03 maio 2011

MIES VAN DER ROHE: FARNSWORTH HOUSE


Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969) é considerado um dos mais importantes arquitetos do século XX, tendo sido um dos principais mentores do modernismo.
Em 1946 a física Edith Farnsworth encomendou a Mies van der Rohe uma casa de fim de semana que fosse "arquitetura séria". Pouco tempo depois Mies apresentou-lhe os primeiros esboços daquele que viria a tornar-se um polêmico ícone do modernismo.


Os planos da casa que Mies apresentou a Edith Farnsworth revelavam o resultado prático do lema do arquiteto: "Less is More".
A casa consiste em duas placas de betão suportadas por oito vigas de aço. Todo o chão está suspenso destas vigas, como se a casa flutuasse sobre o solo que ocupa. A cobertura é uma placa igual à do chão, absolutamente paralela àquela. Todas as paredes são de vidro e não há divisões internas, com a exceção de uma estrutura que suporta a área da cozinha, espaço de arrumação e as instalações sanitárias. O acesso acontece por um conjunto de degraus que leva ao pequeno terraço da entrada, também coberto.


A doutora Farnsworth aprovou os planos, mas parece que se apaixonou tanto pela obra quanto pelo autor. Foram precisos quatro anos de trabalho para executar um plano que parecia simples. Consta que durante esse período a sua relação se aprofundou. Os seus encontros eram freqüentes e longos, muitas vezes na própria obra. A perfeição com que o projeto foi sendo executado é seguramente fruto de uma profunda paixão, resta saber se artística, se amorosa.


Quando tudo ficou concluído, o relacionamento acabou. Então Mies deu à Edith as chaves da sua nova casa e a conta do projeto – US$ 73.000 dólares. Edith Farnsworth processou o arquiteto pelo elevado preço, mas o fato de ter acompanhado tão intensamente a construção pesou contra si e perdeu o processo. Depois escreveu vários artigos contra a casa e contra Mies. Dizia que viver naquela casa não era bem o mesmo que contemplar os seus planos, que as contas de aquecimento eram exageradas, etc.
Irritada com o arquiteto disse a quem a quis ouvir, que: "Less is not more. It is simply less!"


Parece que a casa tinha de fato uns problemas, apesar de ter uma construção tão perfeitamente executada, mas há alguns aspectos que são verdadeiramente fascinantes: a ligação visual com o exterior, o fato de a casa estar descolada do solo, a simplicidade das linhas e a continuidade do interior, sem divisões...


A Farnsworth House ilustra o pensamento modernista do arquiteto alemão Mies van der Rohe: "menos é mais". A residência, localizada em Illinois (EUA), tem por característica a transparência e a fluidez dos espaços, e a aparente inexistência da conexão público-privado. Seu desenho é composto por linhas mínimas, uma linguagem de planos superpostos e a ilusão de que ela está flutuando sobre o solo. Com este exemplo Mies ajudou a criar o gênero arquitetônico conhecido como minimalismo.

VIDEOS

MIES VAN DER ROHE'S FARNSWORTH HOUSE – parte 1



MIES VAN DER ROHE'S FARNSWORTH HOUSE – parte 2



MIES VAN DER ROHE'S FARNSWORTH HOUSE – parte 3




Link externo: http://www.farnsworthhouse.org/

27 abril 2011

FOTOGRAFIA E VIDEO-ARTE: ROSÂNGELA RENNÓ


“A expansão da imagem, na obra de Rennó, atinge outro patamar de complexidade a partir dos trabalhos com sua coleção de textos de jornal que fazem referência à fotografia. As várias séries que constituem o projeto em processo Arquivo universal (desde 1992) apresentam textos usados e manipulados como fotografias.
Os critérios para seleção e edição dos textos são os mesmos usados para as fotografias. Assim como na imagem, a manipulação dos textos ocorre no sentido de eliminar especificidades e referências espaço-temporais. Em entrevista ao crítico e curador Paulo Herkenhoff, Rosângela afirma que sob orientação do professor Eduardo Peñuela, na USP, “houve um aguçamento da vontade de trabalhar com jogos intertextuais. Daí nasceu o interesse pelo texto substituindo a imagem”.

