
Richard Serra nasceu na Califórnia em 1939. Manifestou-se no circuito artístico de Nova York seguindo as influências da Arte Povera e do Minimalismo, no mesmo sentido de Donald Judd, Robert Morris e Frank Stella.
Na década de 60, enquanto se aperfeiçoava como pintor na Europa, Serra decidiu que queria envolver o observador diretamente no seu trabalho e, achando que não poderia fazer isso em duas dimensões, decidiu abandonar a pintura e tornar- se escultor.

Em 1970, realizou o equilíbrio entre placas de aço apoiadas em si prórias, sem a ajuda de suporte, concebendo possibilidades esculturais que ainda hoje estão em experimentação.
Desde então suas obras públicas - grandes estruturas de aço no território urbano, têm alterado a percepção do espectador sobre o espaço. Toda sua obra reflete uma atenção pela experimentação e revela uma preocupação com a redefição do espaço.

Com o objetivo de envolver o espectador, Serra possibilitou uma nova forma de interação com a escultura, ampliando as fronteiras e a definição dessa arte. O centro de gravidade e o equilíbrio, a massa e o vazio, a percepção do espaço e a consciência corporal por parte do espectador constituem os temas básicos de sua obra.
Colocando seu trabalho exposto no meio urbano e também em museus, como no MOMA - que precisou passar por uma transformação superlativa para a realização de uma mostra - o escultor escolhe tornar-se público e acessível aos outros.
Richard Serra no MoMA (2006) por superalbertofilho
As obras de Serra têm relevância inclusive entre arquitetos, uma vez que força e transforma os limites do espaço, proporcionando uma nova experiência do homem no mundo. Sua contribuição à arquitetura, está fundamentalmente em tomá-la como um lugar onde o artista estrutura espaços e explora novas possibilidades. Fundamentalmente, Serra desafia e proporciona uma reflexão à construção do espaço.
Richard Serra fala no Gagosian por superalbertofilho
Serra já instalou suas obras em cidades como Nova York, Paris e Londres. Seu trabalho no espaço público considera um local específico e, neste sentido, sua obra não representa apenas o objeto em si, mas a sua relação com o local e com a população.

Em 1987, Serra instalou o seu Tilted Arc (Arco Inclinado) na Federal Plaza em Nova York - uma placa de metal curva de 3,6 metros de altura, que gerou polêmica e foi retirada do local pela mobilização dos habitantes que consideravam a escultura uma armadilha que poderia favorecer o acúmulo de lixo até ser usada como escudo por terroristas e assaltantes. Na discussão Serra alegou que a escultura era concebida especificamente para aquele local e que a sua remoção a destruiría. Em 1989, a peça foi retirada e encaminhada para um ferro-velho.
Torqued Ellipse IV no MoMA (1998) por superalbertofilho
As proporções das esculturas de Serra surpreendem quando se nota que não há nada para sustentá-las – para os leigos em física é um equilíbrio incompreensível. Para ele, o observador deve confiar apenas em sua experiência quando está entre as paredes da escultura. O objetivo principal do escultor é enfatizar o processo de criação, as características do material e, sobretudo, relacionar espectador e obra.
’THE MATTER OF TIME’

‘The Matter of Time’ é uma série composta por oito esculturas:
Torqued Spiral (Closed Open), 2003; Torqued Ellipse, 2003-04; Double Torqued Ellipse, 2003-04; Snake 1994-97; Torqued Spiral (Right Left), 2003-04; Torqued Spiral (Open Left Closed Right), 2003- 04; Between the Torus and the Sphere, 2003-05 e Blind Spot Reversed, 2003-05.
O conjunto desta obra pesa cerca de 1200 toneladas, tem mais de 430 pés de comprimento. As peças em aço, de grande escala, que compõem essa obra, erguem-se como muros, e se entrelacem em labirintos. Para se visitar uma escultura de Serra é preciso entrar nela fisicamente, interagir, sentir a textura, o frio do metal, elas são uma espécie de retorno à cidade. É preciso se perder nelas, perder-se para elas, se entregar as sensações, aos sentimentos que elas despertam.
VÍDEO: INTERAÇÃO COM 'THE MATTER OF TIME', 2005
Interação com 'The Matter of Time', 2005 por superalbertofilho
A experiência do espectador durante o trajeto pelas predes de aço é um aspecto inerente na obra de Serra. O sentido desta criação é ativado pelo ritmo do movimento de cada espectador.
Este conjunto de esculturas se baseia na idéia de temporalidade múltipla, de tempos que se sobrepõem. A duração da experiência de uma peça é diferente à da outra. Por um lado a experiência é interna, privada, psicológica e estética, e de outro, é externa, social e pública. O espectador mergulha em uma viagem, cujas descobertas dependem de sua vontade de investir seu tempo e deixar que suas memórias se fundem na percepção.
Ambas as criações de Serra nos instigam, nos provocam, nos fazem querer ser parte da obra. Andando, caminhando, correndo, tocando, sentindo, olhando, admirando, se permitindo esse tempo, essa brincadeira de se perder e se achar, nessa e para essa sociedade voraz que escolhemos viver.
Montagem de 'The Matter of Time' no Guggenheim... por superalbertofilho







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