15 abril 2011

ADRIANA VAREJÃO: CÂMARA DE ECOS



Em 2005, a Fondation Cartier, na Europa, apresentou uma exposição individual da artista Adriana Varejão, que se destaca como uma das mais importantes da criação contemporânea brasileira.
Neste vídeo a artista fala da sua obra, que tem referência no Barroco, na história colonial do Brasil, na literatura libertina e na música tradicional brasileira, de onde desenvolve a sua potência visual. Suas pinturas viscerais, abertas em carne viva, sua obra inspirada pela azulejaria tradicional portuguesa, criam uma tensão entre a pintura, escultura e arquitetura. Ainda, Adriana lida com a pintura ilusionista.

VIDEO: PHILIPPE SOLLERS & ADRIANA VAREJÃO



O texto do catálogo da exposição "Echo Chamber" foi assinado por Philippe Sollers.
Parte das obras apresentadas neste vídeo constitui sua mostra no Instituto Inhotim.

Catálogo:
Chambre d’échos/Câmara de Ecos
Fondation Cartier pour l’art contemporain/Actes Sud
ISBN: 972-8176-97-X (versão português/ inglês)
Texto: Philippe Sollers e Paulo Herkenhoff, entrevista com Hélène Kelmachter
Paris/Arles, 2005 - 112p

VIDEO: GALERIA ADRIANA VAREJÃO NO INHOTIM


09 abril 2011

PERFORMANCE E VIDEO: PAUL McCARTHY


Paul McCarthy nasceu na cidade de Salt Lake City, Utah, em 1945. Iniciou seus estudos na University of Utah, depois foi para a San Francisco Art Institute e se graduou em pintura. Em 1972, transferiu-se para a Universith of Southern California, onde estudou cinema, vídeo e arte, e recebeu o título de Mestre.
McCarthy ganhou reconhecimento com suas performances intensas, baseadas em vídeo, trabalhando com a temática dos tabus acerca do corpo, sexualidade e rituais de iniciação. Seu trabalho também aborda as questões da família, infância, violência e disfunção, se utilizando de fluidos corporais, tinta e comida para criar críticas elaboradas e grotescas na iconografia cultural.

PAUL MCCARTHY: "CLASS FOOL" (1976)



Desde o início dos anos 1970, sua produção consiste de performances registradas em vídeos e fotografias, além de esculturas em grande escala e instalações multimídia, todas elas inspiradas na indústria do entretenimento norte-americana.
Em 1972 McCarthy apresentou ‘Black and White Tapes’, que deriva de uma série de performances realizadas no seu estúdio de Los Angeles entre 1970 e 1975. Concebido para a câmera e executado exclusivamente para poucos espectadores, esta performance utiliza o vídeo para articular tanto o operador quanto o espaço do estúdio.



Paul é um artista que conduz o indivíduo na observação dos aspectos do cotidiano, sob um prisma de exageros, deformações e aberrações, provocando repulsa, indignação, rejeição e outros sentimentos de desagrado. Sua obra une o ritualístico e o profano, sangue e catchup.
Em 1974 apresentou “Sauce”, uma performance onde ele realizou uma gama extraordinária de atividades sexuais com uma garrafa de ketchup.

PAUL MCCARTHY: "BLACK & WHITE TAPES" | Art21 "Exclusive"



Em ‘Rocky’, de 1976, estão reunidos alguns dos principais interesses de McCarthy: a máscara, os fluidos corporais e a encenação para a câmera. Na performance o artista veste bermuda e luvas de boxe, e imita a maneira pela qual o ator Sylvester Stallone luta como o personagem Rocky no filme homônimo de 1976. Ele começa a bater na própria cabeça como que para limpar seus pensamentos e demonstrar sua virilidade, mas gradualmente o número e a violência dos golpes aumentam. Parece que o personagem está tendo uma luta imaginária com outra pessoa, mas como no filme, ela se transforma em uma luta consigo mesmo. Ele também esfrega ketchup de tomate sobre os seus órgãos genitais, às vezes se masturbando. Aos poucos o personagem atinge um estado de exaustão perto de inconsciência e cai no chão, mas continua a se debater.

