27 abril 2011

FOTOGRAFIA E VIDEO-ARTE: ROSÂNGELA RENNÓ


“A expansão da imagem, na obra de Rennó, atinge outro patamar de complexidade a partir dos trabalhos com sua coleção de textos de jornal que fazem referência à fotografia. As várias séries que constituem o projeto em processo Arquivo universal (desde 1992) apresentam textos usados e manipulados como fotografias.
Os critérios para seleção e edição dos textos são os mesmos usados para as fotografias. Assim como na imagem, a manipulação dos textos ocorre no sentido de eliminar especificidades e referências espaço-temporais. Em entrevista ao crítico e curador Paulo Herkenhoff, Rosângela afirma que sob orientação do professor Eduardo Peñuela, na USP, “houve um aguçamento da vontade de trabalhar com jogos intertextuais. Daí nasceu o interesse pelo texto substituindo a imagem”.

Assim como o interesse pela intertextualidade visual já estava presente nos anos de formação, a experiência com o cinema também é uma condição inerente ao trabalho da artista. Mesmo que a obra em vídeo só viesse a acontecer mais adiante, a partir de Vera Cruz (2000) e Espelho diário (2001), as questões relacionadas à imagem em movimento que surgiram nas aulas de cinema foram imediatamente incorporadas à pesquisa artística de Rennó.

ENTREVISTA COM ROSÂNGELA RENNÓ



Elas aparecem já em uma de suas primeiras individuais, Anti-cinema, realizada na Galeria Corpo, em Belo Horizonte, em 1989. Na exposição, alguns trabalhos prestavam homenagem a Muybridge e Etiene-Jules Marey, os pais da fotografia seqüencial, e aos artistas Marcel Duchamp e Jan Dibbets. Tratava-se de uma série de fotografias montadas sobre discos LP, que deveriam ser “rodadas” em tocadiscos antigos. Outras obras dialogavam diretamente com a matéria-prima do cinema: uma série de fotografias de grande formato, feitas a partir dos fotogramas de cinema achados no lixo da ECA-USP. Outro objeto, Detector de primaveras (1989), feito com um antigo flash de bulbo, girava e piscava sobre um pedestal e completava a reflexão sobre a interlocução entre as artes visuais, a fotografia e o cinema.”

Paula Alzugaray

Aqui: http://www.rosangelarenno.com.br/uploads/File/alzugarayPort.pdf

25 abril 2011

EDGARD VARESE E LE CORBUSIER: POEME-ELECTRONIQUE, 1958


O Poema Eletrônico foi apresentado, pela primeira vez, na Feira Mundial de 1958, em Bruxelas, através de 425 auto-falantes instalados em todo o pavilhão Philips. Agrupados em colméias, os conjuntos de alto-falantes criavam rotas de som que permitia a música correr em diversas direções, destacando certas regiões do pavilhão. Seu posicionamento e a concepção do edifício deu aos espectadores a sensação de estarem alojados dentro de uma concha prateada de concreto.

Um modelo gigante de um átomo pendia do teto e o som e imagem, na sala lotada, foram certamente chocantes e devastadores para todos os que testemunharam o espetáculo. Henry Miller o descreveu como um “estratosférico colosso de som”.


Quando a Philips (empresa de eletrônicos) abordou Le Corbusier para projetar um edifício para a feira, ele respondeu: "Não vou fazer um pavilhão para você (Philips), mas um poema eletrônico e um recipiente contendo um poema; luz, cor, imagem , ritmo e som, combinados em uma síntese orgânica "

Na sua auto-assumida condição de diretor do projeto, Le Corbusier exigiu a participação do compositor francês naturalizado americano Edgard Varèse (1883-1965), excluindo outros músicos inicialmente considerados, como Benjamin Britten (1913-1976), compositor, pianista e maestro e britânico.


A proposta de Le Corbusier, para participar no Poème Électronique foi imediatamente aceita por Varèse. Constituía não só um valioso encargo, como também a possibilidade de dispor do laboratório Philips em Eindhoven, com condições que até então não tinha podido sonhar para produzir música eletrônica.