Assim como o interesse pela intertextualidade visual já estava presente nos anos de formação, a experiência com o cinema também é uma condição inerente ao trabalho da artista. Mesmo que a obra em vídeo só viesse a acontecer mais adiante, a partir de Vera Cruz (2000) e Espelho diário (2001), as questões relacionadas à imagem em movimento que surgiram nas aulas de cinema foram imediatamente incorporadas à pesquisa artística de Rennó.

ENTREVISTA COM ROSÂNGELA RENNÓ



Elas aparecem já em uma de suas primeiras individuais, Anti-cinema, realizada na Galeria Corpo, em Belo Horizonte, em 1989. Na exposição, alguns trabalhos prestavam homenagem a Muybridge e Etiene-Jules Marey, os pais da fotografia seqüencial, e aos artistas Marcel Duchamp e Jan Dibbets. Tratava-se de uma série de fotografias montadas sobre discos LP, que deveriam ser “rodadas” em tocadiscos antigos. Outras obras dialogavam diretamente com a matéria-prima do cinema: uma série de fotografias de grande formato, feitas a partir dos fotogramas de cinema achados no lixo da ECA-USP. Outro objeto, Detector de primaveras (1989), feito com um antigo flash de bulbo, girava e piscava sobre um pedestal e completava a reflexão sobre a interlocução entre as artes visuais, a fotografia e o cinema.”

Paula Alzugaray

Aqui: http://www.rosangelarenno.com.br/uploads/File/alzugarayPort.pdf

25 abril 2011

EDGARD VARESE E LE CORBUSIER: POEME-ELECTRONIQUE, 1958


O Poema Eletrônico foi apresentado, pela primeira vez, na Feira Mundial de 1958, em Bruxelas, através de 425 auto-falantes instalados em todo o pavilhão Philips. Agrupados em colméias, os conjuntos de alto-falantes criavam rotas de som que permitia a música correr em diversas direções, destacando certas regiões do pavilhão. Seu posicionamento e a concepção do edifício deu aos espectadores a sensação de estarem alojados dentro de uma concha prateada de concreto.

Um modelo gigante de um átomo pendia do teto e o som e imagem, na sala lotada, foram certamente chocantes e devastadores para todos os que testemunharam o espetáculo. Henry Miller o descreveu como um “estratosférico colosso de som”.


Quando a Philips (empresa de eletrônicos) abordou Le Corbusier para projetar um edifício para a feira, ele respondeu: "Não vou fazer um pavilhão para você (Philips), mas um poema eletrônico e um recipiente contendo um poema; luz, cor, imagem , ritmo e som, combinados em uma síntese orgânica "

Na sua auto-assumida condição de diretor do projeto, Le Corbusier exigiu a participação do compositor francês naturalizado americano Edgard Varèse (1883-1965), excluindo outros músicos inicialmente considerados, como Benjamin Britten (1913-1976), compositor, pianista e maestro e britânico.


A proposta de Le Corbusier, para participar no Poème Électronique foi imediatamente aceita por Varèse. Constituía não só um valioso encargo, como também a possibilidade de dispor do laboratório Philips em Eindhoven, com condições que até então não tinha podido sonhar para produzir música eletrônica.

A composição Poème Électronique foi concebida segundo o critério ‘varesiano’ de son organisée (som organizado), distinguindo-se da música de estrutura melódica. Consistia numa sequência gravada que incluía sons gerados eletronicamente ou naturais (música concreta). O Poème alcançou um importante reconhecimento e é considerado uma obra importante do último período de Varèse.


Simultaneamente com a música de Varèse, e sem nenhum critério de sincronização, projetava-se a sequência visual concebida por Le Corbusier, que abrangia desde a gênese do mundo até a nova civilização exemplificada em obras do próprio arquiteto.



A procura de uma síntese das artes faz parte da agenda cultural posterior à II Guerra Mundial. O Pavilhão Philips representa um esforço evidente de Le Corbusier em realizar uma obra de arte total, utilizando tecnologia de vanguarda e apresentando-se como um artista que ultrapassa os limites da arquitetura, das artes visuais e da literatura, mas também reflete uma abertura para a música. Mais ou menos simultaneamente com a concepção do seu Le Modulor, de certo modo similar a uma escala musical, Le Corbusier desenvolve o seu conceito de ‘Acústica plástica’.

Link externo: http://www.cca.qc.ca/en/study-centre/575-scholar-s-choice-the-philips-pavilion-at-the-brussels-worlds