06 maio 2011

CELEBRIDADE HISTÓRICA: LAIKA (1954 - 1957)


Laika era uma cadela que vivia solta nas ruas de Moscou e tinha três anos de idade quando foi capturada para o programa espacial soviético. Originalmente a chamaram Kudryavka (risadinha), depois Zhuchka (bichinho), e logo Limonchik (limãozinho), para finalmente chamá-la de Laika devido à sua raça.

Seu treinamento estava a cargo do cientista Oleg Gazenko e consistia em acostumar os cães ao ambiente que encontrariam na viagem, como o espaço reduzido da cápsula, os ruídos, vibrações e acelerações. O mesmo processo geral seria utilizado mais tarde no treinamento dos cosmonautas soviéticos.
Laika foi o primeiro ser vivo terrestre a orbitar a Terra e o fez a bordo da nave soviética Sputnik II, um mês depois do lançamento do satélite Sputnik I, o primeiro objeto artificial a entrar em órbita.

O Sputnik II foi lançado em 3 de novembro de 1957. Os sinais vitais da Laika eram seguidos telemetricamente por controle em terra. Ao alcançar a órbita, uma seção da nave que deveria desprender-se não o fez, impedindo que o sistema do controle térmico funcionasse corretamente. A recepção de dados vitais parou entre cinco e sete horas depois da decolagem. No entanto, Moscou divulgou que em poucos dias Laika desceria à Terra, e as pessoas ficaram esperando o seu regresso.

Durante anos a União Soviética deu explicações contraditórias sobre a morte de Laika, até que em outubro de 2002, o cientista Dimitri Malashenkov, que participou no lançamento do Sputnik II, revelou que Laika havia morrido entre cinco e sete horas depois da decolagem, devido ao estresse e superaquecimento. O Sputnik II finalmente explodiu (junto com os restos de Laika) ao entar em contato com a atmosfera, em 14 de abril de 1958, após 163 dias e 2.570 órbitas em volta da Terra.

Depois de Laika, nenhuma outra missão tripulada por cães foi lançada sem que existisse um sistema para o retorno seguro do animal. A deliberada morte de Laika desencadeou um debate mundial sobre os avanços científicos à custa de testes com animais. Vários grupos protetores dos direitos animais protestaram em frente das embaixadas soviéticas.
Somente em 1988, após o colapso do regime soviético, que Oleg Gazenko, um dos cientistas responsáveis por mandar Laika ao espaço, expressou remorso por permitir a morte dela: "Quanto mais tempo passa, mais lamento o sucedido. Não deveríamos ter feito isso.... nem sequer aprendemos o suficiente desta missão, para justificar a perda do animal".
Em 11 de abril de 2008 foi inaugurado um monumento em honra à Laika no centro de Moscou. O monumento foi colocado em uma alameda perto do Instituto de Medicina Militar onde ocorreram, há mais de meio século, os experimentos científicos com a participação da célebre cadela.

VIDEO:LAIKA THE DOG



03 maio 2011

MIES VAN DER ROHE: FARNSWORTH HOUSE


Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969) é considerado um dos mais importantes arquitetos do século XX, tendo sido um dos principais mentores do modernismo.
Em 1946 a física Edith Farnsworth encomendou a Mies van der Rohe uma casa de fim de semana que fosse "arquitetura séria". Pouco tempo depois Mies apresentou-lhe os primeiros esboços daquele que viria a tornar-se um polêmico ícone do modernismo.


Os planos da casa que Mies apresentou a Edith Farnsworth revelavam o resultado prático do lema do arquiteto: "Less is More".
A casa consiste em duas placas de betão suportadas por oito vigas de aço. Todo o chão está suspenso destas vigas, como se a casa flutuasse sobre o solo que ocupa. A cobertura é uma placa igual à do chão, absolutamente paralela àquela. Todas as paredes são de vidro e não há divisões internas, com a exceção de uma estrutura que suporta a área da cozinha, espaço de arrumação e as instalações sanitárias. O acesso acontece por um conjunto de degraus que leva ao pequeno terraço da entrada, também coberto.


A doutora Farnsworth aprovou os planos, mas parece que se apaixonou tanto pela obra quanto pelo autor. Foram precisos quatro anos de trabalho para executar um plano que parecia simples. Consta que durante esse período a sua relação se aprofundou. Os seus encontros eram freqüentes e longos, muitas vezes na própria obra. A perfeição com que o projeto foi sendo executado é seguramente fruto de uma profunda paixão, resta saber se artística, se amorosa.