A composição Poème Électronique foi concebida segundo o critério ‘varesiano’ de son organisée (som organizado), distinguindo-se da música de estrutura melódica. Consistia numa sequência gravada que incluía sons gerados eletronicamente ou naturais (música concreta). O Poème alcançou um importante reconhecimento e é considerado uma obra importante do último período de Varèse.


Simultaneamente com a música de Varèse, e sem nenhum critério de sincronização, projetava-se a sequência visual concebida por Le Corbusier, que abrangia desde a gênese do mundo até a nova civilização exemplificada em obras do próprio arquiteto.



A procura de uma síntese das artes faz parte da agenda cultural posterior à II Guerra Mundial. O Pavilhão Philips representa um esforço evidente de Le Corbusier em realizar uma obra de arte total, utilizando tecnologia de vanguarda e apresentando-se como um artista que ultrapassa os limites da arquitetura, das artes visuais e da literatura, mas também reflete uma abertura para a música. Mais ou menos simultaneamente com a concepção do seu Le Modulor, de certo modo similar a uma escala musical, Le Corbusier desenvolve o seu conceito de ‘Acústica plástica’.

Link externo: http://www.cca.qc.ca/en/study-centre/575-scholar-s-choice-the-philips-pavilion-at-the-brussels-worlds

22 abril 2011

PARTY MONSTER: THE SHOCKUMENTARY


Party Monster: The Shockumentary é um filme documentário de 1998, que relata o sucesso e o declínio do fenômeno "Club Kids" nas festas de Nova York no final da década de 80, a vida do ‘celebutante’ e promoter Michael Alig, e o assassinato brutal do traficante de drogas Anjo Melendez pelo próprio Alig.


Dando adeus à South Bend, Indiana, Alig chegou à Nova York, se tornou um estudante marginal e estabeleceu a reputação de promotor de festas durante os anos 80, aspirando tomar o lugar de Andy Warhol.


Suas festas se caracterizavam pelos figurinos bizarros, performances, e pela inclinação sexual, mas elas acabaram por se tornarem caóticas quando começou a ocorrer o abuso de drogas pesadas como heroína, crack, e tranqüilizantes de animais, o que chamou a atenção da lei.


No início de 1996, o traficante Anjo Melendez desapareceu, e em seguida um cadáver esquartejado apareceu flutuando dentro de uma caixa perto Staten Island; meses depois Alig e um companheiro de quarto foram presos.

TRAILER: PARTY MONSTER – SHOCKUMENTARY



DOCUMENTÁRIO COMPLETO: PARTY MONSTER – SHOCKUMENTARY



Para contar os detalhes sombrios deste episódio, os cineastas Fenton Bailey e Randy Barbato combinaram imagens de uma série de entrevistas - com Alig na prisão, St. James, observadores da cena como Michael Musto e uma série de outros ‘club kids - com imagens de arquivo das festas e de reencenações dramáticas.


Simulações encenadas são habilmente integradas com imagens reais para juntas, completar um quebra-cabeça e formar o retrato de Michael Alig, que cumpre pena por homicídio culposo, inclusive quando este filme foi feito.


Produzido pela World of Wonder e baseado em parte no livro de memórias de James St. James - “Disco Bloodbath”, este filme documentário foi parcialmente financiado pelo Cinemax e pelo canal britânico Channel 4, com um tempo de execução de 57 minutos, calculado para intervalos de tempo de TV.


Party Monster: The Shockumentary foi apresentado em uma série de festivais de cinema, incluindo o Sundance Film Festival de 1999.
O livro e este filme documentário serviram de inspiração e base para o filme longa metragem, também chamado de “Party Monster”, lançado em 2003 pelos mesmos diretores.

PARTY MONSTER SOUNDTRACK: ‘MONEY, SUCCESS, FAME, GLAMOUR’ - FELIX DA HOUSECAT



Ficha técnica de Party Monster: The Shockumentary

Duração: 59 minutos
Direção: Fenton Bailey, Randy Barbato
Elenco: Elke Alig (Herself) Gitsie (Herself) James St. James (Himself) Keoki (Himself) Michael Alig (Himself)
Produtores: Fenton Bailey, Randy Barbato
País de Origem: Estados Unidos da América