PAUL MCCARTHY: "SAUCE" (1974)



Sobre seu trabalho declarou: "My work came out from kid's television in Los Angeles... My work is more about a clown than a shaman".
Participou das Bienais de Veneza, Carrara, Sidney, Gwanzju, Berlin e costuma se apresentar individualmente em espaços como a Whitney Biennale e o Museum of Modern Art. O artista é representado pela Hause & Wirth Galleries.
McCarthy conta freqüentemente com a colaboração do artista Mike Kelley.

PAUL MCCARTHY: "PAINTER" (1995)



08 abril 2011

ANTI-ARTE: O ACIONISMO VIENENSE


O acionismo vienense se desenvolveu em Viena entre 1965 e 1970, sendo protagonizado pelos artistas austríacos Herman Nitsch, Otto Mühl, Rudolf Schwarzkogler e Günter Brus e pelos escritores Gerhard Rühm e Oswald Wiener.
Se comparado com outros movimentos como os happenings, performances e fluxus, o acionismo vienense caracterizou-se pela forma mais violenta e agressiva de tratar o corpo na arte. Seu impacto influencia os dias atuais e reflete a negação da estética, do artista e da própria arte.


VÍDEO: ‘SELBSTBEMALUNG / SELBSTVERSTÜMMELUNG’ (1965), DE GÜNTER BRUS




O movimento acionista consistia no desmantelamento de tabus corporais e mentais, como ‘anti-arte'. Eles acreditavam realizar ações puristas, sem caráter estético, avesso à contemplação ou reflexão, buscando a libertação. O próprio corpo era o suporte da obra e os materiais utilizados eram instrumentos de corte e perfuração, mas principalmente sangue e secreções do próprio corpo-suporte. Assim, renunciava qualquer tipo de mercantilização.


No acionismo vienense, as facas se convertem em pincéis, o corpo em tela e as próprias secreções do corpo humano em pigmento, desse modo, o corpo é a pintura, a escultura e a expressão plástica. Em ação, os artistas se cortam, se mutilam e permitem a possibilidade da dimensão de uma arte terapêutica.


VÍDEO: TEASER NITSCH & CARAVAGGIO




Além de seu caráter terapêutico e ritualístico, o acionismo vienense também se mostra como uma arte com caráter político. Para os acionistas o melhor meio para a expressão de suas contestações em relação ao poder repressor do Estado e ao comportamento cínico da sociedade foi o corpo, a única coisa que pertence realmente ao homem e sobre o qual se deposita a cultura de forma mais intensa, formando os comportamentos e ideologias. Nesse sentido, ao colocar o corpo em destaque com o sentido da dor e da destruição, os acionistas, pela via do repúdio e do asco e na relação de alteridade, buscavam mobilizar o indivíduo para que voltasse o olhar para si mesmo e questionasse a sua identidade e a sua postura ética.


VÍDEO:OTTO MÜHL "MAMA UND PAPA" (MATERIALAKTION, 1964)




Os acionistas formavam um grupo de idéias heterogêneas no qual cada artista atuava a sua maneira em intensa colaboração com os demais. Em relação ao modo de atuação, as ações de Nitsch estarão mais voltadas para o sacrifício e o ritual, num ataque direto aos valores religiosos, enquanto as ações de Mühl se voltam mais para a liberação sexual pela via da perversão e do escárnio.



Para Nitsch, pintura, pigmento e sangue se misturam formando um só corpo, um corpo real, não pictórico. Considerando cada ação como um «acontecimento real», Nitsch rompe com os limites entre arte e realidade, entre as substâncias orgânicas e os elementos artísticos através de uma atitude repugnante, obscena e perversa que pretende motivar os sentidos do espectador sem que esse participe ativamente da ação.


VIDEO: HERMANN NITSCH,"ABREAKTIONSSPIEL" (1970)




As ações de Nitsch inicialmente se restringiam à pequenos espaços privados tendo como espectadores um número reduzido de amigos, posteriormente, apresenta seu trabalho em espaços públicos como museus e galerias e, a partir de 1971, comprará e converterá o castelo de Prinzendorf no Teatro de Orgias e Mistérios, no qual apresentou sua ação nº 80 de setenta e duas horas e, em 1998, a festa do seis dias, que pode ser considerada o ponto culminante de seu teatro.

VIDEO: DES ORGIEN MYSTERIEN THEATERS - HERMANN NITSCH, 1998




VIDEO: BLOODLINES - THE PAINTINGS OF HERMANN NITSCH