BBC, desde que fosse aprovada por ele e pela atriz Billie Whitelaw. Uma das razões que fez com que Beckett convidasse Billy Whitelaw, foi o fato dela nunca perguntar o significado das suas peças. Para Whitelaw, as palavras tinham um ritmo próprio que deveria ser respeitado para que elas fossem encenadas da maneira que tinham sido imaginadas e o seu corpo servia apenas como um instrumento regido pelo maestro Beckett.

Em 1975, o produtor Tristam Powell gravou um piloto em que somente a boca de Whitelaw aparecia em close-up. A atriz passou por várias privações devido ao aparato em que foi submetida para encenar a peça. O assento em que se encontrava, com os olhos vendados e a cabeça presa, parecia uma cadeira elétrica.
Com a aprovação da idéia, a transcriação foi gravada em 1976 sob a direção de Anthony Page e supervisão de Beckett. O texto teatral de Not I pode ser visto como uma “forma-prisão” a partir do qual a equipe de produção da BBC gravou um plano-sequência da performance da boca de Whitelaw, em close-up, expelindo todos aqueles sons, mas sem a presença do Ouvinte, que se tornou então a audiência.

Clique no link abaixo e leia o ensaio científico "A BOCA VERBORRÁGICA DE SAMUEL BECKETT", escrito pela pesquisadora Gabriela Borges - http://veronica.estc.ipl.pt/numeros/numero_1/08_gabriela_borges.pdf

10 maio 2011

HOT SITE IN BOX

A banda In Box, acaba de lançar um Hot site para a divulgação do seu novo trabalho - o DVD ‘Passado, Presente, Futuro’. Lá é possível assistir os vídeos das músicas, assim como aos extras - um tour pelo cenário, fotos da banda longe dos palcos e créditos. Ainda, todos os dias serão liberados novos conteúdos!!!
Em http://www.passadopresentefuturo.com/site/


In Box - Você me faz tão bem - Videoclipe Oficial por superalbertofilho

06 maio 2011

CELEBRIDADE HISTÓRICA: LAIKA (1954 - 1957)


Laika era uma cadela que vivia solta nas ruas de Moscou e tinha três anos de idade quando foi capturada para o programa espacial soviético. Originalmente a chamaram Kudryavka (risadinha), depois Zhuchka (bichinho), e logo Limonchik (limãozinho), para finalmente chamá-la de Laika devido à sua raça.

Seu treinamento estava a cargo do cientista Oleg Gazenko e consistia em acostumar os cães ao ambiente que encontrariam na viagem, como o espaço reduzido da cápsula, os ruídos, vibrações e acelerações. O mesmo processo geral seria utilizado mais tarde no treinamento dos cosmonautas soviéticos.
Laika foi o primeiro ser vivo terrestre a orbitar a Terra e o fez a bordo da nave soviética Sputnik II, um mês depois do lançamento do satélite Sputnik I, o primeiro objeto artificial a entrar em órbita.

O Sputnik II foi lançado em 3 de novembro de 1957. Os sinais vitais da Laika eram seguidos telemetricamente por controle em terra. Ao alcançar a órbita, uma seção da nave que deveria desprender-se não o fez, impedindo que o sistema do controle térmico funcionasse corretamente. A recepção de dados vitais parou entre cinco e sete horas depois da decolagem. No entanto, Moscou divulgou que em poucos dias Laika desceria à Terra, e as pessoas ficaram esperando o seu regresso.

Durante anos a União Soviética deu explicações contraditórias sobre a morte de Laika, até que em outubro de 2002, o cientista Dimitri Malashenkov, que participou no lançamento do Sputnik II, revelou que Laika havia morrido entre cinco e sete horas depois da decolagem, devido ao estresse e superaquecimento. O Sputnik II finalmente explodiu (junto com os restos de Laika) ao entar em contato com a atmosfera, em 14 de abril de 1958, após 163 dias e 2.570 órbitas em volta da Terra.

Depois de Laika, nenhuma outra missão tripulada por cães foi lançada sem que existisse um sistema para o retorno seguro do animal. A deliberada morte de Laika desencadeou um debate mundial sobre os avanços científicos à custa de testes com animais. Vários grupos protetores dos direitos animais protestaram em frente das embaixadas soviéticas.
Somente em 1988, após o colapso do regime soviético, que Oleg Gazenko, um dos cientistas responsáveis por mandar Laika ao espaço, expressou remorso por permitir a morte dela: "Quanto mais tempo passa, mais lamento o sucedido. Não deveríamos ter feito isso.... nem sequer aprendemos o suficiente desta missão, para justificar a perda do animal".
Em 11 de abril de 2008 foi inaugurado um monumento em honra à Laika no centro de Moscou. O monumento foi colocado em uma alameda perto do Instituto de Medicina Militar onde ocorreram, há mais de meio século, os experimentos científicos com a participação da célebre cadela.

VIDEO:LAIKA THE DOG