Quando tudo ficou concluído, o relacionamento acabou. Então Mies deu à Edith as chaves da sua nova casa e a conta do projeto – US$ 73.000 dólares. Edith Farnsworth processou o arquiteto pelo elevado preço, mas o fato de ter acompanhado tão intensamente a construção pesou contra si e perdeu o processo. Depois escreveu vários artigos contra a casa e contra Mies. Dizia que viver naquela casa não era bem o mesmo que contemplar os seus planos, que as contas de aquecimento eram exageradas, etc.
Irritada com o arquiteto disse a quem a quis ouvir, que: "Less is not more. It is simply less!"


Parece que a casa tinha de fato uns problemas, apesar de ter uma construção tão perfeitamente executada, mas há alguns aspectos que são verdadeiramente fascinantes: a ligação visual com o exterior, o fato de a casa estar descolada do solo, a simplicidade das linhas e a continuidade do interior, sem divisões...


A Farnsworth House ilustra o pensamento modernista do arquiteto alemão Mies van der Rohe: "menos é mais". A residência, localizada em Illinois (EUA), tem por característica a transparência e a fluidez dos espaços, e a aparente inexistência da conexão público-privado. Seu desenho é composto por linhas mínimas, uma linguagem de planos superpostos e a ilusão de que ela está flutuando sobre o solo. Com este exemplo Mies ajudou a criar o gênero arquitetônico conhecido como minimalismo.

VIDEOS

MIES VAN DER ROHE'S FARNSWORTH HOUSE – parte 1



MIES VAN DER ROHE'S FARNSWORTH HOUSE – parte 2



MIES VAN DER ROHE'S FARNSWORTH HOUSE – parte 3




Link externo: http://www.farnsworthhouse.org/

27 abril 2011

FOTOGRAFIA E VIDEO-ARTE: ROSÂNGELA RENNÓ


“A expansão da imagem, na obra de Rennó, atinge outro patamar de complexidade a partir dos trabalhos com sua coleção de textos de jornal que fazem referência à fotografia. As várias séries que constituem o projeto em processo Arquivo universal (desde 1992) apresentam textos usados e manipulados como fotografias.
Os critérios para seleção e edição dos textos são os mesmos usados para as fotografias. Assim como na imagem, a manipulação dos textos ocorre no sentido de eliminar especificidades e referências espaço-temporais. Em entrevista ao crítico e curador Paulo Herkenhoff, Rosângela afirma que sob orientação do professor Eduardo Peñuela, na USP, “houve um aguçamento da vontade de trabalhar com jogos intertextuais. Daí nasceu o interesse pelo texto substituindo a imagem”.

Assim como o interesse pela intertextualidade visual já estava presente nos anos de formação, a experiência com o cinema também é uma condição inerente ao trabalho da artista. Mesmo que a obra em vídeo só viesse a acontecer mais adiante, a partir de Vera Cruz (2000) e Espelho diário (2001), as questões relacionadas à imagem em movimento que surgiram nas aulas de cinema foram imediatamente incorporadas à pesquisa artística de Rennó.

ENTREVISTA COM ROSÂNGELA RENNÓ



Elas aparecem já em uma de suas primeiras individuais, Anti-cinema, realizada na Galeria Corpo, em Belo Horizonte, em 1989. Na exposição, alguns trabalhos prestavam homenagem a Muybridge e Etiene-Jules Marey, os pais da fotografia seqüencial, e aos artistas Marcel Duchamp e Jan Dibbets. Tratava-se de uma série de fotografias montadas sobre discos LP, que deveriam ser “rodadas” em tocadiscos antigos. Outras obras dialogavam diretamente com a matéria-prima do cinema: uma série de fotografias de grande formato, feitas a partir dos fotogramas de cinema achados no lixo da ECA-USP. Outro objeto, Detector de primaveras (1989), feito com um antigo flash de bulbo, girava e piscava sobre um pedestal e completava a reflexão sobre a interlocução entre as artes visuais, a fotografia e o cinema.”

Paula Alzugaray

Aqui: http://www.rosangelarenno.com.br/uploads/File/alzugarayPort.pdf